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Verão à vista, Aedes na mira


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Gabriel Jabur/Agência Brasília/Fotos Públicas
É preciso ficar alerta a qualquer lugar que possa servir de criadouro ao Aedes aegypti

O vilão do verão tem nome e sobrenome: Aedes aegypti. Com a chegada da estação, o número de casos de doenças transmitidas pelo mosquito - dengue, zika e chikungunya - tende a aumentar. Isso porque o clima fica mais quente e úmido, fazendo com que os ovos do inseto se abram com mais facilidade, aumentando a proliferação.

Mas este verão não será igual ao último pelo menos num ponto: pela primeira vez, está disponível para a população uma vacina contra a dengue. De acordo com um estudo feito pelo professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Denizar Vianna, a vacinação contra a doença pode, em dez anos, reduzir em quase um terço (921 mil) os casos de dengue no Rio.

Ainda segundo a pesquisa - denominada Modelagem do Impacto da Vacinação contra a Dengue no Estado do Rio de Janeiro - a vacina evitaria, no mesmo período de tempo, 392 mortes e 27 mil hospitalizações, o que corresponde a uma redução na ocupação de 105 mil dias de leitos hospitalares.

No entanto, de a cordo com o infectologista Ricardo Freitas, um combate mais eficaz e agressivo só é possível com o controle de criadouros. "Esta vacina só é capaz de prevenir contra o vírus da dengue e não garante imunização contra zika e chikungunya. Portanto, é preciso estar muito atento com os focos de acúmulo de água que são os locais propícios para a criação dos mosquitos. Sempre é válido também o uso de repelentes em locais apropriados", ressalta Ricardo.

Dados da Secretaria estadual de Saúde apontam que foram registradas 78.868 suspeitas de dengue de janeiro a outubro deste ano no estado. No mes mo período de 2015, a zika matou três pessoas e foi suspeita em 65.393. Já a chikungunya matou quatro e foi suspeita em 14.601.

'É fundamental receber todas as três doses da vacina'

Sheila Homsan, diretora médica do laboratório Sanofi Pasteur, afirma que as pessoas deem tomar todas as doses da vacina. Caso contrário, ela não é eficaz.

Quem pode tomar a vacina?

Sheila Homsan - Ela está indicada para pessoas entre 9 e 45 anos de idade, faixa que representa 70% dos casos de dengue no país. Fora desta faixa etária, estudos mostram que sua eficácia é baixa.

Onde encontrar?

Sheila Homsan - Por enquanto, a vacina só está sendo disponibilizada em clínicas particulares de todo o país. O preço de fábrica varia de R$ 132,76 a R$138,73, mas o valor pode mudar de lugar para lugar.

São quantas doses?

Sheila Homsan - São três, mas a partir da primeira, a vacina já oferece proteção. Porém, é fundamental receber todas as doses para garantir que a imunização seja duradoura e equilibrada.

Diferença entre dengue, Zika e chikungunya é sutil

As três viroses que mais assustam o Brasil no momento - dengue, Zika e chikungunya - são doenças infecciosas agudas transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. As semelhanças não param por aí: todas elas podem provocar febre, dor e manchas pelo corpo."A diferença é sutil e o diagnóstico precisa ser clínico e epidemiológico, levando em conta a situação de infecções naquela localidade", explicou a infectologista e epidemiologista Helena Brígida.

Em entrevista à Agência Brasil, a integrante do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia destacou que, no caso da dengue, o sintoma de maior destaque é a febre, sempre alta e de início súbito. Já a característica mais marcante na infecção por chikungunya são as dores nas articulações, bem mais intensas que nas outras duas doenças. Por fim, o Zika tem como principal manifestação manchas pelo corpo bastante avermelhadas e que coçam muito, além de joelhos e tornozelos inchados.

"A gente tem que perguntar ao paciente se coça muito, se ele teve febre, se a febre passa quando ele toma remédio, se há dor nas juntas, se o pé está inchado. Não dá pra dizer logo de cara o que é. O médico tem que ouvir todo o conjunto de sintomas para definir a melhor conduta", destacou. A especialista contou ainda que, em seis horas de plantão em um único dia, se deparou com quatro casos de Zika em seu consultório. A colega que atendia na sala ao lado, segundo ela, registrou outros quatro casos da mesma doença.

A infectologista também ressaltou que o tratamento para as três doenças é sintomático, ou seja, estabelecido com base nos sintomas apresentados pelo paciente e não muda diante de um resultado laboratorial positivo ou negativo. A confirmação por teste, segundo ela, é importante sobretudo entre gestantes, diante da possível associação de microcefalia com o vírus Zika, e entre pacientes com quadro de complicações neurológicas também possivelmente associadas à infecção.

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