| Samantha Ciuffa |
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| Carlos Braga destinou o direito autoral do livro para o Centro de Apoio ao Tratamento contra o Câncer, também criado por ele |
Junho de 2012, a vida para nas células contaminadas do esôfago, na região do mediastino, com comprometimento da traqueia e pulmão, do advogado, professor de Direito Financeiro na Faculdade de Direito do Largo São Francisco/USP, ex-deputado estadual e empresário Carlos Eduardo Faraco Braga. O colégio, os amigos, as memórias afetivas, os arranhões, a família, os filhos, a carreira. Tudo se esvai diante da encruzilhada: Pare, você está com câncer!
"Aos 46 anos, o médico chega para você e diz que você tem câncer e que a partir dali deve repensar sua vida. Neste momento você morre e, em frações de segundos, nasce outra pessoa. É um choque que lhe paralisa e logo ao sair do escritório você já é outra pessoa", revela Carlos Braga, autor do livro "O que aprendi com o câncer", que será lançado nesta terça-feira, às 19 horas, na Livraria Jalovi, na rua Antônio Alves, 22-75, Altos da Cidade, e na próxima quinta-feira, 8 de dezembro, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, no mesmo horário.
Aberto ao público, os eventos beneficentes (os direitos autorais da obra estão destinadas ao Centro de Apoio às Pessoas com Câncer de Bauru) pretendem promover o encontro em celebração à vida.
"Receber essa notícia significa ser anunciado o atestado de morte. O câncer, por uma série de razões, sempre foi recebido pelo ser humano culturalmente como sentença de morte. Graças aos avanços da ciência, medicina, já não é uma sentença de morte. Os novos diagnósticos, a checagem precoce, as terapias e tratamentos suplementares e, hoje, a literatura disponível esclarece com maior disponibilidade ao público leigo que, além de ser uma doença curável em boa parte dos casos, cada organismo, cada pessoa, reage de uma determinada forma à doença", posiciona.
MUDANÇA
E a pergunta, tradicional, ao médico não é mais quanto tempo de vida a pessoa tem. "A pergunta é: se você está no grupo que reage bem ao tratamento ou não. Se seu corpo não assimilar o tratamento é contar dias, meses. Mas se o corpo reagir bem ao tratamento, há a cura", recorda.
Nesse instante, não há tempo para titubear. "E algo depende da capacidade de reação da pessoa. Para quem está fora da convivência com a doença é fácil dizer lute, reaja, tenha fé, pense positivo. Mas para quem está com a doença se manifestando em seu corpo é brutal. E essa relação ainda está inserida em um contexto pessoal, às vezes a pessoa tem ou teve problema familiar, financeiro. Ou seja, ela tem a doença e as forças que tem para lutar não são tão grandes. Mas não tenho dúvida alguma que o desejo de se curar, a força, faz parte significativa do processo de cura", afirma.
O autor descreve que o corpo começa a dar sinais físicos e emocionais o tempo todo. "O tratamento de quimioterapia é muito difícil. Eu sempre acreditei que ia me curar. E essa reação emocional também cobra seu preço, porque é uma guerra com você mesmo o tempo todo, a cada instante. Eu não deixava ninguém chorar perto de mim", enfatiza.
Sem meias palavras, tomar quimioterapia é tomar um veneno para matar a célula ruim, mas que também mata a célula boa. "Então você definha, o corpo vai ficando fraco, você desmaia, tem dia que você não consegue nem sair da cama. É uma batalha diária interna, com seu mundo interior e físico. E, claro, você tem recaídas duras com seu mundo interior. E é preciso se reerguer no minuto seguinte. Se entregar seria morrer antes", cita.
No caso de Braga, a rotina e os efeitos do tratamento afetaram tanto que ele teve de deixar o hospital em pânico medicamentoso. "E o médico chegou e disse que eu tinha chegado nesse momento no fundo do poço e avisou que eu tinha de sair disso sozinho. Parecia o fim".
Definhando no leito hospitalar, perdendo um quilo por dia, sem conseguir ingerir nem água, Braga ouviu do médico que receberia alta. "Mas doutor eu vou morrer se sair daqui?", retrucou. "Você vai morrer se ficar aqui, porque está tão debilitado que vai pegar infecção, vai pra UTI e dai é contar horas, ou dias pra morrer", rebateu o médico.
