É um erro dizer que o povo brasileiro não sabe votar condenando a democracia republicana, cujo voto proporcional permite que o honesto preocupado com o coletivo e muito bem votado seja puxador de voto dos corruptos pouco votados. Daí inicia a questão da utilização do público para benefício próprio, além da legislação eleitoral que, neste exemplo, não promove o bem nem a justiça numa maioria corrupta que legisla para si mesma. A corrupção torna-se institucionalizada, desta forma é uma questão também fundamental seria separar o público do privado, sendo que sempre foi uma questão complicada socialmente.
A liberdade individual até de fazer escolhas erradas e de possuir crenças equivocadas, seja nas ideologias religiosas e políticas, afetam somente o indivíduo e seu grupo, aí podem se apoderar do Estado como forma de obter recurso diante da incapacidade de gerar riqueza, evidentemente difere da subsidiariedade econômica da religião que valoriza a troca justa e a caridade. Ideologias caducas são retomadas como pensamento de direita ou de forma reacionária, mas sem uma nova proposta de mudança social como originariamente fazia a esquerda, sendo que atualmente também se tornou caduca em reproduzir antigos métodos da luta de classes.
Sendo este um método epistemológico de avaliação histórica das condições sociais com base nos meios de produção, ela se limita a uma crítica da sociedade tradicional que começa a ser desmontada após a Primeira Guerra Mundial. Sem ter grandes alternativas, se fortalece a visão definida em modos de produção constituída por dois elementos: as forças produtivas onde se encontra os meios de produção e a força de trabalho (proletário), por outro, as relações de produção onde os homens estabelecem entre si e com a natureza o processo produtivo de forma coletiva para sua sobrevivência.
O proletário torna-se um meio de produção ao vender sua força de trabalho, sendo que é também substituível. Nos dias de hoje a ciência possui um papel ideológico muito forte na sociedade global na concorrência entre países que inclui qualidade de vida, pois até o proletário e a religião defendem a sua importância, sem ter consciência muitas vezes de que os meios de produção (tecnológico e científico) substituem o trabalho vivo (pessoas) pelo trabalho morto (tecnologia), além de exigir sempre maior qualificação das pessoas que se dispõem ao proletariado, afinal o proletário nada mais é que uma pessoa que não produz riqueza em Karl Marx e vive de pagamentos por parte do empregador. Neste prisma que funciona o capitalismo, ou seja, na exploração daqueles que são incapazes de gerar riqueza e se limitam ao consumismo, por isso a frase de efeito do populismo: "Não fale em crise, trabalhe" se equivoca, onde a culpa recai no indivíduo dentro de uma crise coletiva resultante da irracionalidade política perante a ciência econômica.
Tal visão messiânica de superar crises no capitalismo através do trabalho está em condenar o privado em favor do público, o qual fez surgir a União Soviética, afinal o Estado também era ideológico para Marx e seus seguidores. Sem novas propostas com aceitação social e promessas que não podem ser cumpridas, se busca manter no poder a qualquer custo, assim a política com milagres apela ao populismo utilizando de prática antiga como o argumentum ad populum; onde moderados, de esquerda e direita ficam em evidência perante a opinião pública dentro da manipulação da sociedade de massa, sem questioná-la para não ferir a popularidade.
O que separa o público do privado é justamente o direito dentro de uma convenção social, pois é a lei que regula uma sociedade organizada seja nas repúblicas ou monarquias atuais. Se o Estado é ideológico, logo é uma expressão cultural e o direito reflete isso dentro das transformações de Estado. O sonho comunista faliu juntamente com o anarquista em condenar a ciência jurídica responsável por uma sociedade organizada e dividida em classes, ao mesmo tempo, coloca uma divisão entre proletários, afinal sem o curso de direito que tem a responsabilidade de conceituar também o Estado conduz a ser uma profissão rejeitada perante aqueles que condenam os profissionais liberais, ou se preferir microempreendedor individual.
