São Paulo - O professor universitário Wanderson Romão, 33, morador de Vitória (ES), comprou uma pequena árvore de Natal para montar com o filho, que mora no Rio com a mãe, neste fim de semana.
Os planos foram interrompidos quando Romão descobriu que o menino, de seis anos, foi "extraviado" na sexta-feira quando viajava desacompanhado. Por um erro da Gol, o garoto foi mandado para Curitiba -a 1.300 km da capital capixaba.
"É a pior coisa do mundo. Estou extremamente abatido. Você ver o seu filho numa situação que você não tem controle sobre ela, é uma sensação de impotência", disse o professor à reportagem.
Ele conta que era a primeira vez que o filho viajaria desacompanhado, com autorização judicial para voar apenas para os Estados do Rio, Espírito Santo e São Paulo (onde tem familiares). Romão pagou R$ 750 pelas passagens, com uma taxa extra de R$ 100 pelo serviço de acompanhamento.
A mãe da criança se despediu do filho no aeroporto do Galeão às 16h, segundo Romão. Às 18h20, quando começou o desembarque do voo no Espírito Santo, ele não apareceu. "Daí começou o desespero", diz.
Ele conta que entrou na sala de desembarque e questionou funcionários da empresa e do aeroporto, que pouco ajudaram. Ainda perguntaram se a passagem foi comprada por milhas, segundo Romão. Só conseguiu assistência, diz, quando acionou a Polícia Federal no aeroporto. "Ninguém estava acreditando. O mundo caiu!", disse o pai.
Após mais de uma hora de tensão, conseguiram localizar o garoto em Curitiba. Para reparar o problema e levar o menino de volta a Vitória, a única opção era um voo com escala no Rio, conta Romão.
Nervoso com a situação, ele diz ter preferido que a criança ficasse no Rio com a mãe e nem fosse para Vitória, para evitar transtornos. O pai diz que vai entrar na Justiça contra a empresa.
No dia seguinte ao episódio, ele escreveu um desabafo no Facebook, que ontem já tinha quase 400 mil curtidas.
"A conclusão lógica é que um funcionário da Gol não é preparado para fiscalizar a documentação de uma criança. Meu filho fala português, como também fala inglês. Estava com todos os documentos, fala dois idiomas, era só alguém perguntar para onde estava indo", diz.
Segundo ele, após a repercussão do texto que escreveu, dois diretores da Gol já ligaram para ele pedindo desculpas. "O cara me liga para oferecer para cancelar a passagem. 'Vou te dar uma passagem a mais', como se estivesse fazendo um favor", diz.
No momento da ligação, no sábado já não seria mais possível realizar as atividades que Wanderson havia planejado com o filho.
O professor afirma que o filho ficou chateado e, por telefone, disse que compraria uma camiseta do Flamengo para presentear o pai.
"Se fosse o filho do diretor da Gol, o que ele faria? O que faria se estivesse no meu lugar?", desabafa.
Wanderson afirma que acertou para ver o filho novamente no dia 20. "Vou viajar a trabalho para o Rio e vou buscá-lo e depois levá-lo de volta", diz ele, que não pretende mais usar o serviço de voo desacompanhado.
OUTRO LADO
Em nota, a Gol reconheceu que "houve uma falha no procedimento de embarque da criança, ocasionando a troca do voo", pediu desculpas à família e disse que "adotará medidas para evitar que situações como essa voltem a acontecer".
A empresa, no entanto, nega que a criança tenha ficado desacompanhada.
"A companhia reforça que a todo momento o menor esteve assistido por um colaborador da Gol e que imediatamente manteve contato com a família para prestar a assistência.