Esportes

Chapecoense venceu resistência de imigrantes para ter torcida na cidade

Luiz Cosenzo
| Tempo de leitura: 3 min

 Ralph Quevedo/Sentinela 24h
Jovens prestam homenagens aos jogadores da Chapecoense, na igreja matriz, após acidente aéreo que que vitimou 71 pessoas

As cores verde e branca da bandeira de Chapecó e que estão espalhadas por todos os cantos da cidade em homenagem à Chapecoense concorreram por muitos anos com o vermelho e com o azul e preto de Internacional e Grêmio, respectivamente.

O município catarinense, que completa 100 anos da sua criação político administrativa em 2017, recebeu muitos oriundos do Rio Grande do Sul em busca de trabalho.

A região foi dominada por torcedores colorados e tricolores por quase toda a sua história. Até Alvadir Pellisser, 80, um dos fundadores da Chapecoense em 1973, era torcedor do Inter.

O que explica também a supremacia de torcedores dos clubes de Porto Alegre era a fase sem títulos e de poucos resultados expressivos da Chapecoense. Em 43 anos de história, a equipe conquistou apenas cinco vezes o Campeonato Estadual.

“A torcida ia no campo com a camisa do Grêmio e do Inter. Quando fui treinador do clube em 2.000 eu avisava meus jogadores para jogar bem e torcer para o Grêmio e o Inter estarem ganhando seus jogos porque aí os torcedores ficavam felizes e não vaiavam e nem reclamavam do nosso time”, contou João Carlos Maringá, que já foi jogador e assumiu a função de diretor de futebol do clube.

O treinador Gilmar Dal Pozzo viveu situação semelhante quando era goleiro do Avaí.

“Jogamos na Arena Condá em 2005 e durante o primeiro tempo escutei uma comemoração de um gol quando a bola saiu pela lateral. No intervalo, me explicaram que a comemoração era porque havia saído um gol no Gre-Nal [clássico entre Grêmio e Inter]”, relembrou Dal Pozzo.

De quase falido em 2005, o time conquistou três títulos estaduais e alcançou a elite do futebol nacional. Dal Pozzo, que comandou a equipe nos acessos para a Série B e A, viu as camisas vermelha do Inter e a tricolor do Grêmio darem lugar ao verde e o branco da Chapecoense.

A mudança veio após uma campanha feita pelo presidente Sandro Pallaoro, morto no acidente do dia 29. O verde e o branco foi aderido principalmente pela geração mais nova.

“Eu e minha esposa torcemos para o Grêmio, mas nossos filhos torcem pela Chape. Não vou interferir na escolha deles desde que não torçam para o Internacional”, diz Luciano Hübner, 37, que é natural da cidade de Ibiruba-RS.

A situação se repete na casa da família Tomkiel. Há 22 anos em Chapecó, Vilmar, 37, viu o filho, Gustavo, 9, virar torcedor Chape. Neste caso, o pai até virou a casaca.

O clube catarinense viu o número de associados saltar de 8.500 para quase 25 mil.

W.O. combinado não resultará em pena

O quarteto de arbitragem escalado para ir a Chapecó não precisará colocar o uniforme e nem mesmo entrar em campo para constar o W.O duplo do jogo entre Chapecoense e Atlético-MG, neste domingo, às 17h, na Arena Condá.

As duas equipes não entrarão em campo em virtude do acidente aéreo do último dia 29. O STJD já avisou que os times não serão condenados. De acordo com o artigo 203 Código Brasileiro de Justiça Desportiva, a pena pode chegar a multa de R$ 100 mil, além da “perda dos pontos” no torneio.

Comentários

Comentários