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Alta tensão

NÉlson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Chamam a atenção dúvidas, desarranjos e erros que envolvem a mais cara obra das últimas décadas em Bauru. Certamente a mais importante de anos, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrito Industrial. Entre os temas, sugiro discussão sobre a instalação do sistema de energia elétrica na chamada ETE Vargem Limpa, cuja despesa, hoje, já atinge R$ 139 milhões.

Sem entrar no mérito dos interesses visíveis, e naturais pelo porte estrutural e financeiro da obra, considerei, a partir de levantamento leigo a respeito, relevante compartilhar uma aflição. A prefeitura decidiu instalar dois transformadores, com seus acessórios, para realizar a redução de energia necessária ao funcionamento da ETE (3,5 K) da linha de média tensão (13,8 K) presente nas ruas do Distrito Industrial. Quase todas as unidades industriais de Bauru recorrem à rede de 13,8 K para fornecimento de energia às suas instalações, alternativa que atende às unidades e interessa à concessionária, fornecedora exclusiva de energia nessa situação.

Entre as desvantagens da opção pela média tensão, segundo especialistas da engenharia elétrica com quem conversei na Unesp-Bauru, estão o maior valor da tarifa, oscilações de energia frequentes, dependência da concessionária, limitação de demanda no fornecimento e limitação no 'abastecimento' da ETE em curto prazo, com quatro módulos previstos para atender ao tratamento de resíduos sólidos para uma Bauru bem maior que a população atual de 360 mil habitantes.

Então, comparou-se a opção da média tensão com a de alta tensão (138 K). Segundo a tabela de preço de energia apresentada, a tarifa para o horário de pico para ligação vinda de 13,8 K é de R$ 23,19 por kW, das 19 às 22 horas. Nos demais horários, o valor cobrado pela energia de média tensão mencionada foi de R$ 8,11. Logo, a tarifa hoje para o funcionamento da ETE em 13,8 K seria de R$ 109.550,00 mensais, para funcionamento 24 horas. Já se o abastecimento fosse pelo linhão (138 kW), a tarifa praticada é de R$ 10,17 no intervalo de pico e apenas R$ 3,33 nas demais horas do dia. A fatura, então, seria de R$ 47.250,00. A diferença seria de R$ 62.300,00 por mês.

A questão, então, é discutir outros elementos. A Prefeitura não adotou, nesta fase, o projeto de energia para alta tensão, entre outros fatores, por receio na demora de aprovação das licenças. Segundo a Secretaria de Obras, uma indústria tenta, há mais de um ano e meio, aprovar seu projeto nesse segmento.

Assim, segundo o secretário de Obras Sidnei Rodrigues, entre prós e contras, foi decidido pelo abastecimento por média tensão porque a demanda atende ao início do funcionamento da ETE e o custo é reduzido. Já a opção pelo linhão exige subestação, cuja despesa seria de pelo menos R$ 7 milhões. Fala-se em R$ 9 milhões. Mas da discussão com o engenheiro elétrico André Andreoli, da Unesp Bauru, ouvi ponderações que merecem ser levadas em conta. Ele pondera que o custo da subestação, hoje, é menor, em razão da "nacionalização" da tecnologia e equipamentos.

Ademais, a alta tensão oferece demanda ilimitada de fornecimento, opção sem risco para oscilações típicas da média tensão, a tarifa é muito mais barata e, por último, nela a energia pode ser comprada no mercado aberto, sem dependência da CPFL. O " retorno" para o investimento pela alta tensão seria em 13 anos. A ETE é projetada para décadas.

Outros detalhe, o linhão em instalação passaria "dentro" da estação. Em se tratando, portanto, de projeto de envergadura, que diz respeito à maior e mais importante obra estrutural do município das últimas décadas, é fundamental que as escolhas recaiam sobre estudos aprofundados e que levem em conta o melhor para a comunidade bauruense no tempo, na alternativa, no custo e na segurança. Com a palavra o futuro prefeito, Clodoaldo Gazzetta, e próximo presidente do DAE, Eric Fabris.

 

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