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'Se me tirarem o prazer de ajudar, não vivo mais

Marcus Liborio
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Marcus Liborio 
Dona Aurora ao lado da filha Maria Lauridia Antonelli Vieira 

As calejadas e hábeis mãos de dona Aurora Ninin revelam uma lista imensa de trabalhos voluntários realizados ao longo da vida. Aos 92 anos, a disposição ainda é de uma pessoa jovem e nem mesmo os problemas de saúde decorrentes da idade foram empecilhos para tornar mais feliz o Natal de dezenas de crianças, doentes e idosos. 

"Se me tirarem o prazer de trabalhar e ajudar, não vivo mais", resume Aurora, que se prontificou a produzir, sozinha, mimos natalinos que a Casa da Sopa da Vila Dutra entregará nos festejos ao nascimento do menino Jesus. Nos últimos 40 dias, ela conseguiu fabricar 6 mil saquinhos de balas, feitos com máscaras cirúrgicas.

"É uma terapia, uma forma de passar o tempo, sabendo que estou ajudando as pessoas", ensina dona Aurora, que atua em parceria com a entidade desde 2010. "Pretendo fazer mais no ano que vem, no outro, até quando eu puder. Se me pedirem, eu faço com prazer e carinho", destacou a voluntária, enquanto revelava o segredo de seus mimos à reportagem. 

TECENDO

Dona Aurora não falha um dia sequer na produção das "minicestas". Primeiro, ela tira o ajuste nasal (material semelhante a um arame bem fino) e costura a máscara na forma de um saquinho, onde são colocadas nove balas, um chiclete e um pirulito.

"Às vezes, ela fica até quase meia-noite produzindo e tenho que falar: 'Mãe, você precisa descansar um pouco'", conta a filha de Aurora, Maria Lauridia Antonelli Vieira, 67 anos, complementando que os mimos são distribuídos em escolas, hospitais, asilos e instituições que cuidam de crianças e pessoas com deficiência (Apae, por exemplo). 

Além das "minicestas" com máscaras cirúrgicas, Aurora produz roupinhas de bonecas. "E olha que ela não é costureira de profissão, sempre foi dona de casa. Porém, costumava costurar para os familiares", revela Lauridia. 

Atualmente, dona Aurora reside na Vila Independência. Ela nasceu em Olímpia e mudou-se para Gália aos 4 anos.  Em 1964, passou a viver em Bauru. Viúva e mãe de oito filhos (quatro falecidos), ela é exemplo de vitalidade e garra também para os seus 10 netos e quatro bisnetos.

'MAGIA DO NATAL'

Coordenadora da Casa da Sopa, Rose Lopes destaca o espírito perseverante de dona Aurora. "Ela tem osteoporose, já quebrou o fêmur e teve pneumonia no começo do ano. Mesmo assim, não para com o trabalho voluntário. Isto nos faz acreditar na magia do Natal. Um exemplo de que os idosos podem fazer algo para ocupar o dia e ainda ajudar os outros". 

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