| Fotos: Malavolta Jr. |
![]() |
| Local onde antes existia o Estádio Édson Pereira Leite, na Vila Santista, se tornou terreno onde lixo e entulho estão acumulados e é considerado caso perdido pela Semel |
![]() |
| Gramado precário e mato tomando conta da arquibancada é cenário no José Carlos Galvão de Moura, no Núcleo Gasparini |
![]() |
| No Toninho Guerreiro, localizado no Mary Dota, muro que circunda estádio caiu e não houve reparo |
Quem passa pela quadra 3 da rua Chiyo Otake ou por alguma via próxima e não conhece a Vila Santista (proximidades da Vila Independência) dificilmente dirá que ali já existiu um estádio de futebol. Levando o nome de um dos maiores narradores esportivos de Bauru, Edson Pereira Leite (que narrou até Copa do Mundo em rádios de São Paulo), o antigo campo do bairro mais parece cenário de guerra.
Os muros foram derrubados, a exemplo dos antigos vestiários. A arquibancada está tomada de mato e o que já foi o gramado se assemelha a um pasto. A própria Secretaria Municipal de Esportes (Semel) considera este um “caso perdido”. Revitalizado há alguns anos, o estádio Edson Leite voltou a sofrer com depredações, foi deixando de ser usado e atualmente encontra-se em estado de abandono completo.
“Infelizmente não houve boa aceitação do estádio no bairro. Acho que ali dificilmente será possível recuperar para ter jogos do amador, por exemplo. O que é possível ser feito, na minha visão, são campos menores, de areia, para uso recreativo da população”, lamenta o secretário municipal de Esportes, Roger Barude.
Falta muito
Lazer de inúmeros bairros aos finais de semana, o futebol amador sofre com a estrutura dos estádios. Atualmente, Bauru conta com nove estádios municipais (distritais), e apenas sete estão à disposição das competições, que não são poucas. Somente o futebol amador reúne mais de 50 equipes, na Copa Semel e nas duas divisões da Liga Bauruense (LBFA).
Isso sem falar na Copa Golden Master, voltada aos veteranos, e na Copa Big Boys, destinada à crianças e adolescentes, ambas organizadas pela Semel. Ao longo do ano, outros torneios de menor duração também ocorrem. Alguns estádios chegam a ter, em apenas um final de semana, oito partidas. Não há gramado que resista.
A reportagem do Jornal da Cidade percorreu os nove estádios distritais de Bauru nos últimos dias. Três apresentam condição satisfatória e, apesar de alguns problemas, conseguem suprir bem a demanda: Padilhão, Horácio Cunha (Bela Vista) e Nelson Reginato do Canto (Redentor) - este último foi reformado em 2013. O estádio Luiz Edmundo Coube, reformado em 2010, apresenta arquibancada em bom estado, mas o gramado não está no padrão ideal.
Em outros três estádios, a manutenção é precária, mas ainda assim os campeonatos de futebol amador ocorrem. No José Spetic Filho (Vila Dutra), o gramado está amarelado e há pouca estrutura para equipes e árbitros. Nos últimos anos, algumas emissoras de rádio que cobrem as partidas chegaram a instalar linhas telefônicas no local para transmissão de jogos, mas dias depois elas eram furtadas.
Já no Toninho Guerreiro (Mary Dota), o gramado também está longe do ideal e parte do muro que cerca o estádio está quebrado, além do mato invadir a calçada. Por fim, o José Carlos Galvão de Moura (Núcleo Gasparini) também está com o gramado prejudicado e há bastante mato na arquibancada. O estádio possui duas quadras e um campo menor anexos, porém estes estão em estado de abandono e sem condição de uso.
O estádio Waldemar de Brito, na Vila Paulista, vem sendo usado por escolinhas e também não reúne as melhores condições para receber competições. Para o titular da Semel, a pasta trabalha dentro da limitação existente. “Nós temos pouco material humano, seria necessário um concurso para abrir vagas de caseiro e também para as equipes de manutenção. As equipes percorrem todas as praças esportivas, mas devido à pouca quantidade de pessoas, quando retornam a situação já não é boa, além da questão da depredação e do vandalismo, que ocorre com frequência”, aponta.
Soluções?
É consenso tanto na Semel quanto entre os comandantes de clubes do futebol amador que reduzir o número de clubes nos torneios não é o caminho. Os times representam bairros inteiros, que anseiam por um lazer, seja com seus moradores jogando ou assistindo às partidas. O atual secretário de Esportes diz que, dentro da limitação orçamentária da Semel, é possível ampliar nos próximos anos o número de estádios, aproveitando estruturas já existentes.
“O estádio do Petrópolis, onde está a pista de atletismo usada pela ABDA para treinos, pode receber partidas do amador, sem prejudicar a pista, se houver algumas melhorias. E no Parque São Geraldo também tem uma área que pode ser transformada em estádio para o amador, enquanto o Redentor pode ter melhorias na iluminação para receber jogos noturnos durante a semana. Já o Waldemar de Brito acredito que atenda melhor a campeonatos como a Big Boys”, avalia Roger Barude. Para reduzir o déficit de campos, a Copa Semel utiliza também o estádio Mirante Ferroviário, que é particular, em parceria com seu proprietário, o clube Triagem.
As finais da Semel e da 1ª Divisão da LBFA ocorreram em 2016 no estádio Alfredo de Castilho, do Noroeste, que possui bom gramado e mais estrutura para segurança do público. Aliás, já houve interesse de repassar o estádio do Norusca para a prefeitura, o que gera preocupação entre os torcedores alvirrubros, diante da dificuldade do município em cuidar de suas atuais praças esportivas. A Semel teve em 2016 pouco mais de R$ 8 milhões de orçamento, porém mais da metade deste valor foi destinado à folha de pagamento dos servidores, reduzindo a margem de investimentos.
![]() |



