Sempre, sempre a mesma estória que se repete. Quando se flagra uma fraude que envolva um alto político, a polícia foi violenta e arbitrária, o ato ilegal, foi apenas uma armação política, enfim, o bandido vira herói nacional e, a polícia, vira vilã.
Mesmo que, por coincidência, esse político seja dono de uma empresa que, por coincidência, presta serviços à administração pública que, por coincidência, guarda míseros R$ 1,4 milhão no cofre. Isso é comum, todo mundo guarda essa pequena quantia fora de bancos (o que é incomum são as cinco tentativas de explicá-lo, em apenas uma semana). Tudo bem mesmo, porque também é coincidência essa empresa estar envolvida em diversas denúncias por desvio de apenas $ 45 milhões no mesmo período que esse alto político era conselheiro e autorizava as transferências para contas de outras empresas fantasmas, que por coincidência, tinham o mesmo endereço comercial da sua própria empresa.
Mas, isso é apenas um detalhe. A questão é: maldita polícia! Ficar investigando empresas de fachada no cumprimento de ordens judiciais. Que vergonha para o Brasil!! Deixem as construtoras que nunca construíram algo em paz, assim como os ranários que nunca criaram nem mosquito da dengue, ou empreiteiras que nunca fizeram serviços, ou consultorias que nunca serviram para nada. Talvez seja coincidência que todo alto político desse país seja “empresário†na área de interesse público, mesmo porque, para explicar as mansões no Brasil e exterior, é preciso ter uma “empresaâ€, ainda que ela ocupe uma única exígua sala num prédio decadente mas, num “toque de Midasâ€, movimente milhões em suas contas.
Quando algumas dessas falcatruas aparecem - e sempre, corriqueira e costumeiramente aparecem - dezenas de altos políticos, como uma matilha a defender o outro animal da espécie, bradam num uníssono clamor: maldita polícia!! É tudo armação política.
Que nojo do que acontece neste País! O último ranking da ONG “Transparência internacional†classificou o Brasil em 59.º no quesito “corrupçãoâ€, mas já devemos ter caído algumas posições de lá para cá. A Fundação Getúlio Vargas divulgou, nesta semana, um estudo no qual mostra que o PIB brasileiro dobraria se se reduzisse a corrupção em apenas 10%. Mas, para quê isso? Em 2002 teremos eleições e, se esse “alto político†não concorrer à Presidência, ele e mais alguns milhares de corruptos serão eleitos senadores, deputados, governadores, fazendo a epidemia da dengue parecer brincadeira de criança. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)