| Samantha Ciuffa |
![]() |
| Flávio Guedes é a quinta geração de fotógrafos da minha família |
Um dos fotógrafos sociais com mais tempo de estrada em Bauru é o personagem da entrevista de hoje. Bauruense 'da gema', Flávio Soares Guedes nasceu em uma família de fotógrafos, cresceu entre equipamentos, filmes e tudo o que envolve esse universo.
"Nossa casa ficava no fundo da loja do meu pai. Todas as minhas lembranças de infância remetem à fotografia", afirma.
Flávio passou por praticamente todas as fases da fotografia, desde o branco e preto, foto colorida manualmente, slides, fotografia colorida e a digitalização.
Hoje, ele se dedica totalmente à fotografia social corporativa, que envolve eventos ligados ao comércio, empresas, política. Leia mais.
Jornal da Cidade - Você nasceu em uma família de fotógrafos e, provavelmente, respira fotografia desde a infância...
Flávio Soares Guedes - Sim. Eu sou a quinta geração de fotógrafos da minha família. Começou com meu tio-avô Mário Giaxa, depois veio meu outro tio, o Aldire Guedes, e o meu pai Yvan Guedes. Eu nasci na fotografia. Nossa casa ficava no fundo da loja do meu pai. Todas as minhas lembranças de infância remetem à fotografia.
JC - Quando nasceu o Foto Guedes?
Flávio - O Foto Guedes começou na rua Batista de Carvalho em 1952, fundado por meu pai, depois de uma longa trajetória profissional. Ele abriu a primeira loja em Adamantina, na verdade, mas fechou por lá e montou em Bauru pouco tempo depois.
JC - Você chegou a se imaginar em outra profissão?
Flávio - Eu cursei engrenharia mecânica, na antiga Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp. Eu exerci a profissão por poucos anos, mas a engenharia me ajudou muito na fotografia. Eu consegui desenvolver alguns produtos com a técnica da engenharia. Desenvolvemos as primeiras baterias secas para o flash eletrônico. Na época, isso foi uma revolução, porque usávamos as baterias molhadas, com água destilada, que acabava com a roupa (risos). Eu tinha várias faculdades e centros de documentação como clientes, devido ao mercado de slides. Isso porque eu comecei a desenvolver, com um amigo, uma processadora automática de revelação de slides e passamos a revelar em Bauru, algo que só acontecia em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
JC - Você viveu praticamente todas as fases da fotografia, certo?
Flávio - Todas. Eu venho desde o branco e preto, foto colorida manualmente, slides, fotografia colorida até a digitalização. Além de uma série de mudanças de processos químicos, que envolveu tudo isso. Com a digitalização, talvez a fotografia tenha perdido um pouco o seu encanto, mas a facilidade é muito grande. A limitação hoje é muito menor.
JC - Por que a escolha da fotografia social?
Flávio - Sempre fiz fotografia social. Fiz muitos casamentos, por muito tempo este foi meu carro-chefe. Depois que fechei a última loja, há seis anos, resolvi me voltar para a fotografia social, passei a me dedicar mais a ser fotógrafo. E hoje eu me especializo em fotografia social corporativa, que envolve eventos ligados ao comércio, empresas, política...
JC - O seu trabalho em Bauru deve ter rendido boas histórias para contar.
Flávio - Sim. A mais marcante foi a explosão da avenida Nações Unidas. Meu pai trabalhava na Polícia Técnica e estava de plantão no dia. Ele fotografou o caminhão tombado na Octávio Pinheiro Brisolla e chegou em casa contando a história. Isso antes do almoço. Depois veio a notícia pelo telefone. Ele foi atender as ocorrências e eu fui junto. Não dava para perder a foto. Outro episódio marcante foi quando fotografei Eduardo Campos, um dia antes da morte dele com a queda do avião. Uma fotografia que eu fiz, me orgulho e gosto muito foi a do Ozires Silva, em seus 80 anos. Meu tio Mário o havia fotografado aos 5 anos de idade. 75 anos depois, eu fiz a foto dele na mesma posição, aos 80 anos.
JC - Você acredita que o atual mercado da fotografia tenha espaço para talentos diversos?
Flávio - Sim. A fotografia digital abriu o mercado de maneira positiva, mas também apresenta aspectos negativos. Eu acredito que ela tenha criado uma concorrência desleal, desonesta até. O coleguismo que existia no passado foi deixado de lado. Não gosto disso.
JC - Quem é o Flávio Guedes?
Flávio - Eu estou atualizando a minha maneira de fazer marketing, estou me tornando mais on-line hoje, até para mostrar mais o meu trabalho para os clientes. Procuro sempre me atualizar e clicar, clicar e clicar. Não sou homem de ficar parado. Também prezo muito o relacionamento com as pessoas, o que é fundamental nessa profissão. Graças a Deus não tenho do que reclamar. Ter portas abertas é uma honra para mim. Eu tive dois mestres na minha vida profissional, o meu pai, na área técnica, e o Paulo Medina, na área social. Ele foi um grande amigo do meu pai. Com ele eu aprendi a me comportar profissionalmente em eventos sociais
JC - Uma curiosidade sobre você.
Flávio - Eu adoro política. Já fui convidado várias vezes para me candidatar a cargos públicos, mas eu gosto mesmo é dos bastidores. Eu fui assessor político do astronauta Marcos Pontes, ajudei um pouco o prefeito eleito Clodoaldo Gazzetta e um amigo, o professor Carlos Neves.
Perfil
Flávio Soares Guedes
Tem 58 anos e nasceu em Bauru
Signo: Áries
É casado com Rosana de Araújo Leite Guedes
E é pai de Renata e Flávio Jr., além de avô de Alice e Giovani
Hobby: Viajar: "Mas gostaria de viajar mais", diz
Time: Noroeste
Livro de cabeceira: Bíblia
Quando o assunto é música, ele diz que depende do momento
No cinema e na TV, Flávio gosta de documentários e filmes nacionais
Nota 10: Para a família
Nota 0: Para a corrupção
E-mail: foto.guedes@hotmail.com
