Embora não tenha procuração nem ligação política ao partido que o vereador Markinho da Diversidade integra, venho aqui defender sua postura política. Declarado como mentor do Projeto de Lei que proíbe festas clandestinas, foi atacado pelo senhor Fabrício Genaro nesta coluna, sendo colocado na posição de preconceituoso e racista, sob o argumento de que o fundamento de referido projeto de lei seria a discriminação social e racial. Pois saiba que fico muito feliz que ainda existam pessoas que se preocupam com nossa juventude.
Não importa se negros ou brancos (ou seriam afro descendentes e caucasianos?), se na periferia ou nos bairros nobres, se ao som do funk ou da música eletrônica, o certo é que nossa juventude tem sofrido uma verdadeira lavagem cerebral em festas regadas a drogas e álcool, animadas pelo sexo fácil e precoce e embaladas por músicas de conteúdo alienante. E isso não é suposição: vejamos o aumento alarmante de jovens drogados e bêbados, o número de jovens grávidas de pais desconhecidos, a alienação de nossa juventude (que deveria ser nossa esperança de um futuro melhor)...
Chegou-se ao absurdo de se taxar o Markinho de moralista. Será que ter moral é errado? Nessa total inversão de valores do ataque, esquece-se que o vereador ficou conhecido como Markinho da Diversidade, e como tal se colocou num primeiro momento como porta-voz de um segmento social igualmente minoritário.
Depois evoluiu e muito, percebendo que em seu cargo público deve se trabalhar em prol de todos. Talvez esse seja um grande ensinamento a ser absorvido por quem se julga liderar alguma coisa. Porém, se ele evoluiu, algumas pessoas insistem no retrocesso, no divisionismo, na segregação...
Enquanto a cultura do orgulho negro viu nascer no país mais racista do mundo um líder como Martin Luther King e viu a igualdade de condições proporcionar a eleição de seu primeiro presidente negro, aqui algumas pessoas insistem na cultura de reduzir esse orgulho à política do “coitadinho”... da lamentação... Não creio que devemos esquecer nossa história, mas está na hora de evoluir... Passado 128 anos da Lei Áurea, tem gente ainda chorando pela nefasta chibata da escravidão sem nunca ter visto uma enxada de perto...
Justificando qualquer coisa como um estigma da cor... vendo preconceito em tudo... (Temo pelo dia em que um casal de recém-casados seja acusado de preconceito, em plena festa de casamento, por ter colocado o beijinho e o brigadeiro em bandejas diferentes...). Os jovens negros deveriam ter acesso à história de luta de líderes mundiais como Nelson Mandela e Desmond Tutu, e não terem o cérebro varrido pela contracultura alienante que hoje lhes é imposta pela indústria da música, financiada pelo tráfico de drogas e apoiada por lideranças equivocadas...
Sinceramente, sem querer desrespeitar a opinião de ninguém, está na hora de nos preocuparmos com coisas realmente sérias e atuais... Nossa juventude (pobre ou rica, negra ou branca) não precisa somente ocupar os espaços públicos de lazer.... ela tem que ocupar espaços públicos de cultura...
Ocupar bibliotecas, teatros, escolas, universidades. Certas aparentes liberdades defendidas como bandeira por alguns ao invés de promoverem a inserção social nada mais fazem que isolar grupos minoritários num gueto marginal, reforçando a estigmatização social e o vitimismo.