Nacional

Cai diferença salarial entre sexos no Brasil

Daniela Amorim
| Tempo de leitura: 2 min

A piora generalizada do emprego no País ajudou a reduzir a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Não houve melhora na condição feminina, mas sim deterioração na condição masculina, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, divulgada ontem pelo IBGE. A renda média mensal dos homens ocupados que recebiam para trabalhar foi de R$ 2.058 ante R$ 1.567 das mulheres. O resultado significa que as mulheres receberam 76,1% do rendimento dos homens. Em 2014, elas recebiam o equivalente a 74,5%.

“É tendência de longo prazo essa redução gradual na desigualdade entre homens e mulheres. O salário delas aumentava um pouquinho mais que o deles. Mas, num momento de crise, o salário da mulher cair menos do que o dos homens também não é irrelevante”, avaliou Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador responsável pelos indicadores do mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Quando o levantamento inclui nessa conta as pessoas que trabalhavam sem rendimento, as mulheres recebiam proporcionalmente ainda menos do que os homens, 72,9%, porque há mais mulheres do que homens trabalhando sem receber nada por isso. A renda média da mulher cai para R$ 1.432 (2,2% a menos do que no ano anterior), enquanto a dos homens fica em R$ 1.965 (5,1% menor que em 2014).

“Ela está ajudando algum parente na atividade dele. Não está recebendo nada diretamente, mas está ajudando o rendimento no domicílio. Quem recebe rendimento é ele, mas ela é beneficiária de alguma forma daquele rendimento”, explicou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE. Nos dez anos anteriores, de 2004 a 2014, a renda feminina tinha aumentado 60,5%, enquanto a masculina subiu 42,9%.

INFANTIL

A deterioração no mercado de trabalho trouxe ao menos uma boa notícia, a redução no trabalho infantil. Em 2015, o País ainda tinha 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhando, o resultado significa 659 mil brasileiros a menos nessa condição do que no ano anterior. Os dados da PNAD apontam que a crise no emprego fez faltar trabalho para todas as faixas etárias, mas a mais afetada foi a de adolescentes de 16 e 17 anos, sobretudo em áreas urbanas.

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