| Fotos: Douglas Reis |
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| Protesto travou a rodovia; com faixas e cartazes, grupo elencou ao menos quatro reivindicações |
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| Policiamento Rodoviário apreendeu 500 pneus que deveriam ser incendiados durante o ato |
Integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL) bloquearam, na manhã dessa terça-feira (6), os dois sentidos da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, próximo ao trevo do aeroporto Moussa Tobias. O protesto ocorreu simultaneamente em todo o País e tem como pauta o repúdio à PEC 55 (que congela os gastos públicos por até 20 anos) e à corrupção no País, e a defesa da continuidade das investigações da Operação Lava Jato.
O ato pede ainda mais agilidade na reforma agrária no que diz respeito aos entraves judiciais envolvendo a liberação de terras em Bauru. O movimento estima que aproximadamente 450 pessoas participaram do ato. Já o Policiamento Rodoviário fala em 250. Mais cedo, os policiais apreenderam cerca de 500 pneus que, possivelmente, seriam incendiados na rodovia.
A interdição durou uma hora (das 10h às 11h) e gerou congestionamento de aproximadamente três quilômetros, contabilizando os dois sentidos. Durante o protesto, os manifestantes liberaram a passagem de alguns motoristas por motivos de saúde ou compromissos específicos. Houve momentos de tensão durante as negociações.
Entre os “liberados” pelos sem-terra, uma mulher e criança recém-transplantados e uma engenheira ambiental que precisava defender sua tese de doutorado na Unesp.
Dirigente nacional da FNL, Silvio Pereira critica veementemente a PEC 55. “O congelamento dos gastos vai impactar diretamente na reforma agrária. Dependemos de trâmites mais ágeis para começar a produção o quanto antes”, ressalta Pereira, complementando que cerca de 400 famílias do Acampamento Sem Limites aguardam a liberação de terras.
TENSÃO
A engenheira ambiental Liria Batista de Azevedo chegou a chorar enquanto negociava a passagem com os sem-terra. Ela tinha que estar na Unesp às 10h30 para defender sua tese de doutorado e, a cinco minutos desse horário, ainda não havia conseguido a liberação.
“Isso pode atrasar em até um ano a conclusão do curso”, disse. Com intermédio dos policiais e depois de muita conversa, enfim, ela conseguiu a passagem.
TRANSPLANTE
Era delicada a situação de uma mulher e um menino que passaram por transplante de medula óssea, recentemente. Os dois vieram do Amazonas para tratamento no Hospital Amaral Carvalho de Jaú, onde precisavam chegar com rapidez.
Com máscaras no rosto, eles tomaram um táxi no Aeroporto Moussa Tobias, mas ficaram presos no congestionamento. O motorista também foi autorizado a passar após negociação com os manifestantes.
Não foi o caso de Alexandre Bicudo. Ele transportava cerca de 100 suínos em um caminhão e alegou que quatro deles já haviam morrido. “Eles não aguentam o calor”, explica. O caminhoneiro, no entanto, não recebeu autorização para seguir trajeto até o término do ato.
Em nota, o Incra informou que “mantém diálogo com todos os movimentos sociais e sindicais do campo no Estado”. Já a Presidência da República, em atos anteriores, destacou que respeita o direito à manifestação, porém, não comenta pontualmente cada episódio.
| Douglas Reis |
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| Os organizadores do protesto estimam que 450 pessoas estiveram no local, porém, a Polícia Militar (PM) apontou 250 manifestantes |


