Tribuna do Leitor

Não vai deixar saudades

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 3 min

Comparando muitas cidades paulistas com Bauru, posso afirmar que somos uma das cidades mais feias e desorganizadas do Estado por culpa exclusiva dos oito anos de Rodrigo Agostinho. Nossas ruas são indecentes, o trato ambiental é deprimente e a gestão dos serviços públicos deixou a desejar. Registro alguns casos emblemáticos para explicar.

Na quadra 17 da av. Nações Unidas, dois meses atrás, a Emdurb aumentou a curva do retorno, tirando parte do canteiro para transformá-lo em via. Tive a pachorra de fazer fotos do serviço naquele dia. Os peões alisaram a terra, fizeram um Xis com piche (um xis!!!) e jogaram a farofa preta do asfalto por cima da terra seca. Era evidente que aquilo nunca iria funcionar. E não funcionou.

Em três semanas apareceu o primeiro buraco na infiltração, que dias depois foi tapado do mesmo jeito primário que fazem em toda a cidade, jogando asfalto de forma negligente.

Na sequência, à falta de uma base minimamente decente, as deformações surgiram e, menos de quatro meses depois daquela porcaria inicial, já são quatro remendos numa via deformada, digna de rally para Jeeps 4x4. A Secretaria de Obras desperdiça material, tempo, dinheiro e elemento humano para fazer serviços de forma negligente, irresponsável e sem técnica alguma.

A triste ironia é que 100% das obras de reparo deixarão os caminhos piores do que já eram antes do remendo. É a cara da prefeitura.

Durante essa gestão, muitas longas avenidas foram duplicadas: Nações Norte, Janio Quadros, Comendador José da S.Martha, Água do Sobrado, etc. Sabem quantas árvores foram plantadas nessas vias? Zero. Isso mesmo. Nenhuma. Embora a PMB tenha um canteiro de mudas à disposição, nenhuma árvore foi ou é plantadas nas ruas e praças de Bauru. Pior ainda, nunca, na história da cidade, a Semma foi tão ativa no corte de árvores.

Dias atrás foi a vez de várias das imensas sibipirunas, na calçada do Cristino Cabral, virarem lenha. O que foi rua sombreada hoje é a típica frigideira de toda nossa cidade. A ironia está no fato de que a Semma do Rodrigo declarou que, negligente, era a Semma do passado, quando plantaram árvores grandes. Passou a cortar e autorizar o corte de forma covarde e indiscriminada para "preservar calçadas". Sombras nas ruas é coisa do passado, ainda que também só de cidades desenvolvidas...

A cara da gestão Agostinho é o parque Vitória Régia: seco, feio, erodido, esburacado. Calçadas retorcidas. Canteiros com terra nua. Capim braquiária no lugar da grama. Nada se plantou de novo e mal se cuidou do que tinha! E pensar que aquilo foi cartão de visitas da cidade... Quanto ao trânsito, nunca se viu tantas intervenções espúrias da Emdurb. Quadras contramão em ruas de dois sentidos, proibições gerando retornos de cinco quarteirões onde o fluxo era regular, quilômetros de faixas amarelas a subtrair as poucas áreas de estacionamento e lombadas, muitas lombadas.

Mesmo sendo o Brasil um dos poucos países que mais porcamente faz uso disso, a Emdurb coloca Bauru em destaque no contexto nacional. Qualquer solução tem que passar pela instalação de lombadas. Deve ser fácil administrar a cidade pelo googlemaps, porque nenhuma mudança se sustentaria com a visita de um dos seus técnicos ou à consulta dos cidadãos.

Na economia, não só não se viu um único trabalho de recuperação do parque industrial como, de forma triste, vimos grandes empresas fecharem ou mudarem-se para cidades vizinhas em busca de incentivos. Enfim, Rodrigo é a prova viva de que uma pessoa boa pode não vir a ser um bom gestor. Ele nem sabe disso que foi relatado aqui. Ou não se importa. Seus secretários, muito menos.

Diretores e técnicos, ah, por favor, todos devem ter mais o que fazer em casa. Bauru ficou oito anos entregue aos peões e capatazes. Rogo para que o novo prefeito seja mais capacitado ao menos para escolher seus auxiliares, pois o trabalho para retomar o desenvolvimento da cidade é hercúleo. Que essa política de terra arrasada tenha um fim. Rodrigo vai, mas não deixa saudades.

 

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