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Jovens trocam camisinha por coquetel de remédios contra o vírus HIV

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Eliane Monteiro: “Por um lado, o avanço da medicina é positivo, porque cria outras opções para evitar a doença. Por outro, faz com que a população venha relaxando quanto à prevenção”

Alerta: muitos jovens estão deixando o preservativo de lado e optando pela Profilaxia Pós-Exposição Sexual (PEP), ou seja, uma estratégia de prevenção que consiste no uso de antirretrovirais, após uma possível exposição sexual ao vírus HIV. Em pleno Dia Mundial de Luta contra Aids, celebrado nesta quinta-feira (1), o município adverte que o coquetel não evita outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e , por isso, os órgãos de saúde estão preocupados com essa tendência.

É o que revela a coordenadora do Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, Eliane Monteiro. “Por um lado, o avanço da medicina é extremamente positivo, porque cria outras opções para evitar a doença. Por outro, faz com que a população venha relaxando quanto à prevenção”, argumenta.

Desde que o PEP chegou a Bauru, em meados de 2015, jovens que têm relações sexuais sem proteção passaram a procurar pela medicação. Eles chegam ao serviço de saúde e afirmam que fizeram sexo, sem a camisinha, com pessoas com HIV. “É mais comum do que você imagina. Tem gente que busca pelo coquetel mensalmente, ou seja, prefere tomar os comprimidos ao invés de usar o preservativo”, constata Eliane.

Apesar de o coquetel reduzir o risco de contrair o vírus HIV, o usuário continua exposto a uma série de DSTs, como sífilis e hepatite B. Por isso, o uso da camisinha continua sendo fundamental.

GUIA

No último dia 25, o Centro de Referência e Treinamento de DSTs e Aids, órgão vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, lançou um guia de prevenção combinada. Essa, inclusive, é a estratégia mais recente para combater a doença.

Além do uso do preservativo, o manual aponta outras estratégias de prevenção, que estão disponíveis nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs), nos Centros de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMIs) e em qualquer unidade de urgência e emergência da rede municipal de saúde.

Entre elas, está o PEP, que consiste no uso de antirretrovirais até 72 horas após uma possível exposição sexual ao HIV. “O coquetel também é utilizado quando um profissional da saúde entra em contato com o vírus ou em situações de violência sexual”, acrescenta Eliane.

Conforme consta no guia, os comprimidos são prescritos para 28 dias, após a avaliação do risco da exposição. Uma vez indicada a PEP, realiza-se, preferencialmente, o teste antiHIV, hemograma, bioquímica e, se possível, os exames para sífilis, bem como hepatites B e C. Como efeitos adversos, podem ocorrer náuseas, dores de cabeça e icterícia.

EM NÚMEROS

Dados divulgados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), órgão vinculado ao governo federal, dão conta de que, de janeiro a junho de 2015, 37 pessoas residentes em Bauru foram diagnosticadas com Aids.

Embora os números ainda não estejam fechados, a coordenadora do Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, Eliane Monteiro, enxerga uma estabilidade nos casos, se comparados com os anos anteriores (veja quadro no final).

Segundo Eliane, o diagnóstico precoce diminui a replicação do vírus HIV e faz com que o organismo não desenvolva a Aids, mantendo as estatísticas praticamente inalteráveis. “Mesmo assim, ainda há casos da doença, principalmente, entre jovens de 15 a 34 anos e homens que têm relações com outros homens. Por isso, o trabalho de conscientização continua”, finaliza.

Bauru tem ações de combate à Aids

Hoje, Dia Mundial de Luta Contra Aids, dando continuidade à 9.ª edição da Campanha Estadual de Testagem de HIV e Sífilis - Fique Sabendo, a Secretaria Municipal de Saúde promove atividade de prevenção no CTA, situado na rua Quinze de Novembro, 3-36, das 7h às 15h.

Em conjunto com o Conselho Municipal de Direitos Humanos e Cerest, será realizada uma atividade envolvendo os funcionários, visando também a divulgação da Jornada Municipal de Direitos Humanos.

Ainda hoje, às 10h, o CRMI, localizado na quadra 1 da rua Silvério São João, realizará uma atualização para seus funcionários. A campanha, em Bauru, é coordenada pelo Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, com apoio do CTA e CRMI.

Sífilis em alta

Dados divulgados pelo Sinan dão conta de que os casos de sífilis, em Bauru, vem aumentando. Para se ter uma ideia, em 2012, 115 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Em 2013, 2014 e 2015, foram registradas 279, 413 e 517 ocorrências, respectivamente. Neste ano, até outubro, já havia 396 casos de sífilis. Segundo a coordenadora do Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, Eliane Monteiro, os números provam que a população vem deixando de usar preservativo. “Isso é grave, porque qualquer DST torna-se uma porta de entrada para o vírus HIV”, complementa.

 

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