Articulistas

A figura de Fidel

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Poucos foram tão controversos e poderosos como o advogado que virou líder revolucionário em Cuba. De 1959 a 2008, Fidel Castro deu as cartas na ilha até ser escanteado por problemas de saúde, cedendo o posto ao irmão, Raúl – que sai em 2018. Fidel, cuja morte aos 90 anos tomou conta do noticiário, foi considerado – ao mesmo tempo e por várias décadas – herói socialista e algoz da democracia. Uma espécie de “tirano humanitário” que, com mão forte, embalou os sonhos socialistas mais profundos.


Se saúde, educação, artes e esportes deram o maior cartaz para a terra do comandante, o mesmo não se pode dizer da economia – asfixiada desde o estrese total com os Estados Unidos, no começo dos anos 60, quando empresas cubanas foram nacionalizadas por Fidel e o embargo norte-americano passou a vigorar.


Dono do mais demorado discurso da história das Nações Unidas, afetuoso com companheiros e implacável com desafetos, o ex-presidente pode agora ser estudado, mais do que simplesmente amado ou odiado. Os avanços sociais de Cuba e suas mordaças e atrasos escrevem um rico capítulo da história. E a história está só recomeçando.


Como Trump vai se portar diante da “nova” Cuba? Como Cuba vai se portar diante do “novo” EUA? A idolatria a Fidel aumentará com o mito no lugar do homem? Como será visto pelas novas gerações de bravos socialistas e ferrenhos capitalistas?


O eterno craque Sócrates, também ele uma figura e tanto, quebrou a sequência de deixar sua esposa escolher nomes dos filhos ao impor que um deles precisaria se chamar Fidel. E assim foi. É só uma mostra de como Fidel era influente até mesmo dentro de lares distantes.


Líder da revolução, ícone da esquerda, protagonista de um século, ditador teimoso, amigo da Rússia, ídolo de intelectuais. Hábil transformador, sobrevivente da guerra fria, terror dos exilados. Inflexível, carismático...  


O jornal francês “Le Monde” resumiu: Fidel foi uma história de esperança e desesperança. E questionou: como a história vai julgá-lo? Com a palavra, o futuro sem Fidel.

O autor é editor executivo do JC

Comentários

Comentários