Bairros

O encontro da música com a natureza

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Douglas
Lô Borges é um dos nomes mais populares que já passaram pelo projeto 

Um projeto criado para levar cultura, entretenimento e lazer aos visitantes em meio à natureza. Assim é "Um Canto no Botânico", programa criado pelo Jardim Botânico de Bauru, que une arte e meio ambiente por meio da boa música. O projeto encerrou em 2016 a sua oitava edição. Anualmente, o Canto tem início em setembro para celebrar o início da primavera e o Dia do Cerrado, e termina em dezembro.

O festival da boa música ocorre nas manhãs de domingo, na Praça dos Bambus do Jardim Botânico. São realizadas quinzenalmente apresentações musicais de artistas de Bauru e de outras localidades. O repertório eclético abrange MPB, bossa nova, chorinho, música regional, entre outros, assim como apresentações de corais e orquestras. Segundo o diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto, tudo começou em 2008.

"Passamos pela experiência de comemorar o Dia do Turismo Ecológico no Botânico. A ideia foi levar pessoas a fazerem um passeio pela trilha e pelo jardim com a orientação de monitores. O final do passeio terminou com a apresentação de um madrigal (coral reduzido) na praça dos bambus. Os presentes adoraram e, a partir deste momento, tive a ideia de transformar o que aconteceu em um projeto de música, mas o projeto foi idealizado pelo Botânico", relata.

'Vida longa ao Canto'

Mais de 200 artistas, entre cantores e músicos, já passaram pelo Um Canto no Botânico, de acordo com estimativas da direção do Jardim Botânico. Bitenka Bittencourt é um deles. Ele já se apresentou em duas edições do projeto.  Compositor, intérprete e instrumentista, Bitenka, que apresenta shows em Bauru, região e outros Estados, com um trabalho autoral e interpretações de grandes compositores, comenta sobre a riqueza do projeto musical do Jardim Botânico. 

"É um espaço que valoriza o músico, que pode levar uma proposta mais aberta ao público. Além disso, o Canto leva o bauruense até a natureza do Cerrado, um espaço que ainda é desconhecido por muitos. E estar em meio à natureza é algo muito interessante, que acalma e dá paz", enumera. 

Projeto alcançou sua oitava edição e continua em 2017

Tudo começou com a comemoração do Dia do Turismo Ecológico em 2008, segundo o diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto. O passeio ecológico terminou com música e inspirou o nascimento do "Um Canto no Botânico", que teve sua primeira edição no ano seguinte. Leia a entrevista onde o diretor do Botânico dá detalhes sobre o projeto que já faz parte do calendário cultural de Bauru.

Jornal da Cidade - Como nasceu o projeto "Um Canto no Botânico"?

Luiz Carlos de Almeida Neto - Em 2008, passamos pela experiência de comemorar o Dia do Turismo Ecológico no Botânico. A ideia foi levar pessoas a fazerem um passeio pela trilha e pelo jardim com a orientação de monitores. O final do passeio terminou com a apresentação de um madrigal (coral reduzido) na praça dos bambus. Os presentes adoraram e, a partir deste momento, tive a ideia de transformar o que aconteceu em um projeto de música, mas o projeto foi idealizado pelo Botânico.

JC - E quando a primeira edição tocou as suas primeiras notas?

Luiz Carlos - Em 2009 tivemos a primeira experiência do projeto com o nome "Um Canto no Botânico", o encontro da música com a natureza. Tal experiência foi um sucesso, tanto de aceitação do público quanto do impacto ao Botânico, o que era uma de minhas preocupações. Som na altura certa, sem lixo, sem barulho do público presente...

JC - Quantas edições já foram feitas?

Luiz Carlos - Finalizamos recentemente a nossa oitava edição consecutiva. E me orgulho muito disso.

JC - Quantos artistas já passaram pela praça dos bambus?

Luiz Carlos - Mais de 200, contando entre cantores e músicos.

JC - Como é feita a escolha desses artistas?

Luiz Carlos - Com o tempo, o projeto acabou por selecionar estilos musicais que causam o menor impacto sonoro possível, pois não podemos esquecer que estamos ao lado de um ambiente natural. Desta forma, foram escolhidos estilos como MPB, chorinho, Bossa Nova, música clássica... interpretados por duos, conjuntos, orquestras, corais, entre outros. Normalmente, estes profissionais são de Bauru ou moram em Bauru. Nesta oitava edição, por exemplo, trouxemos um grupo de choro de Jau.

JC - Quais foram os shows mais marcantes?

Luiz Carlos - Esta é uma pergunta de difícil resposta, pois ao passar pela experiência de estar próximo destas pessoas que trabalham com música, nós percebemos como nossa cidade é privilegiada de talentos. Sendo assim, cada show é marcante, pois no repertório de cada apresentação sempre tem algo que foi ou ainda é especial em nossas vidas, tornando o show, desta maneira, individualmente especial.

