| Alex Mita |
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| Gobbo, do Cremesp, lembra que média é próxima à da Europa |
Estudo produzido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que a região de Bauru possui 1,87 médico para cada mil habitantes - ou quase um profissional para cada 500 moradores. A média é menor do que a registrada pelo Estado (de 2,79) e também está abaixo do índice recomendado pelo Ministério da Saúde, de 2,5.
Mesmo assim, o Cremesp local avalia que o resultado não é ruim. "Estamos em um nível muito bom, próximo ao de países europeus", considera o conselheiro do órgão em Bauru, Carlos Alberto Monte Gobbo.
Intitulado Demografia Médica Paulista, o levantamento aponta que, na região abrangida por 68 municípios, existem 3.260 médicos para uma população de 1.744.292 pessoas. Entre as especialidades mais comuns, estão pediatria (com 256 médicos), clínica médica (199) e ginecologia e obstetrícia (193). Já as com menor número de profissionais estão genética médica (2); medicina esportiva (4) e radioterapia (5).
A região com maior densidade de médicos é a de Ribeirão Preto, com razão de 3,32 profissionais por mil habitantes, seguida pela Grande São Paulo (3,05). Na outra ponta, estão as regiões de Registro e de São João da Boa Vista, com as menores densidades: 0,86 e 1,37 médicos para cada mil habitantes, respectivamente.
"Estes índices estão relacionados às oportunidades de trabalho. Conforme a demanda de cada região, em um determinado momento, o mercado começa a ficar estagnado", analisa o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) na região de Bauru, Samir Salmén.
QUALIDADE
Mas, mais do que quantificar, Gobbo avalia que é preciso realizar a análise qualitativa desses dados. "Hoje em dia, infelizmente, não há muitos atrativos para a formação de médicos generalistas. E, com bons médicos generalistas, 80% da demanda poderia ser resolvida na atenção básica (como postos de saúde, por exemplo), com redução significativa da fila por consultas em especialidades", comenta.
Gobbo ainda critica o fato de as faculdades de medicina serem, hoje, demasiadamente compartimentadas, com foco nas especialidades, que "não se conversam dentro da unidade". "Precisamos discutir que tipo de profissionais estamos formando", alerta.
A mesma crítica é feita por Salmén. Segundo ele, a partir da década de 1980, com a expansão do Sistema Único de Saúde (SUS) sem a devida ampliação da rede hospitalar, as faculdades acabaram se transformando em locais de prestação de serviço. "Elas passaram a atender a demanda que os hospitais filantrópicos não conseguiam absorver. E este é um dos motivos da queda do nível de ensino na área, o que não ocorria quando as faculdades eram centros de excelência de educação e pesquisa científica", argumenta.
Faculdade de medicina
O estudo do Cremesp e da FMUSP também fez o levantamento das cidades do Estado com maior densidade médica. No topo do ranking, estão Santos (com 6,9 médicos por mil habitantes), Botucatu (6,45), Ribeirão (6,2), Presidente Prudente (5,82) e São José do Rio Preto (5,56). Coincidentemente ou não, todas elas possuem faculdades de medicina. Conforme o JC publicou, a Uninove, confirmada pelo Ministério da Educação como mantenedora da faculdade privada de medicina que será instalada em Bauru, manifestou interesse em dar início às atividades do curso no segundo semestre de 2017.
