| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Fernando Pinho explica que manter reserva para o próximo ano pode ser uma boa opção |
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| Fernando Benjamin aponta quando a pessoa pode usar o dinheiro para realizar um sonho |
Neste ano, houve até boato em aplicativos de troca de mensagens e redes sociais de que o fim do 13.º salário havia sido aprovado pelo Senado. Mas a informação não passou de mentira e a primeira parcela da gratificação deverá ser liberada até esta quarta-feira (30) aos trabalhadores.
Já a segunda parcela deve ser paga até o dia 20 de dezembro e, com algum planejamento, o consumidor pode usar os recursos para colocar ordem nas finanças, fazer uma reserva diante de um cenário econômico ainda incerto ou, ainda, realizar sonhos depois de um ano intenso de trabalho. É o que afirmam especialistas ouvidos pela reportagem, nessa terça-feira (29).
Para quem tem pendências financeiras, a palavra de ordem é se livrar delas. “A recomendação é priorizar o pagamento dos débitos que tenham juros mais altos, como cheque especial e cartão de crédito. Com dinheiro em mãos, a pessoa tem condições de negociar junto às empresas, que têm interesse em receber e podem oferecer bons descontos”, ensina o economista Fernando Pinho.
Para quem não está endividado, uma boa escolha é guardar o 13.º para o pagamento das despesas de início de ano, como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), matrícula e material escolares, entre outros. Pagando com antecedência, é possível obter descontos sobre este tipo de compromisso. A regra vale, inclusive, para quem pode antecipar o pagamento de prestações de longo prazo, como a do financiamento da casa ou do carro.
“Em qualquer situação, é sempre uma vantagem pagar à vista ou com antecedência. Até porque os juros de longo prazo são sempre muito altos. Além disso, a previsão é que 2017 continue sendo um ano de muita cautela. Não dá para saber, concretamente, se as despesas públicas e os juros vão diminuir e se a economia vai melhorar, com recuperação dos empregos e da renda. Então, garantir essa reserva pode ser interessante para não se descontrolar ao longo do ano”, observa.
‘PRÊMIO’
Pinho recomenda bom senso para adequar as despesas de fim de ano, com festas e presentes, ao orçamento disponível. Para o gestor financeiro Fernando Benjamin, quem conseguiu atravessar o ano administrando bem as finanças, longe das dívidas, deve investir na realização de sonhos sem culpa.
“O 13.º é um benefício para quem trabalhou duro durante o ano. Então, se o dinheiro não vai faltar, não há mal em fazer algo para si mesmo ou investir em uma aplicação financeira para uma realização de longo prazo, seja abrir um negócio próprio ou comprar um bem de maior valor”, analisa ele, que é diretor executivo do Grupo Benjamin - que trabalha com reestruturação de empresas e planejamento financeiro pessoal. Segundo Benjamin, o ideal seria que todo trabalhador conseguisse poupar ao menos 10% de seu salário para este tipo de projeto.
Está na lei
O 13.º salário foi instituído no Brasil em 1962, garantindo que o trabalhador com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS recebessem um salário extra ao final de cada ano. A partir da lei 4.749, de 12 de agosto de 1965, ficou estabelecido o pagamento da gratificação em duas parcelas: a primeira entre 1 de fevereiro e 30 de novembro e a segunda até o dia 20 de dezembro.
Segundo o gestor financeiro Fernando Benjamin, algumas convenções coletivas permitem o pagamento até o dia 5 de dezembro. Neste caso, precisa ser o valor integral, em parcela única.
Quando as regras não são cumpridas, o empregador fica sujeito à multa de 160 UFIRs (R$ 170,25) por funcionário.
“Mas, como a situação das empresas, de um modo geral, está muito difícil, a gente sabe que muitas delas não vão conseguir pagar o valor antecipado, que acaba sendo muito alto, dependendo do número de funcionários. O ideal seria que elas tivessem o hábito de guardar um valor todos os meses, em uma conta separada, para garantir esse 13.º no final do ano”, pontua.

