Política

Retomada de estacas da Estação de Tratamento de Esgoto é adiada

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
O engenheiro Eduardo Pegoraro durante questionamentos em reunião da Comissão de Obras

A Prefeitura de Bauru recuou da decisão, informada pelo secretário de Obras Sidnei Rodrigues, na última terça-feira (22), de dar continuidade imediata à instalação de estacas raiz na obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) mesmo enquanto pairam dúvidas sobre a eficiência das primeiras 1 mil que já foram cravadas.

O anúncio da retomada havia sido feito após reunião do titular da Secretaria de Obras e parte de sua equipe técnica junto a representantes da Arcadis Logos, multinacional que responde pelo projeto executivo da ETE. Na ocasião, a empresa garantiu a eficiência de seus cálculos e orientou que o município retomasse essa frente de serviços, suspensa desde o dia 25 de outubro.

Os trabalhos foram interrompidos porque dos cinco ensaios de testes de carga contratados pela COM Engenharia (contratado para estação), quatro não apresentaram resultados satisfatórios, como revelou o Jornal da Cidade, com exclusividade, na semana passada.

Também por recomendação da Arcadis, o município decidiu contratar - ainda sem prazo - um outro tipo de teste, denominado “pit”, com o intuito de averiguar se houve problemas na execução das estacas ou até mesmo na realização dos primeiros ensaios.

Como ainda não foi possível identificar qual ou quais os problemas ocasionaram o insucesso de 80% dos testes sobre as primeiras estacas, como alertou o JC na edição de quarta-feira, o município optou por esperar a conclusão de mais quatro ensaios de carga - assim como os cinco iniciais, contratados pela COM Engenharia - antes de retomar a instalação das 1 mil estacas restantes.

A informação foi obtida pela reportagem junto ao engenheiro da prefeitura Elinton Silva e confirmada por Sidnei Rodrigues, após a reunião chamada pela Comissão de Obras da Câmara Municipal, que reuniu, nesta quinta-feira, vereadores, membros e convidados da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) e do Conselho de Fiscalização do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).

Os quatro ensaios que a administração municipal aguarda devem ficar prontos, segundo o secretário de Obras, dentro do período de 20 a 30 dias. Até agora, só R$ 19,5 milhões em serviços foram executados na ETE. O custo total do contrato já chega a R$ 138,9 milhões. Os trabalhos deveriam ter sido concluídos em setembro desse ano. O prazo final, contudo, já foi adiado para dezembro de 2017.

Reunião confirma problemas na quantidade de testes com as estacas

Durante a reunião na Comissão de Obras, integrantes da Assenag e o especialista em fundações Eric Fabris, que compareceu à Câmara Municipal a convite da entidade, confirmaram uma série de problemas relacionados à construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Quanto às estacas, os engenheiros apontaram que os ensaios foram realizados em números insuficientes, pois a norma técnica estipula que um teste para cada 75 cravadas. Seriam necessários, portanto, pelo menos 13 para as primeiras 1 mil que já foram cravadas. A Secretaria de Obras conta com nove. O “timing” dos testes também foi questionado. Os resultados só ficaram prontos depois que metade das 2 mil estacas raiz projetadas foram instaladas.

Sidnei Rodrigues afirmou que a COM Engenharia postergou para dar início à contratação dos ensaios, alegando que o custo dessas provas - cerca de R$ 25 mil cada uma - não estava em contrato.

Questionado sobre a “credibilidade” desses ensaios, já que a construtora demonstrava interesse em requerer aditivos para modificar a dimensão das estacas, o secretário  garantiu que o município viabilizará “contra-provas”, que, assim como os testes chamados de “pits”, ainda dependem de contratação pelo poder público.

Os engenheiros da Assenag também demonstraram perplexidade ao saber que a qualidade do concreto utilizado na construção da ETE tem sido atestada pela própria empresa que fornece o material à COM Engenharia. Eric Fabris também destacou uma série de falhas no projeto executivo da estação. O especialista pontuou, por exemplo, que, nele, já deveriam ter sido especificados quantos e em quais pontos seriam realizados os ensaios de carga.

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