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Fome Zero x Estado Zero


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O que preocupa no Fome Zero é o mimetismo da solução para os excluídos. Lula quer que famílias do Nordeste, as maiores da média nacional, comam pelo menos três vezes ao dia com R$ 50,00 por mês. Apenas o botijão de gás custa quase a metade disso. Os brasileiros não precisamos de esmola, mas sim de educação e trabalho para não sermos eternos excluídos.

Veja o que disse Horst Köhler, diretor alemão do FMI, criticando a política econômica e social de seu país no “Frankfurter Allgemeine Zeitung”. “O sistema educacional alemão, em especial o ensino superior, já não faz parte, há muito, da vanguarda mundial”. Köhler disse que houve um excessivo aumento dos sistemas de amparo social. Ele defende uma redução dos custos sociais do trabalho e dos impostos. Para Köhler, os cidadãos são responsáveis por si próprios e pelas condições de vida que devem conquistar a cada dia, com trabalho próprio.

Enquanto isso, o Brasil está em segundo entre os países de maior carga tributária sobre salário, atrás da Dinamarca e Pallocci afirma: “Não dá para diminuir a carga tributária”. Mas quando o PT era oposição dava! Lula dizia que os juros de FHC (25%) favoreciam os banqueiros. Hoje, os juros de Lula (26,5%) não favorecem mais e o Banco Central não baixa a taxa nem no centro espírita! E o site do Ministério do Planejamento ameaça: “No atual contexto de restrição fiscal, o espaço para a ampliação do investimento público será relativamente limitado nos próximos anos”. Sentiu?!

Sem educação decente - a cada 100 alunos do ensino fundamental, 41 desistem para trabalhar, por medo da violência ou por deficiência no ensino -, sem um clima favorável para a livre iniciativa e sem as reformas necessárias - que hoje o governo quer fazer, mas que Lula confessou em almoço na casa de Sarney (!) que o PT votava contra na época de FHC -, o Fome Zero não passará de mais um programa de manutenção da pobreza.

O IBGE apontou 2,2 milhões de desempregados nas seis regiões mais importantes do País e queda de 5,7% no rendimento médio do trabalhador, além da pior queda do comércio varejista dos últimos oito anos: 11,31% por conta dos juros altos e recuo da renda. Os investimentos na construção civil caíram 6% e, comparando com março de 2002, a redução de estoque de crédito na economia foi de 14,43%, as concessões de financiamento para compra de veículos de 24,3% e o crescimento do PIB projetado para 4,5% agora não passará de 2%. Tem mais. O desemprego na região metropolitana de São Paulo voltou a subir em abril e atingiu 20,6% no mês em que mais 110 mil pessoas ficaram desempregadas na região. A taxa anual de inflação de 8,5% será revista porque já chegou a 6%. A indústria teve a pior queda em 8 anos de 11,82% e o professor Ives Gandra Martins afirmou que a reforma tributária de Lula aumenta carga de imposto (37% PIB), caracterizando-se “confisco”, o que é inconstitucional. “Quem paga a conta é o assalariado, não o rico”, afirmou Gandra Martins. Mas o PT não era o partido do povo?!

Fome zero requer uma sociedade em que o Estado seja zero nos assuntos sobre os quais não lhe compete interferir, e seja pleno nas questões das quais tem o dever de cuidar. Palocci mandou avisar lá da Suíça que vai matar e esquartejar a inflação.

O famoso e não menos temido dragão apocalíptico da nossa frágil economia. Tomara Deus que o povo ainda esteja vivo para testemunhar o homicídio... Alguém viu São Jorge por aí? Vigiai e orai, pois o fim se aproxima! (O autor, André Arruda Plácido, é relações públicas e jornalista - andreplacido@bol.com.br)

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