Política

Mesmo com tantas incertezas na ETE, novas estacas voltarão a ser cravadas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosa/JC Imagens
Sidnei defende que ritmo dos trabalhos precisa ser retomado

A Prefeitura de Bauru decidiu autorizar que a COM Engenharia continue a instalar as 1 mil estacas-raiz faltantes na construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), apesar da insegurança acerca das primeiras 1 mil já cravadas. Como revelou o JC, com exclusividade, 80% dos testes de ensaio de carga realizados não apresentaram resultados satisfatórios.

O martelo foi batido pelo secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, após reunião, em São Paulo, nesta terça-feira, com o corpo técnico da Arcadis Logos. A multinacional responde pelo projeto executivo da ETE e, após análise solicitada pela administração municipal, reiterou a qualidade do trabalho desenvolvido, garantindo que a dimensão das estacas está adequada à carga que terão de suportar e ao tipo de solo no qual foram instaladas.

Acatando as sugestões da empresa, a Prefeitura vai contratar novo teste (chamados de bit), que apontará se houve falhas na execução, por parte da COM, no momento da colocação das estacas, ou vícios nos ensaios que sugeriram os problemas, também providenciados pela construtora.

A iniciativa parece plausível, até porque Sidnei foi informado que essa "contraprova" não custa caro. O que preocupa, no entanto, é a decisão de retomar a instalação das outras 1 mil estacas.

Se o problema tiver origem na execução do serviço, por exemplo, há o risco de repetição dos vícios, fator que pode encarecer ainda mais a obra. Afinal, o município não sabe sequer qual e quanto custará a solução para eventual intervenção que repare as prováveis deficiências das primeiras estacas. 

Sidnei Rodrigues, por sua vez, argumenta que o ritmo dos trabalhos precisa ser retomado, já que frente de instalação das estacas está paralisada desde 25 de outubro. Ele observa ainda que, diferentemente do que ocorreu na primeira parte, quando a COM só providenciou os ensaios depois que 1 mil estacas haviam sido cravadas, os testes agora serão realizados a cada pequena leva.

ACOMPANHAMENTO

Na reunião de ontem, a Arcadis Logos destacou ainda dois engenheiros para dar respaldo técnico a eventuais dúvidas acerca do projeto executivo da ETE. Na semana passada, Sidnei queixou-se, publicamente, da demora da empresa em dar retorno às dúvidas e questionamentos do município.

Ainda no encontro, outro impasse, relativo ao tanque de equalização da estação, foi sanado. "Neste caso, reconheceram que houve uma omissão do projeto e providenciaram as adequações", disse.

O DAE contratou o projeto-executivo da estação por R$ 1,9 milhão junto à Etep. Essa empresa, contudo, foi, posteriormente, incorporada pela multinacional Arcadis Logos.

Obra multimilionária

Originalmente, a construção da ETE deveria ter ficado pronta em setembro deste ano. O atraso nos trabalhos fez, no entanto, com que o prazo final fosse estendido para dezembro de 2017.

Até agora, R$ 19.523.504,72 em serviços foram executados no canteiro. O consórcio gerenciador das obras, SGS-Enger/JHE, apontou que mais R$ 24.696.350,78 já poderiam ter saído do papel. Metade do atraso foi de responsabilidade da própria construtora, a COM Engenharia. O custo total da ETE, passível de novos aumentos, já saltou de R$ 129.229.676,00 para R$ 138.948.360,00, em decorrência de reajuste e aditivo já autorizados pela Prefeitura. O governo federal se comprometeu a pagar R$ 118 milhões na obra. Todo o restante deverá ser custeado com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), pago todos os meses pelo contribuinte bauruense junto às contas de consumo de água e coleta de esgoto.

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