São Paulo - O presidente Michel Temer disse ao jornal O Estado de S. Paulo, no domingo, que mantém sua "total confiança" no ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. "Ele tem o meu total apoio", afirmou Temer. O presidente também disse que não há nenhuma intenção de se compartilhar o comando da política econômica.
Temer chegou a cogitar do domingo, durante o dia, a divulgação de uma nota em apoio ao ministro da Fazenda, depois que, ao longo desta semana, o mercado começou a enxergar uma espécie de "fritura" de Meirelles com notícias sobre um suposto enfraquecimento do ministro.
Notícias de que o governo Temer estaria se reaproximando do economista Armínio Fraga, principal nome do PSDB na área e que chegou a ser sondado para ocupar a Pasta antes de Meirelles, levaram o mercado a especular que o atual ministro da Fazenda estaria perdendo força em Brasília. O governo federal quer dar uma resposta rápida ao mercado para voltar a estimular a economia.
ESPECULAÇÕES
Em meio a esse cenário de recessão e especulações sobre Meirelles, Temer vai anunciar Dyogo Oliveira, que vinha exercendo o cargo de ministro interino no Planejamento, como efetivo no posto, conforme informou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, na última sexta-feira. A decisão, segundo interlocutores do presidente, ocorre após notícias relacionadas a um suposto enfraquecimento de Meirelles.
A avaliação é de que Temer precisa mostrar respaldo à sua equipe econômica e evitar que ruídos atrapalhem ainda mais a retomada da economia. A data do anúncio de Dyogo como efetivo, entretanto, ainda não está confirmada.
Uma pessoa próxima ao presidente disse ao Broadcast que o momento não é de mais turbulência, por isso a "blindagem" ao ministro é fundamental. Na avaliação do Planalto, a dificuldade de conseguir retomar o crescimento não se deve apenas ao contexto interno - agravado pela crise política ainda persistente - e sim também pelas adversidades internacionais causadas pela eleição do presidente norte-americano Donald Trump.
No entanto, os dados divulgados na semana passada, sobre queda da economia brasileira acendem o sinal de alerta em Brasília, uma vez que o recuo no PIB do terceiro trimestre deflagrou uma onda de revisões para baixo do crescimento em 2017.