Quero apresentar algumas considerações a respeito do artigo publicado na edição do Jornal da Cidade de quinta-feira, dia 24 de novembro, na página 19. A definição de "evangélico" como "pessoa que mantém lealdade à convicção da autoridade final da Bíblia como Palavra de Deus revelada à humanidade" é bela, mas incompleta, porque coloca de lado o ensinamento e a autoridade do Magistério da Igreja, e o valor da tradição oral e escrita, que, sempre de acordo com a Sagrada Escritura, ocupa um grande espaço na estrutura da Igreja. No artigo citado, aparece muito claro que o "evangélico" não somente não valoriza, mas desconhece a atuação do Magistério da Igreja, que, pelo contrário, foi instituído diretamente por Jesus ( Mt 16, 18-20) e não avalia o enfoque da tradição oral e escrita que sempre caracterizou a vida primordial da Igreja. O resultado desta falta de consideração e apreciação é o seguinte: aumenta o número dos "evangélicos" mas não há comunhão entre eles: cada Igreja evangélica caminha por si, apresentando a Palavra de Deus no seu modo de entender. Esse é um erro gravíssimo que será sempre condenado. Prezado leitor, não cabe aos pastores manipular a Palavra de Deus, e, pior ainda, forçar a Bíblia a dizer coisas que na verdade não afirma.
Todos os evangélicos devem ler com atenção o trecho citado do evangelista Mateus, cap. 16, versículos 18 a 20: é o Magistério da Igreja que conserva o "depositum fidei", o patrimônio da fé, e cabe somente a Ele dar continuidade ao mesmo serviço de Jesus, no ensinamento da palavra divina, da catequese, da doutrina, da reta interpretação da Sagrada Escritura. O artigo citado afirma que mais de um bilhão de pessoas no mundo se dizem cristãos: pergunto: por que não há comunhão profunda entre eles? Como se explica o nascimento de numerosas Igrejas Evangélicas que não tem diálogo entre si? Que tipo de doutrina é pregada nestes ambientes? Há alguém que "supervisiona" os ensinamentos religiosos ministrados nestas Igrejas, com a preocupação de permanecer ligados ao "kerigma" que Jesus anunciou? Em particular: se um cristão é por natureza "evangélico", como afirma o artigo citado, como pode seguir as normas de Deus contidas em sua mensagem canônica se estas não forem identificadas e valorizadas pelo magistério da Igreja?
Os evangélicos, prezados leitores, não usam a mesma linguagem quando se trata de interpretar corretamente a Palavra de Deus, e isso acaba gerando uma tremenda confusão no entendimento e discernimento. Lamento afirmar que o autor do artigo citado não considere a urgência e a necessidade da fidelidade ao Magistério instituído por Jesus. Nunca houve um "caminho paralelo" entre Jesus e a Igreja por Ele fundada. No decorrer de 2000 anos de história, o nascimento de falsas doutrinas, como também da Reforma Protestante, que não permaneceu unida, mas ramificou-se em inúmeras denominações (pergunto: por quê?) comprovam a veracidade da expressão de Jesus citada em Mc 3,24: "Todo reino dividido em si mesmo, nunca mais encontrará sua unidade".
É meu dever afirmar a gravidade da expressão citada no artigo, no parágrafo final quando diz que "não há relativismo na fé evangélica". Pergunto mais uma vez: então, por que os evangélicos ficam defendendo suas respectivas Igrejas e não se abrem ao diálogo, para usar uma mesma linguagem doutrinal? Prezados leitores, unamo-nos aos Apóstolos na hora de obedecer à ordem de Jesus (Mt 28,20): "Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho, batizai em nome da Trindade: Eu estarei convosco até o fim do mundo. E Jesus está conosco com as Sagradas Escrituras, com o Magistério da Igreja por Ele fundada e com as são tradições orais e escritas.