JC - Quais são os artistas mais conhecidos que já passaram pelo palco do Botânico?

Luiz Carlos - normalmente, artistas com nomes mais reconhecidos fazem o encerramento das edições. Podemos citar: Tetê Espíndola, Saulo Laranjeira, Lô Borges, Lula Barbosa, Cláudio Nucci, Toninho e Ferragutti. Este ano tivemos o encerramento com a Orquestra Sinfônica Municipal, que fez um show fantástico.

JC - Em média, quantas pessoas assistem aos shows?

Luiz Carlos - De 200 a 350 pessoas, mas já tivemos picos bem maiores que estes.

JC - Na sua visão, qual é a importância do "Um Canto no Botânico" para Bauru?

Luiz Carlos - O "Canto" se tornou mais uma opção cultural gratuita para nossa cidade. Tornou-se mais uma opção de trabalho para os músicos, mais uma opção de divulgação destes trabalhos, mais um local para se ouvir estilos musicais que hoje não são mais populares, mais um local para rever amigos e estar com a família em um ambiente para lá de especial. O "Canto" também trouxe a oportunidade de divulgar o Jardim Botânico para várias pessoas que ainda não o conheciam e passaram a ser frequentadores.

JC - Quem paga pelos custos do projeto?

Luiz Carlos - A verba que cobre os custos do projeto vem de parceiros que o Jardim Botânico possui. Para os shows de encerramento, desde o início, contamos com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

JC - Com a nova administração, o "Canto" deve continuar?

Luiz Carlos - Com certeza, pois assim como o prefeito Rodrigo Agostinho, o prefeito eleito Clodoaldo Gazzetta conhece e valoriza os trabalhos e projetos realizados pelo Jardim Botânico.

JC - Já há previsão para a nova edição, em 2017?

Luiz Carlos - Sim, o "Canto" normalmente começa em setembro e termina na primeira semana de dezembro, mas ainda não começamos os planejamentos.  

Abrigo de riquezas naturais 

Refúgio para espécies ameaçadas de extinção, celeiro de pesquisas científicas, escola ambiental, cenário para projetos culturais e lugar ideal para quem quer apenas caminhar em meio a tranquilidade da natureza. O Jardim Botânico Municipal de Bauru é tudo isso e muito mais.

O espaço está inserido dentro de uma unidade de conservação, que aliada às áreas protegidas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Lauro de Souza Lima, mantém um hotspot (área importante para a conservação e que mantém alta biodiversidade) de cerrado, mantendo em sua reserva uma riqueza incalculável de plantas e animais nativos.

De acordo com o diretor do Jardim Botânico, Luís Carlos Almeida Neto, o que mede um jardim botânico é sua estrutura e os trabalhos que realizam. "O de Bauru já é importante por sua própria reserva de 321 hectares (um hectare tem aproximadamente as medidas de um campo de futebol). Juntos somam 800 hectares de reserva de cerrado, o que quase não existe mais no Estado. É preciso preservar o que ainda temos", deixa o alerta.

Celeiro para pesquisas

O Jardim Botânico também é destaque quando o assunto são as pesquisas científicas, o que ocorre graças às parcerias com institutos e universidades e ao fragmento grande de vegetação nativa que representa.

Trilhas

Além do cerrado, nas trilhas, os visitantes podem observar espécies da floresta estacional, ou mata atlântica do interior de São Paulo, como também é conhecida.

Prêmios

O Jardim Botânico de Bauru ainda é premiado. Em 2006, ele recebeu um prêmio do programa realizado pela Rede Brasileira de Jardins Botânicos, o "Investindo na Natureza no Brasil". O projeto escolhido foi o "Pteridófitas: Educação e conservação - Uma proposta do Jardim Botânico de Bauru".

O dinheiro do prêmio, cerca de 15 mil libras esterlinas, na época, foi destinado para a construção do prédio e da coleção de samambaias, além de servir para a edificação de um laboratório de horticultura e da educação ambiental de mais de 2 mil crianças.

Visitas monitoradas

Além das visitas comuns, o Jardim Botânico também oferece visitas monitoradas, por meio do Programa de Educação Ambiental, aos alunos das redes pública e privada de ensino de Bauru e de outras cidades. As visitas podem ser agendadas pelo e-mail: jbbauru@ibest.com.br. 

Entrada: diariamente, das 8h às 16h (inclusive aos sábados, domingos e feriados).

Trilha ecológica: aberta à visitação das 8h às 16h.

Endereço:

Entrada pelo Zoológico Municipal de Bauru. Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), km 232, Bauru - SP. Contato: (14) 3281-3358. A entrada é franca. Mais informações: www.jardimbotanicobauru.com.br.

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