| Douglas Reis |
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| Juiz Sérgio Moro foi apoiado pelos participantes do protesto |
Cerca de 1.500 pessoas participaram de manifestação na avenida Getúlio Vargas, no final da manhã deste domingo (4), reivindicando o combate à corrupção e o prosseguimento da Operação Lava Jato. O ato pediu também a continuidade do processo contra Renan Calheiros, presidente do Senado, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) - ele virou réu nesta semana.
Outra demanda diz respeito ao projeto de lei que pune juízes e promotores por abuso de autoridade. Aprovado na Câmara, manifestantes lutam para que ele seja revogado no Senado. Protestos semelhantes foram registrados em dezenas de cidades brasileiras neste domingo (leia mais na página 9).
"É a primeira vez que eu venho. Eu vim porque sou contra esses roubos que acontecem no Congresso. Eles (políticos) não estão preocupados com o povo. Deixam impune quem precisa ser punido. Então nós precisamos ir às ruas e defender nossos direitos", comenta a bióloga Heloísa Helena Escudero, de 53 anos.
O representante comercial Carlos Adalberto Melo, 55 anos, foi a todos os protestos que estão ocorrendo desde o ano passado. "Estive presente em todas as manifestações realizadas aqui em Bauru e fui a três em São Paulo. Na verdade, não precisamos só de Lava Jato, mas de um "Lava Foguete", porque as coisas estão acontecendo na calada da noite. Os políticos fazem jogadas somente em favor deles próprios. A indignação é grande, e apoiamos ao juiz Sérgio Moro (da Lava Jato)", pontua.
Sobre o governo de Michel Temer (PMDB), Melo diz que o problema é mais amplo. "Com sinceridade, pelo momento do País, teria que haver uma varredura total, com a saída de todos. É Temer, Lula, a mudança tem que ser radical", acredita.
Medidas
Entre os organizadores do ato, Raphael Panichi, do Movimento Avança Brasil Maçons.BR, afirma que o intuito é estimular o combate à corrupção, além de defender o fim do foro privilegiado e marcar posição contra o projeto sobre o abuso de autoridade do Judiciário e Ministério Público. "Nosso dever é buscar transparência e exigir fiscalização das ações do poder público e fomentar a cidadania", acredita.
Outro membro da organização do ato em Bauru, Paulo Ladeira, que é da Juventude Bauruense e do movimento "Vem pra rua", menciona os aspectos defendidos pelo grupo. "O protesto é contra a corrupção, apoiando as dez medidas contra a corrupção e a Lava Jato. Já esperávamos um público menor em relação às manifestações anteriores, mas é importante manter isso e mostrar aos políticos a nossa insatisfação. Estamos de olho no que eles estão fazendo. Estão legislando em causa própria", frisa.
Ladeira diz que as investigações devem seguir. "Apoiamos todas as medidas contra a corrupção, independente de esfera e também seja qual for o poder. Somos contra os "supersalários", seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário, a lei tem que ser aplicada para todo mundo", reitera.
Sobre o projeto que a Câmara Federal votou sobre punição a juízes e promotores que cometam abuso de autoridade, Ladeira comenta. "Nós entendemos que ninguém pode abusar de sua autoridade, cada um deve ter seu espaço para trabalhar e exercer sua função. Quem exagerar deve ser investigado, mas não de uma forma que se amedronte o Ministério Público, evitando que existam investigações contra quem comete corrupção. Deve haver limite, sim, mas não de uma forma que trave investigações como a Lava Jato", defende.
A Polícia Militar (PM) estimou em 1.500 participantes no ato, que teve início nas imediações da Praça da Copaíba, perto da Polícia Federal (altura da quadra 18 da avenida Getúlio Vargas), e terminou na Praça Portugal, pouco antes das 12h de ontem. Quem também foi visto pela avenida Getúlio Vargas foi o apresentador Gilberto Barros (Leão).
Defesa do MP
Fabrício Carrer, que atua como Procurador da República em Bauru, subiu no caminhão de som para falar em nome da categoria. Ele ressaltou que os deputados federais aprovaram "na calada da noite" o projeto para punir eventuais abusos de autoridade do Poder Judiciário e do Ministério Público. "Venho aqui mostrar a insatisfação de todos no Ministério Público com este projeto, pois o MP está atuando para dar moralidade à política e com o apoio dos cidadãos de bem, que amparar e sempre defenderam o nosso trabalho. E nós também estamos ao lado da população. Quando entrei no Ministério Público Federal, sempre procurei fazer aquilo que é melhor para as pessoas, exercendo a minha função. Hoje, as pessoas respeitam o trabalho do Ministério Público. É uma instituição que possui credibilidade junto às pessoas. Não podemos deixar que destruam isso", falou Carrer, que foi ovacionado pelos presentes no ato.
