Polícia

Outros 2 motociclistas morrem e trânsito já é mais fatal neste ano

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Tio de Paulo Vitor (no detalhe), Nivaldo critica falta de estrutura da via: 'Se tivesse ao menos dois redutores de velocidade, evitaria acidentes'

Em um período de apenas 72 horas, Bauru registrou três mortes de motociclistas. Ocorrências que encorpam um cenário preocupante: o trânsito em 2016 já é mais fatal do que o ano passado inteiro. Um dos casos recentes é do ajudante geral Paulo Vitor da Silva Rodrigues, 23 anos, que se acidentou na ligação do Jardim Flórida com o Bauru 2000 na semana passada, em trecho "negligenciado" pelo poder público e com histórico de três acidentes com óbitos em pouco mais de um ano.

Paulo permanecia internado no Hospital de Base (HB), porém, não resistiu aos ferimentos e teve morte cerebral na tarde de anteontem. Familiares do jovem criticaram a falta de redutores de velocidade na via. Somente agora, após mais uma tragédia, o poder público promete dar atenção especial ao local e buscar soluções ágeis (ou nem tanto) para deixar o acesso mais seguro.

Mais dois casos, contudo, foram registrados nos últimos dias na cidade. Um deles ocorreu no sábado, quando colisão na região da Vila Pacífico matou o motociclista Antonio Railton Santana Medeiros, 23 anos, conforme o JC noticiou.

Outro que teve a vida ceifada sobre duas rodas foi o mototaxista Sidney Christian Pereira dos Santos, 27 anos. Ele faleceu no início da noite de domingo, também no HB, após nove dias internado em razão de acidente ocorrido no último dia 12, no Jardim Terra Branca.

COMPARAÇÃO

Com essas três mortes, a estatística no município se torna ainda mais preocupante. O ano ainda nem acabou e o número de vítimas fatais já ultrapassa em quatro casos 2015: foram 25 óbitos até o momento, sendo 16 envolvendo motocicletas. No ano passado, 21 pessoas morreram nas vias e 12 tiveram relação com motos.

Gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto atribui o aumento à imprudência, tanto de carros quanto de motocicletas. "Na maioria das vezes, a imprudência é a grande causadora dos acidentes e os motociclistas são os mais vulneráveis. Por isso, são maioria quando se fala em mortes no trânsito", avalia.

PRECARIEDADE

Em muitos casos, porém, a falta de sinalização ou precariedade das vias se tornam as grandes vilãs. O acidente que vitimou Paulo Vitor, por exemplo, ocorreu em trecho sem iluminação, sem redutores de velocidade e com histórico de ocorrências.

Ele perdeu o controle da moto após declive acentuado e uma curva, vindo a bater em uma árvore na quadra 4 da rua Nicolau Ruiz, acesso à avenida José Vitório Dota.

Tio da vítima, Nivaldo Queiroga Silva, 38 anos, critica a falta de estrutura no local. "Se tivesse ao menos dois redutores de velocidade, evitaria acidentes", opina.

Foi nas proximidades deste acesso, na mesma avenida, inclusive, que outra pessoa morreu há quase quatro meses. Trata-se de uma colisão entre moto e cavalo que matou Roger Patrick Rivera da Luz, 20 anos. Ele não teria enxergado o animal, que também morreu.

Em junho de 2015, dois meses depois de a via ser inaugurada, André Marques dos Santos, 24, também faleceu ao tentar fazer uma curva existente no local. Na época, o JC já alertava sobre os riscos que cercavam a avenida.

'VOU PESSOALMENTE'

Em termos de fatalidade, o trecho em questão é considerado um dos mais perigosos de Bauru, reconhece Nelson Augusto Neto, da Emdurb. Sobre o número de acidentes no local, ele promete mais empenho para tantar reverter a situação.

"Vamos ter que fazer alguma coisa. Vou pessoalmente até lá. Solicitei um levantamento completo à equipe de engenharia para ver a possibilidade de instalar radares, ainda nesse ano", promete Neto.

Em reportagem veiculada na última sexta, a Emdurb afirmou que colocará radar no local ainda neste ano. A prefeitura também promete iluminação na avenida para dezembro.

'Ele não queria ir trabalhar aquele dia'

Vítima de colisão fatal no Jardim Flórida, Paulo Vitor da Silva Rodrigues trabalhava com um tio no corte de eucalipto. No dia da fatalidade, ele chegou a dizer para a mãe que não deveria ir ao trabalho, contou a irmã do rapaz, Tamires Paula Silva Ferreira, 26 anos.

"Ele não queria ir trabalhar aquele dia, algo raro de acontecer. Disse que não estava muito bem. É como se ele tivesse pressentido a morte", relatou, durante o velório, ontem.

Além de Tamires, Paulo vivia com mais um irmão, a mãe e quatro sobrinhos no Parque São Geraldo. "Com ele, não tinha tempo ruim. Uma pessoa de bom coração e que trabalhava para dar melhores condições para a nossa mãe", finaliza Tamires.

O corpo do jovem foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério Jardim dos Lírios.

 

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