Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 3 min

TRISTEZA IMENSA, FIM DO SONHO

A Chapecoense conquistou o acesso à elite em 2013 (ler memória) e vivia um conto de fadas. Texto publicado nesta coluna na semana passada: “Ao empatar com o San Lorenzo na lotada Arena Condá, a Chapecoense garantiu inédita vaga na final da Copa Sul-Americana. O time do oeste catarinense tem pouco mais de 40 anos, em 2009 estava na Série D, e vem conquistando cada vez mais o coração de todos os torcedores. Mesmo recebendo a menor cota da TV (R$ 25 milhões), a Chape é um dos poucos clubes do Campeonato Brasileiro que paga em dia e não deve nada na praça. Já adiantou até o 13º salário. Chapecó tem 165 mil habitantes”. Ontem cedo, todo o Brasil foi abalado com a notícia da maior tragédia da história do esporte. Cheguei a chorar. O Verdão de Santa Catarina era o segundo time de milhares de torcedores brasileiros e viajava para Medellin, onde hoje enfrentaria o Atlético Nacional, no primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana. Uma terça-feira de muita dor, e só nos resta pedir a Deus que dê muita força aos familiares das vítimas. E força, Chape, a vida continua.


TRAGÉDIAS

Em 1949, morreram 18 jogadores do Torino, oito eram da seleção italiana. Em 1958, oito do Manchester United, base da seleção inglesa. Em 1969, no vôo Santa Cruz de La Sierra-La Paz, morreram 16 atletas do The Strongest. Em 1987, o avião do Allianza Lima caiu num lago gelado do Pacífico, 16 mortos. Em 1993, seleção de Zâmbia, 18 mortos. Ontem de madrugada, a 30km de Medellín, 19 atletas entre os 75 mortos. Três jogadores sobreviveram – Alan Ruschel, Jakson Follmann e Neto.


QUASE

Em 1996, o Corinthians escapou de desastre aéreo por um triz, após vencer o Espoli pela Libertadores. O Boeing da Fly não conseguiu decolar do aeroporto de Quito, chocando-se contra o muro. O trem de pouso e a asa direita pegaram fogo. Os 90 passageiros saíram às pressas, alguns com queimaduras, como o meia Tupãzinho, goleiro Nei e zagueiro Alexandre Lopes.


IMPRENSA

Na queda do avião estavam 21 profissionais de imprensa, seis do Canal Fox Sports, entre eles Mário Sérgio,Vitorino Chermont e Paulo Júlio Clement. Só um sobreviveu, Rafael Henzel, narrador da Rádio Oeste Capital, de Chapecó. Conheci pessoalmente Mário Sérgio, campeão gaúcho, brasileiro e mundial no Inter e Grêmio. Defendeu a Seleção e também foi treinador.


REPERCUSSÃO

Simples desastre aéreo já é ‘ibope’ na imprensa mundial. Envolvendo futebol é mais ainda. A tragédia foi capa até de jornais dos EUA e principais assuntos nas redes CNN e ABC


SOLIDARIEDADE

A CBF se deslocou até Chapecó e Medellín para colaborar no que for preciso, e adiou para os dias 7 e 11 a final da Copa do Brasil e última rodada do Brasileirão. O Palmeiras pode o usar uniforme da Chape no jogo contra o Vitória na Bahia.


JOGAI POR NÓS

Atlético Nacional quer que a Chapecoense seja declarada campeã da Sul-Americana e faz um ato esta noite no Estádio Atanasio Girardot - torcedores de branco e com velas.


MEMÓRIA

Série B de 2013: Chapecoense 1 x 0 Palmeiras, na Arena Condá, gol de Bruno Rangel. Árbitro: Wagner Magalhães. Público: 10 mil. Chapecoense: Nivaldo; Alemão (Glaydson), Rafael Lima, Dão e Fabinho Gaúcho; Wanderson, Paulinho, Diego Felipe e Athos (Danilinho); Potita (Neném) e Bruno Rangel. Técnico: Gilmar Dal Pozzo. Palmeiras: Fernando Prass; Wendell, Thiago Martins, Thiago Alves e Juninho; Márcio Araújo, Eguren (Ananias), Charles (Ronny) e Felipe Menezes; Serginho e Alan Kardec. Técnico: Gílson Kleina.


TODOS CHAPE

Palmeirense Camilo gosta tanto da Chapecoense que não ficou com raiva do time por aquela goleada de 5 a 1 em 2015.

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