Alternativa
Foi quando Carlos Braga buscou alternativas integrativas para achar uma porta para o corpo começar a reagir. "O tratamento regular foi à base de radio e quimioterapia. Eu definhei e não reagia. E era câncer não operável por sua área de ação. Eu já tinha um nutricionista, um amigo meu de São Paulo e que estudava câncer com tese na área mitocondrial. Ele me deu orientações e suplementação e me deu caminhos a pesquisar", menciona.
Carlos mudou a alimentação, com suplementos, e discutiu o uso da medicina ortomolecular, em São Paulo, com profissional que atuava com ozonioterapia. "Mas eu estava no tratamento de rádio e químio e fui debilitando e o tratamento com ozônio só pode ser feito em clínicas. Quando eu conclui a químio é que eu iniciei a ozonioterapia. Mas eu fiquei com esofagite por cândida no hospital por 11 dias. Tomei 98 injeções de morfina, perdia um quilo por dia, e não cortava a dor. Ficar no hospital seria esperar a morte".
Sem saída, ele foi pra casa, iniciou tratamento com ozônio com água para limpar a região infectada na garganta. "Fiz 42 dias de ozônio e tinha 60 dias para voltar ao hospital e só depois fazer exames para o pré-operatório. Ao voltar os exames, estes não apontaram mais nada. O que me curou? Foi o ozônio, foi a químio, foi a rádio, foi a fé, foi a suplementação, foi o apoio. Foi acreditar em tudo, foi fazer tudo pela vontade de viver", salienta.
E o que Carlos Braga aprendeu com o câncer? "Ganhei uma vida nova e luto por ela todos os dias". A ozonioterapia, a alimentação anticâncer e desintoxicante, os suplementos nutricionais, as vitaminas, a importância dos exercícios físicos e outras abordagens, como a termoterapia, agora são apresentadas ao leitor, em linguagem acessível, em seu livro. Quis a vida que sua apoptose fosse morrer, em segundos, para renascer em forma de oportunidade de crescimento, em testemunho. O livro publicado pela Editora Idea é prefaciado pela presidente da Associação Brasileira de Ozonioterapia, Maria Emília Gadelha Serra, está disponível na Jalovi e demais livrarias do mercado.
Ozônio: molécula da vida
A experiência de vida em razão da perspectiva de morte levou Carlos Braga a pesquisar sobre os efeitos do ozônio no organismo humano. "O ozônio foi sim muito importante e é o responsável pela qualidade de vida, a saúde que eu tenho hoje. Ele é a base do oxigênio, a chamada molécula da vida. O oxigênio com descarga elétrica forma o A3 que é o ozônio. Segundo os estudos científicos, o ozônio trata mais de 230 enfermidades. O ozônio é antibacteriano, antifúngico, antiviral, tem um poder cicatrizante muito grande, atua em inflamações do corpo", aponta.
Ao pé da letra, célula de câncer não sobrevive com oxigênio. Na presença dele, ela morre. "No câncer, entre outras ações, o ozônio é o elemento que leva oxigênio para a célula e ela morre. E no tratamento, o ozônio gera células mais sadias ao lado das cancerígenas e elas matam as do câncer. O tumor é um grupamento de células que forma vasos sanguíneos que precisam de alimento. A maior parte do oxigênio está na corrente sanguínea. Você coloca alto nível de oxigênio na célula, que chega a esses vasos formados pelas células do câncer. E ele morre", descreve o autor do livro.
Outra forma de uso do ozônio é pela via retal. Ao entrar em contato com os tecidos, ele produz ozonídeos. "Eles entram na função celular (ciclo de Krebs). Ele é um carreador de oxigênio celular. E quando a mitocôndria fabrica uma célula nova, o ozonídeo é um soldado mais forte que ajuda a gerar células mais fortes. Isso foi descoberto por um médico alemão Oto Heinrich Warburg, em 1934. Foi o único médico no mundo que ganhou duas vezes o Prêmio Nobel de Medicina. Ele explicou que o câncer se desenvolve em ambiente ácido e anaeróbio", explica Braga.