O milagre de uma sociedade sem classe não pertence ao conceito política, pois existem muitas divisões entre representante político e cidadão como outros segmentos sociais, sendo até impossível de descrever aqui, mas o direito tem a função normativa de garantir uma igualdade formal de direitos e deveres nas mesmas condições de oportunidades. No período medieval não existia essa igualdade formal conquistada somente com o surgimento do constitucionalismo juntamente com os direitos humanos, sendo que resgata dois princípios antigos: isonomia como igualdade perante a lei e a isegoria como liberdade de pensamento e expressão. Se na Idade das Trevas o direito era divino fundado em textos sagrados, agora o Estado é resultado da Soberania Popular, cujo milagre é o povo que faz sem transferir responsabilidades, sendo que o Estado laico tem como base a igualdade de crença, ou seja, igualdade ideológica. Portanto o Estado é laico, mas não é ateu nem religioso; caso contrário seria confessional para um tipo de ideologia seja religiosa ou não. Na falta de criatividade o populismo resgata ideologias caducas como forma de sobrevivência de antigas verdades já superadas, ou mesmo práticas intolerantes que ferem a isonomia, pois o problema é o outro por não respeitar a família tradicional ideologicamente construída, nem é possível discutir o planejamento familiar questionando a família tradicional numa sociedade cada vez mais tecnológica, assim deixaram de lado o mérito que no capitalismo é medido pela produção de riqueza. A política sem milagres da filosofia do direito dentro do contratualismo é ignorada, onde o mérito foi privatizado dentro de interesses particulares e de grupos incapazes de gerar riqueza num mundo globalizado, assim fere o público com enriquecimento ilícito ou utiliza cargo público para benefício próprio contra o cidadão, desta forma inverte o papel de prestação de serviço em que o usuário deveria ser beneficiário. Tal questão não afeta o setor privado, pois a empresa vê o funcionário como algo substituível e a imagem do serviço prestado deve ser preservada, cuja gestão deve evitar a falência e suas causas.
Condenar o privado como pensa o marxismo em favor do coletivo fere a religião dentro da sociedade tradicional, por isso qualquer solução política deve agradar e beneficiar a maioria num sentido econômico, pois a arrecadação dos impostos é de interesse coletivo, sendo que a finalidade não é perseguir a capacidade de produzir riquezas. Não se pode dizer que a causa da desigualdade econômica é culpa da burguesia como transferência de responsabilidade, nem justificar religiosamente pela falta dos dons do espírito, afinal política pública não é obra de caridade nem impostos são doações, mas ser igual a todos no sentido jurídico com critérios aceitos por todos de forma inclusiva e racional. O Estado deve ser um fomentador de empreendedores, não um meio de exploração da burguesia como pensava Marx. Afinal política pensa o coletivo acima do individual, neste ponto o público está acima do privado, caso o privado queira tirar vantagem usando o coletivo torna-se corrupção tipificados em lei, cujo sucesso é medido pela riqueza gerada não roubada.
A política sem milagres não pode pregar uma promessa messiânica em que todos serão beneficiários dentro de recursos escassos, nem a visão progressista da esquerda permite um salvacionismo, seja através da moral ou do conhecimento, pois a crítica social vai além da simplicidade de encontrar culpados entre burgueses e proletários, não se pode condenar o progresso científico e tecnológico através da valorização retrógrada do passado campesino. As universidades protagonistas do progresso dependem da própria ciência e tecnologia criada por pessoas produtoras do saber no trabalho vivo que, por sua vez, colabora para a ampliação do trabalho morto, cuja lógica do capitalismo só permite crescimento populacional dentro do crescimento econômico sem crise e de forma organizada, pois as possibilidades estão em ser um investidor ou mesmo empreendedor. Afinal o excesso de proletário gera pobreza, principalmente se a pessoa for desempregada por não ter pagamento nem ter alguém que compre sua força de trabalho.