No dia 13 de novembro de 2015 meu coração se partiu. Vindo de uma adolescente, se pensa em amor não correspondido, porém, um ataque terrorista é o motivo. Ainda de luto pela tragédia em Mariana, fico encabulada com a violência e a frieza humana.
Hoje me dói, me dói pensar no telespectadores do Stade de France, todos assustados e ocupando o gramado.
Hoje me dói pensar nos fãs da banda Eagles of Heavy Metal, que só queriam assistir a um show tranquilo no Bataclan.
Me dói pensar nas crianças, não só as que morreram, mas também as que estão presenciando tudo isso. Está circulando um vídeo na internet com um pai ensinando seu filho que armas são fortes, porém, flores são bem mais. Ao assistir, queria chorar, lembrei-me da canção de Geraldo Vandré que diz “[..] E acreditam nas flores vencendo o canhão”.
Me dói lembrar que em 2012 escrevi um texto para essa mesma coluna, com apenas 12 anos já tinha a capacidade de entender que a violência não leva a nada, que guerras só destroem. Outro dia li e vi fotos do bombardeamento que a França está fazendo. Mais mortos, mais medo. Novamente vi crianças se indo, futuros médicos, engenheiros, professores....
Como justificar, acabar uma atrocidade com outra? Me dói saber que só tenho 16 anos e que ninguém me ouve, afinal, “ainda não sou capaz de compreender as coisas”, “não possuo a mentalidade suficiente”, “ainda não vivi o suficiente para ter uma opinião concreta”, enquanto quem é ouvido prega a violência.
Me dói saber que há ignorância o suficiente para achar-se que uma vida é mais importante que a outra por causa de raça. Me dói ouvir coisas absurdas como “tem que extinguir essa raça de terroristas”, sendo que nem 20% da população é radical e que os 80% restantes estão se machucando.
Me dói saber que poucos vão ler e se importar, como também me dói saber que nunca vou ser importante o suficiente para dizer não à violência e as pessoas seguirem, e que está distante uma política de paz.