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Os lobos não perdem o pelo

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

O recente episódio envolvendo o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, e o indefectível Geddel Vieira, ex-ministro não sei do que, é uma triste repetição por parte de alguns políticos, talvez a maioria deles, da falta de respeito para com a sociedade brasileira. Se desentenderam por um assunto de ordem pessoal do senhor Geddel, cuja notória figura nos remete ao episódio dos anões do orçamento, de onde conseguiu se safar, sabe-se lá como.


Junte-se a isso, as tentativas de anistiar o tal de caixa dois e, com isso, dar um tremendo golpe na Operação Lava Jato e em outras investigações que o Judiciário vem fazendo e que envolve, segundo se comenta, mais de 240 membros do nosso excelso Congresso Nacional. O que esses senhores estão preparando pode nos levar a mais um período de trevas, pois, como reza antigo provérbio, “o vaso tantas vezes vai a fonte que um dia quebra”.


Em várias oportunidades, tenho afirmado que os senhores congressistas não tomaram suas cadeiras de assalto. Foram eleitos por cidadãos que não refletem e não pensam antes de depositar seu voto nas urnas. E tão logo eleitos, aí sim, boa parte deles passa a nos assaltar diuturnamente, e nós, tontos, continuamos a elegê-los, como é o caso de Renan Calheiros, Paulo Maluf, Romero Jucá e tantos outros que, para listá-los todos, necessitaria de um jornal inteiro.


Esses gatunos não são encontrados apenas no Congresso Nacional. Estão impregnados nas câmara municipais, nas assembleias legislativas, nas prefeituras e governos estaduais. Constituem-se uma praga maior que a saúva, cantada em prosa e verso, em tempos imemoriais. É raro o dia em que os noticiários jornalísticos não nos dá ciência de mais uma patifaria alicerçada em atitudes de alguns políticos, sejam eles instalados em Brasília ou nos Cafundós do Judas.


O senhor Geddel Vieira queria apenas assegurar sua participação em um condomínio de alto luxo, com vista para a Baía de Todos os Santos. E, para isso, o ministro da Cultura teria que rasgar os compêndios do Iphan, órgão que cuida da preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural do País. Apenas isso. Só isso para satisfazer as vaidades do coronel Geddel. Marcelo Calero não arregalou e com isso o coronel Geddel entrou em choque e levou o presidente da República a cometer uma tentativa de suicídio político.


Este País de meus Deus tem coisas que a razão desconhece e deixa atônitos a todos nós. Para dar um fim nesse cenário de horror em que estão transformados o Congresso Nacional e o governo desta Nação, só uma eleição geral para todos os níveis e cargos. E não pode ser para ontem. Estamos correndo o risco de acordar em um novo período de trevas. Quem viver verá. E vamos tratar de aprender a votar para extirpar esses cancros da vida nacional.

O autor é jornalista

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