O trânsito de Bauru está se tornando uma roleta russa, batendo o recorde de mortes em 2016, sem que as autoridades municipais se sensibilizem.
A pressa está virando uma desculpa para o modelo social complexo onde várias expectativas estão em jogo. Uma dessas ocasiões é o tempo gasto no trânsito, que enquanto engafinha com o aumento de veículos tentando chegar onde só o pedestre pode entrar, aumenta o número de acidentes e passa quebrar recordes de mortes, em uma estatística que só deixa a pergunta: quem pode ajudar?
Certamente não é a seção de Educação de Trânsito da Emdurb, pois quando enviada uma sugestão de monitoramento ao CMM, Conselho Municipal de Mobilidade de Bauru, para adoção de medidas preventivas tais como a lei do farol aceso de dia para aumentar a visibilidade, uma representante daquele setor da Emdurb argumentou que a culpa do acidente era do motociclista. Não há nada a se fazer? Justamente a Educação no Trânsito, que deveria refletir quais medidas deixaram de ser tomadas para prevenir aquela morte, pois ninguém em sã consciência tenta se matar em uma moto, com o risco de errar e ficar aleijado toda a vida.
Os dados publicados em matéria do Jornal da Cidade em 23/11/2016 “Outros 2 motociclistas morreram e trânsito já é mais fatal neste ano” mostram que as medidas do setor de Educação no Trânsito tem sido ineficaz, ainda mais com a atitude “assuntosa” de um membro do setor, que alegou dizendo: “O problema é que eu estou na prática e não só na teoria”, indicando que o posicionamento é de se colocar fora do problema, quando recebeu a sugestão de adotar a lei do farol aceso na cidade, cujo principal argumento era a redução de 15% de acidentes nas rodovias depois de tal procedimento preventivo. Ora, se o setor de educação do trânsito da Emdurb fala que a “culpa é do motorista”, fica a pergunta: de quem é a responsabilidade para melhorar esta situação? Além disso, pergunta-se para que serve um setor de Educação no Trânsito, que admite publicamente que nada pode fazer para melhorar essas estatísticas e coloca a culpa no motorista.
A Psicologia Comportamental certamente não é conhecida por esse pessoal e, segundo “a teoria”, o prazer obtido com a sensação de liberdade e mais o vento e a velocidade acelerando a adrenalina são os verdadeiros reforçadores para esse comportamento de risco, que pode ser contido por restrições eficientes.
O tratamento de adicção com essas técnicas sempre mostraram resultados surpreendentes, mas ainda assim, poucos conhecem a matéria, já que drogas e alcoolismo também são assuntos sensíveis e tratados em segredos. O farol aceso durante o dia serve para sinalizar o senso de velocidade e de distância, inclusive para situações de cruzamentos, onde a maioria dos acidentes fatais reportados pelo JC ocorreu.
Além disso, a receita das multas pelo não uso do farol no âmbito urbano serviria para a contratação de filmadoras que fiscalizem o trânsito com mais eficiência, para evitar, por exemplo, que a ultrapassagem pela direita ficasse impune. As multas aplicadas eficazmente ainda são um mecanismo punitivo eficiente no trânsito, é só observar o número de carros com faróis acesos na Rondon atualmente.