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Prefeitura cobra segurança contra incêndio, mas não tem o seu AVCB

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos/JC Imagens
Não foi escolhido um reservatório de água aparente para não prejudicar a arquitetura do prédio

A necessidade do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para garantir que estabelecimentos públicos ou privados com grande circulação possuam as condições adequadas de segurança contra incêndio veio a público, de forma mais incisiva, após a tragédia da boate Kiss, de Santa Maria (RS), onde 242 pessoas morreram carbonizadas ou asfixiadas. Quase quatro anos depois, a Prefeitura de Bauru ainda não possui o documento para o prédio em que funciona sua sede, o Palácio das Cerejeiras.

Apesar de preocupante, o lado curioso dessa história é que o AVCB integra a lista de exigências para a liberação de alvarás a empresas, tarefa de incumbência da administração municipal.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirma que, há muito tempo, seu governo trabalha para viabilizar as adequações necessárias a fim de que o Palácio das Cerejeiras obtenha a certificação de segurança da corporação militar.

Até agora, no entanto, a administração não conseguiu sequer concluir o projeto, que precisa ser submetido à análise do Corpo dos Bombeiros, antes da execução das intervenções necessárias. Essa etapa só deve ser finalizada em janeiro, já sob a gestão Clodoaldo Gazzetta (PSD).

Este projeto está sendo elaborado e apontou a necessidade de construção de um novo reservatório enterrado, destinado exclusivamente para eventuais emergências.

A arquiteta Greice Romano Rodrigues, diretora na Secretaria de Planejamento, explica que a equipe não optou por uma caixa d'água aparente para não prejudicar, sob o ponto de vista arquitetônico, o Palácio nem a Praça das Cerejeiras.

A decisão, porém, exigiu a contratação de uma sondagem de solo sob o prédio para garantir que a instalação do reservatório. O estudo já foi licitado, contratado e executado.

Agora, segundo Greice, o projeto poderá ser concluído e, depois de aprovado pelo Corpo de Bombeiros, a administração terá de colocá-lo em prática. O custo total das intervenções, incluindo a construção da caixa d'água, ainda não pode ser estimado, mas a servidora garante que o valor não é alto.

"Existe rede de hidrante lá, mas, como tem muito papel no Palácio das Cerejeiras, identificou-se a necessidade desse reservatório. Independentemente disso, avançamos muito lá no prédio, com corrimão e sinalização interna, por exemplo", pontua Rodrigo Agostinho.

Rodrigo Agostinho defende prédio da Nuno de Assis como arquivo

Rodrigo Agostinho afirma que todas as obras de construção e reformas de prédios públicos, especialmente escolas e unidades de saúde, foram providenciadas considerando todas as exigências de acessibilidade e segurança. Por outro lado, reconhece a existência de casos ainda mais alarmantes que o do Palácio das Cerejeiras.

O maior problema está no prédio da prefeitura localizado na quadra 14 da avenida Nuno de Assis. Lá funcionam, por exemplo, as secretarias de Obras e Planejamento.

No imóvel, que tem mais de um pavimento, não há sequer elevador e seu principal acesso exige a subida de uma escadaria. "Para minimizar isso, concentramos todos os serviços de atendimento ao público no térreo. Mas lá existem também sérios problemas do ponto de vista de conforto do servidor. O local é muito quente. Por isso, gasta-se muito com ar-condicionado. Há deficiências estruturais. As calhas estão subdimensionadas", admite Rodrigo. O prefeito cessante defende que, em algum tempo, o prédio seja desativado como centro administrativo e funcione apenas como arquivo. "Hoje, a prefeitura paga aluguel de quase 10 imóveis para essa finalidade".

PROPOSTA

Durante a campanha eleitoral, Clodoaldo Gazzetta (PSD) defendeu a construção de uma nova sede administrativa para a Prefeitura de Bauru, por meio de Parceria Público-Privada (PPP). O custeio dos serviços no local se viabilizaria com a redução de valores gastos com aluguel. 

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