Tribuna do Leitor

'Não à ideologia, sim à gestão pública'

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

O resultado das eleições municipais no Brasil  têm levado muitos analistas a declarar uma guinada do eleitor ruma à direita e uma derrocada dos partidos de esquerda. Engana-se, contundo, quem pensa que a população se comove com algum lado ideológico. Um pêndulo interminável, direita, esquerda, cujo vaivém nos impede de mirar o que realmente importa: melhorar a vida das pessoas.

   

Bons projetos não têm ideologia, tampouco se apegam a correntes teóricas. Bons projetos geram impacto efetivo. Os governos que querem realmente fazer a diferença devem começar perguntando: quais as reais necessidades da população-alvo? Como reduzir suas vulnerabilidades garantindo ao mesmo tempo eficiência no uso dos recursos aplicados? As sua propostas são respaldadas por análises que efetivamente comprovam melhorias?


Convido o leitor, se puder, indagar o político que ajudou a eleger e checar se ele tem respostas objetivas a essas perguntas. São três os exemplos de projetos com impacto comprovado. O Poupatempo, iniciado no Estado de São Paulo em 1997, centralizou em um único local a emissão de documentos e reduziu o tradicional papel dos despachantes. Um estudo de impacto do Insper, verificou-se que ao longo de 5 anos a população poupou um valor estimado de R$ 53 milhões de reais.


No município de Osasco, um programa da prefeitura iniciado em 2005 estabeleceu títulos de propriedade de terrenos para moradores de favelas. Segundo o mesmo estudo a iniciativa permitiu a eles mais tempo ao trabalho remunerado fora de casa, sentindo-se mais realizados. Na cidade de Sobral, no Ceará, foi implantado em 2000 um dos mais impressionantes projetos de gestão educacional, com metas de desempenho, treinamento dos professores e redesenho dos processos pedagógicos. Sobral antes era lanterna no ranking nacional da educação, passou para o topo.


Além de não terem ideologia, bons projetos também não têm partidos, como também não tem preconceito contra gestão pública, privada ou qualquer outra coisa no meio. O Poupatempo foi implantado e gerido pelo PSDB; o projeto de Osasco, pelo PT; e o de Sobral tem sido gerido por uma sequência de partidos: PSDB, PPS, PSB, e PT. É só querer fazer, com muita clareza nos objetivos, foco em reais necessidades e alinhamento de toda máquina gestora para resultados.


Uma inovação ainda mais recente são os chamados contratos de impacto social, que canalizam recursos de investidores para apoiar projetos voltados a populações vulneráveis. Os investidores só recebem retorno de seu capital investido se as metas sociais forem atingidas, validadas por estudos independentes.


Seguindo esta tendência, caberá a nós, eleitores, fazer o mesmo: repelir discursos calculados em ideologia e premiar  propostas que, com fatos e números, tenham grande chance de gerar real impacto na vida dos cidadãos.

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