Cultura

Música universal brasileira

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Edu Sereno

Quem acredita que hoje não se produz música boa, universal e inovadora no Brasil terá uma oportunidade de rever conceitos e garimpar novidade no show de Edu Sereno nesta quarta-feira, dia 7, às 21h, no Sesc Bauru. E a entrada é gratuita!

Com letras interessantes e arranjos autênticos, o compositor paulistano canta e toca violão acompanhado da banda formada por Rafa Moraes (produtor musical, guitarra e charango), Beto Vasconcelos (baixo), Bianca Prediere (bateria) e Marcelo Sanches (guitarra).

Edu traz o repertório do seu disco de estreia "O Pão que o Diabo Ama Sou", de 2016, e do EP (CD com menos faixas) "Esquinas, Janelas e Canções", de 2013.

"O nome do disco é uma provocação, uma tentativa de resignificar o ditado e os termos. Fui educado para achar que o diabo é uma figura horrível e hoje penso que ele pode representar um cara revolucionário, que disse 'não' a paradigmas e dogmas. Por mais que o disco tenha canções aparentemente românticas, elas trazem um teor de questionamento no seu íntimo", explica em bate-papo com a reportagem do JC.

Percorrendo o interior e as capitais brasileiras, o artista deu o nome de #partilharopão à turnê. "Estou muito feliz de levar esse show para Bauru. Faz tempo que tenho vontade e chamo a galera para chegar e partilhar o pão comigo, um momento de refletir, dançar e curtir junto", convida.

Para começar e ouvir, acesse: www.edusereno.com.br.

JC - Que estilo de música você faz?

Edu Sereno - Só de ser brasileiro, sinto que faço música brasileira, com várias influências. Cresci ouvindo moda de viola com meu pai. Tenho 30 anos e peguei uma fase muito legal do rock brasileiro. Um gênero que eu gostaria de ser enquadrado, é a world music. Busco fazer uma música universal, que mistura instrumentos, ritmos, cadências harmônicas... Um tipo de música que transcende o regionalismo, mas sem perder a identidade local. Por exemplo, tenho uma música que lembra um forró, mas é tocada com guitarra; outra é um rock tocado com charango, um instrumento boliviano. É o descomprometimento com a fórmula, com o que já foi feito. Nesse gênero você pode estar sempre experimentando.

JC - O que te influencia e o que você escuta?

Edu - Todo mundo que faz música brasileira já bebeu na fonte de Caetano e Gil. A música caipira é uma grande influência pra mim na hora de compor, no jeito de escrever e na maneira de encarar a poesia, a métrica. Ouvi muitos clássicos, mas posso dizer que sou uma pessoa muito mais influenciada pelo que está acontecendo agora. Tenho ouvido muito uma banda chamada Inky, Chico César e meus amigos que fazem som. De internacional o que mais escuto é a banda colombiana Bomba Estéreo, de world music. Aprecio muito.

JC - Como você vê a cena musical contemporânea?

Edu - Escuto uma galera dizer que a música brasileira teve um boom na década de 70, mas ao meu ver nunca se produziu com tanta qualidade quanto agora. A cena brasileira é uma das mais ricas do mundo todo. O que eu sinto é que está num período negro não de criação, mas de consumo. Hoje o que manda no mercado é a música vulgar, comercial, de plástico. As mídias e potências investem no sertanejo universitário, que não tem nada a ver com a moda de viola. Tem muita banda boa, mas a gente não fica sabendo. Não vai chegar e bater na nossa porta, como faz a música comercial, que está num carro tocando alto ou na TV. É necessário um certo garimpo. Só chega até meu som quem realmente gosta de música e quer sair da sua zona de conforto.

 JC - E o que suas músicas dizem?

Edu - As canções são basicamente retratos do cotidiano, a maneira como eu enxergo a cidade grande. O curioso é que esse conteúdo é facilmente incorporado por quem não vive a mesma realidade. Por mais que sejam autobiográficas e falem de algo que eu vivi, no fundo são retratos do cotidiano comum. No momento em que você faz a música e exterioriza, ela ganha outro sentido e outra proporção. As mensagens são humanas, falam de sensações humanas, de paixão, medo, angústia... Não têm fronteiras.

SERVIÇO

Show de Edu Sereno e banda: quarta, 7/12, às 21h, no Sesc Bauru (av. Aureliano Cardia, 6-71). Entrada gratuita (não é necessário retirar ingressos).

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