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Alta procura pelo Bom Prato faz refeições acabarem mais cedo

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

O restaurante popular Bom Prato de Bauru oferece 1.300 almoços diários, com custo de R$ 1,00. O consumo, entretanto, voltou a crescer em razão da crise econômica e a demanda já está sendo maior que a oferta. Todos os dias, em torno de 150 pessoas não conseguem acesso à refeição porque o limite tem sido atingido antes mesmo das 12h30.

"Servíamos o almoço até depois das 13h, pois não havia tanta procura. O ideal seria oferecer mais 200 refeições por dia", detalha o gerente da entidade, Nivaldo Nunes Caetano. Há cerca de 1 ano, diz ele, o número de clientes que ficava sem o alimento não contabilizava nem metade do percentual registrado atualmente.

Conforme o JC divulgou há pouco mais de um ano, entre janeiro a outubro de 2015, já havia sido percebido aumento de 15% na demanda. A informação foi prestada durante visita a Bauru do secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro.

Gerenciada pela ONG Programa de Integração e Assistência à Criança e Adolescente (Aelesab), a unidade de Bauru recebe verba do governo do Estado para oferecer, também, 300 cafés da manhã por dia, com custo de R$,050. Há quem aproveite o preço baixo para garantir as duas refeições.

É o caso do ajudante de pedreiro Jean Davis Lourenço, 40 anos, atualmente desempregado. Na última quinta, ele chegou ao restaurante às 10h30 (hora de início do atendimento). "Eu tomo café às 8h e fico por perto entregando currículo. Tem que vir cedo para não ficar sem almoço. Eu mesmo já fiquei sem algumas vezes porque vim mais tarde", lembra.

NA PRAÇA

O Bom Prato fica na quadra 9 da rua Primeiro de Agosto, Centro. Tendo em vista a grande procura, é comum pessoas que tomam o café da manhã e esperam pelo almoço próximo ao restaurante, geralmente, na praça Rui Barbosa.

Aposentado por invalidez após sofrer três derrames, Paulo Flávio Lourenço Moura, 64, é um dos que tem este costume. "Eu fico ali na praça", diz ele, que mora no bairro Fortunato Rocha Lima. Muito religioso, Paulo tem outro hábito: o de se ajoelhar diante da mesa e orar antes de começar a comer.

"Agradecer pelo alimento barato, pois muitos não têm", frisa o aposentado, garantindo que frequenta o Bom Prato há dois anos e meio, todos os dias, sem falhar. "A comida por aí está muito cara", observa.

O aumento da procura pelo Bom Prato é reflexo da situação de miséria em que muitos se encontram, atualmente. Conforme o JC divulgou em outubro, mais de 700 famílias de Bauru voltaram à condição de vulnerabilidade. A demanda por cestas básicas na prefeitura, por exemplo, aumentou 40% no último mês.

SUBSÍDIO MAIOR

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado disse que, em outubro deste ano, o governo aumentou em 10,09% o subsídio das refeições a entidades gestoras do Bom Prato. "Com isso, o valor repassado pelo governo passou de R$ 4,81 para R$ 5,19 para o almoço e de R$ 1,53 para R$ 1,63 para o café da manhã".

Pedidos de crianças e cardápio variado confirmam o cenário

Conforme o JC divulgou no último domingo, a escassez de renda provocada pela crise econômica atingiu de forma tão contundente as famílias que os brinquedos têm sido substituídos por alimentos na lista de pedidos de Natal de muitas crianças, em Bauru.

Em uma escola estadual da Vila São Paulo, a maioria dos pequenos escreveu que ansiava por "comidas gostosas" durante atividade escolar. Resultado: elas comeram à vontade no Habibs da Comendador Joaquim da Silva Martha, em ação solidária.

Na Cozinha Comunitária do Bauru 22, situação semelhante tem sido percebida. A entidade municipal oferece 200 refeições por dia e, ao contrário do Bom Prato, a oferta só não atende a demanda quando o cardápio é mais requintado.

"Nos dias em que oferecemos feijoada, bisteca ou carne de panela, por exemplo, a procura é maior. Nestes dias, 20 pessoas, em média, não conseguem o almoço porque esgota o limite", conta a nutricionista Beatriz de Paula Rasi. "Talvez porque essas famílias não têm condições de comprar esse tipo de alimento", avalia. 

A administração da Cozinha é de responsabilidade da Sebes, através da Ação Comunitária e Promoção Social (Acop) São Francisco de Assis.

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