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Sem sede, os escoteiros podem encerrar atividades em Agudos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Em reunião no dia 22, pais dos escoteiros foram comunicados sobre o risco de fim das atividades

O único grupo escoteiro de Agudos (13 quilômetros de Bauru) poderá encerrar suas atividades em 2017, deixando de atender 80 jovens do município, muitos deles carentes. De acordo com a entidade, o espaço onde são desenvolvidas as atividades pertencia à empresa da cidade, mas foi doado à prefeitura que, por sua vez, irá ceder ao Sindicato dos Servidores Públicos. No último dia 22, reunião foi realizada com os pais dos escoteiros para discutir soluções para o impasse.

O presidente do Grupo Escoteiro Tide Setubal (GETS), Fábio José Paludeto, conta que a entidade nasceu em 2014, tendo como mantenedora a Duratex, por meio do Centro de Formação “Tide Setúbal”, que funcionava na rua Paulino Luciano, no Jardim Cruzeiro. “O grupo recebeu o mesmo nome e vem, desde então, desenvolvendo atividades socioeducativas para jovens e crianças de 6 a 18 anos”, diz.

A partir do segundo semestre deste ano, segundo o presidente, a Duratex encerrou as atividades do Centro de Formação no Jardim Cruzeiro - onde também eram desenvolvidas as atividades do grupo - transferindo-as para a sua unidade fabril, e doou o espaço à prefeitura, que anunciou a intenção de ceder a área para o Sindicato dos Servidores Públicos de Agudos ainda neste mandato.

Com isso, além de perder sua sede, o GETS deixou de receber parte dos repasses aos bolsistas ligados ao Centro de Formação. Desde então, Paludeto diz que o grupo passou a promover campanhas de arrecadação em portas de supermercados e pedir doações para custear as despesas de participação das crianças e jovens em encontros e acampamentos, que fazem parte do escotismo.

“Formado em sua essência por voluntários, o Grupo não tem fonte de renda garantida e vive da contribuição dos pais contribuintes, doações de empresas e de parcerias, como a que tinha até o primeiro semestre deste ano com o Centro de Formação ‘Tide Setúbal’”, explica. Ele alega que, se a transferência ao sindicato se concretizar, “haverá incompatibilidade de interesses”.

De acordo com o presidente, a atividade escoteira exige espaços onde possa haver convívio com a natureza. “O movimento escoteiro não desconsidera que o Sindicato dos Servidores Públicos de Agudos tenha direito a uma sede. Mas existem outros espaços na cidade que há muito tempo já poderiam ter sido destinados a esse nobre fim”, argumenta. “Sem nossa sede, todos os projetos e mesmo a programação para 2017 estão comprometidos e já pensamos em encerrar nossas atividades”.

Centro de Formação

O presidente do GETS diz que, se a entidade fechar, Agudos perderá a chance de abrigar um centro de formação de escoteiros. “Esse seria um dos projetos dos escoteiros de Agudos diante do excelente espaço e das condições da atual sede, inclusive com uma floresta urbana totalmente protegida, para suas atividades ambientais”, conta.

“Agudos sediaria muitos cursos, encontros e acampamentos escoteiros, que hoje são realizados por todo o Estado, e assim se transformaria em referência na formação de escotistas”.

‘Papel essencial’

A Prefeitura de Agudos explica que optou por doar a área ao sindicato porque ele precisa de espaço maior e com estrutura para atender os quase 2 mil funcionários públicos da cidade. “Entendemos que o sindicato cumpre papel essencial para com a categoria e é merecedor de uma doação como esta”, afirma.

O município diz acreditar que a entidade “não irá negar o espaço aos escoteiros da cidade quando necessário”. “O projeto está em fase de elaboração e deve ser enviado ao Legislativo na próxima semana”, anuncia.

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