Esportes

Rebelde e genial, Mário Sérgio está entre as vítimas

Thiago Navarro e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Reprodução internet
Na primeira foto, Mário Sérgio com visual “bad boy” dos tempos de atleta; abaixo, em imagem recente como comentarista

O ex-jogador, ex-técnico e comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva, que trabalhava no canal Fox Sports, está entre as vítimas da queda do avião que levava a equipe da Chapecoense além de jornalistas e dirigentes para a cidade de Medellín para a final da Copa Sul-Americana. 

Antes de se tornar comentarista de tevê, carreira que iniciou em 2012, Mario Sérgio foi um dos atletas mais talentosos de sua geração, reconhecido pela habilidade e criatividade. É citado no livro “Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos”, dos jornalistas Paulo Vinicius Coelho e André Kfouri.

Cabeludo e com ar rebelde, Mário atuava com as meias arriadas. Sempre vestindo a camisa 11, ele desempenhava a função de falso ponteiro-esquerdo, meia e até armador. Ao longo de 18 anos como jogador, Mário Sérgio colheu elogios na mesma proporção que recebeu críticas.

É considerado um dos melhores jogadores da história do Vitória, no qual iniciou sua carreira na década de 1970. Foi contratado pelo Fluminense em 1975 para fazer parte da primeira versão da “Máquina Tricolor”, com Rivelino, Paulo César, Gil, Manfrini e Edinho.

Mesmo com o título carioca de 1975, um desentendimento entre o presidente do Fluminense, Francisco Horta, e o jogador acabou com sua passagem pelas Laranjeiras e foi para o Internacional, onde fez parte do time que conquistou o Brasileirão de 1979 de forma invicta.

Sua passagem pelo futebol paulista foi marcante, dentro e fora de campo. No São Paulo, clube pelo qual atuou em 1979, tornou-se conhecido por uma de suas jogadas características. Costumava dar um passe em que olhava para um lado e tocava para o outro confundindo a marcação adversária. Por isso, foi chamado de “Vesgo”. Ganhou o apelido de ‘rei do gatilho’ após disparar tiros para o alto para assustar torcedores do São José, no Vale do Paraíba, que se manifestavam na saída da delegação são-paulina do Estádio Martins Pereira.

Em 1983, foi contratado pelo Grêmio, a pedido do técnico Valdir Espinosa, apenas para a disputa do Mundial Interclubes, conquistando o título da competição na qual o time derrotou o Hamburgo por 2 a 1, de virada, com dois gols do então garoto Renato Gaúcho. Entre os clubes que passou, Mário colecionou a fama de indisciplinado, o que fatalmente o afastava da seleção brasileira, apesar do enorme talento. Agora, morre de forma trágica aos 66 anos.

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