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Mais incentivo!

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
O presidente do Bauru Basket, Beto Fornazari, revela que o time vive déficit em seu orçamento

A Associação Bauru Basketball Team teve projeto de captação de recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte aprovado junto ao governo federal (Ministério do Esporte), em novembro. A informação foi confirmada ao JC pelo presidente da equipe, Beto Fornazari, e pelo gestor Vitor Jacob. Nos últimos dias, o Bauru Basket já iniciou o trabalho de contato com empresas e pessoas físicas interessadas em aderir.

O projeto permite a captação de até R$ 2,1 milhões, com prazo limite de setembro de 2017 - é possível pedir a prorrogação por mais um ano. Porém, para usufruir do benefício, é necessário que o Bauru tenha arrecadado pelo menos 20% deste montante, ou seja, pouco mais de R$ 400 mil. Outro detalhe é que a retirada por parte do clube deve ser feita de uma única vez, ou seja, a partir do momento em que atingir os 20%, o Dragão tem a prerrogativa de utilizar o dinheiro, porém o projeto é dado por encerrado, por isso as entidades que são beneficiadas procuram captar o máximo possível para efetuar a retirada do valor.

Empresas com lucro real podem destinar 1% do Imposto de Renda, e pessoas físicas 3%. "As empresas interessadas já podem nos procurar, e nós estamos em contato com vários empresários também. Empresas que trabalham com lucro real podem fazer a destinação de 1% do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e como isso é feito trimestralmente, não precisa esperar fechar um ano. É algo simples, o valor é depositado em uma conta do Ministério do Esporte em nome do Bauru Basket, e a empresa ou a pessoa recebe um comprovante. Confiamos muito nas empresas, para que possam aderir com a gente", explica Fornazari.

O valor arrecadado na Lei de Incentivo ao Esporte não pode ser usado para pagar salários, mas pode ser destinado a outras despesas do clube. A diretoria bauruense já preparou um material que está sendo enviado às empresas, mostrando o crescimento da equipe nas últimas temporadas e o valor agregado da marca em mídia espontânea. O material cita, que em 2015/16, por exemplo, Bauru teve 50 horas de exposição na TV, e o retorno de mídia espontânea equivale a R$ 27 milhões.

DÉFICIT

Desde a saída da Paschoalotto Serviços Financeiros da condição de patrocinadora máster, em junho, a situação financeira do Bauru Basket não se estabilizou. A empresa continuou no projeto, mas com uma cota menor. "Quando a Paschoalotto saiu do máster, já sabíamos que estávamos perdendo 60% da nossa receita, mas outros patrocínios que vieram com eles também saíram, então na verdade esse percentual foi maior. Com a chegada da Gocil, conseguimos repor parte disso, mas é um patrocínio co-master, temos espaço e necessidade de mais um patrocínio nesta condição, dividindo o nome do time", explica Fornazari.

Entre cotas menores e intermediárias, Bauru conseguiu renovar com alguns parceiros de outras temporadas. No entanto, a diretoria segue negociando mais patrocínios. "A busca por parceiros segue."

Bilheteria e sócio-torcedor

Nas últimas temporadas, parte da torcida questiona o valor dos ingressos. Para o presidente Beto Fornazari, neste momento não é possível rever os preços. "Já fizemos uma análise, e não tem como diminuir, até em função do custo operacional dos jogos. Quanto ao sócio-torcedor, estamos tentando fortalecer, aumentar a rede de empresas conveniadas, até para que o público que aderir tenha mais benefícios", pontua.

Bauru gasta cerca de R$ 7,5 mil cada vez em que atua no ginásio Panela de Pressão. Cerca de R$ 5 mil vai apenas para pagar as taxas de arbitragem, e o restante para cobrir custos operacionais diversos. "Tem muita gente que trabalha de forma voluntária nos jogos, e isso ajuda muito. Mesmo assim alguns gastos são inevitáveis, como a contratação de seguranças terceirizados, por exemplo", aponta.

Base em risco

O Gocil/Bauru possui atualmente as categorias sub-15, sub-16, sub-17 e sub-19, além do time principal. Neste ano, o clube já deixou de disputar a Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), que é sub-22, pois não tem mais equipe nesta faixa etária. Para 2017, existe a possibilidade de corte de outras categorias, se não houver injeção de recursos. O custo mensal da base é de aproximadamente R$ 50 mil mensais, e segundo a reportagem apurou, equivale a mais da metade do déficit financeiro atual do Bauru, por mês.

"Neste momento, não temos condição de garantir a continuidade da base. Estamos buscando recursos para que o trabalho não seja interrompido no próximo ano. Acabar com as equipes menores pode até dar um alívio financeiro, a curto prazo, mas é ruim a médio e longo prazo, pois é dali que saem os jogadores. Nosso time profissional hoje tem vários atletas da base, como o Gabriel Jaú, Léo Eltink, Maicon, Henrique, Gui Santos, Gui Bento, que estão atuando nesta temporada. Nossa intenção é dar sequência às categorias de base, mas para isso estamos buscando dinheiro", afirma o gestor Vitor Jacob.

O presidente Beto Fornazari diz que a situação das categorias sub-15 e sub-16 é mais tranquila, pois praticamente todos os garotos são de Bauru, e portanto não há custo de alojamento. Já o sub-19 tem mais atletas que não são bauruenses, e portanto precisam de ajuda do time para se manter na cidade. "No sub-15 e sub-16 vamos tentar outras maneiras de captar receitas. Uma alternativa é ter uma associação de pais, mesmo que de forma informal, que pode nos auxiliar a buscar verba", frisa.

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