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Região tem novos espaços culturais

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 8 min

Divulgação
Agudos recupera o antigo Cine Teatro São Paulo

Em três cidades da região, antigos prédios são restaurados para virar modernas instalações culturais, mas os empreendimentos demoram até 10 anos. A dificuldade vai de conseguir verbas a captação de recursos, via leis de incentivos fiscais. Neste ano, Lençóis Paulista concluiu o Teatro Municipal "Adélia Lorenzetti", um dos mais modernos da região. Em Botucatu está na fase final o Fórum das Artes que ganhou apelido de Pinacoteca que está restaurando um prédio do século passado e Agudos recupera o antigo Cine Teatro São Paulo.

O projeto do teatro de Lençóis é do arquiteto bauruense Jurandyr Bueno de Camargo que utilizou parte da estrutura de um dos imóveis da Siderúrgica Lençóis Paulista (Sidelpa), desativada nos anos 80. Hoje a construção apresenta 200 m² de área construída com capacidade para 580 espectadores.

O diretor de Cultura de Lençóis, Nilceu Aparecido Bernardo, conta que o empreendimento custou cerca de R$ 7,2 milhões, dos quais 75% do valor foram obtidos junto à iniciativa privada por meio da Lei Rouanet e 25% recursos da prefeitura, diluídos ao longo de oito anos de construção. Conhecida como Cidade de Livro, o município tem uma produção cultural ativa com três grupos de teatro, orquestra e grupos de danças.

Em Botucatu, após 10 anos com o antigo prédio do Fórum fechado, até o ano que vem será entregue à população um empreendimento que vai custar cerca de R$ 17 milhões oriundos do governo do Estado e do município. A área fica no Centro da cidade e será um dos mais modernos espaços culturais, mantendo a característica da arquitetura eclética.

O secretário municipal de Cultural, Osni de Pontes Ribeiro Junior, conta que quando o município recebeu o prédio estava bem crítico. O Poder Judiciário alegava que as instalações não tinham mais condições de uso. A obra foi iniciada em 2013 e deveria ser entregue no final deste ano, porém o restauro deve se estender até abril ou julho, quando será inaugurado pelo prefeito que toma posse em janeiro do ano que vem, Mário Pardini (PSDB).

As três obras guardam semelhança na demora de executar o projeto. O repasse de verba nunca é contínuo. No caso de Agudos, o antigo Cine Teatro São Paulo passa por reforma completa.

A fachada já ganhou as características do que era no passado. Quem comanda desde 2012 a reforma é o coronel da reserva José Mauro Napoleone, neto do antigo dono do prédio Archangelo Napoleone. O empreendimento vem sendo recuperado com verbas de incentivos fiscais. Em torno de R$ 1,3 milhão já foi investido. A obra está na fase de acabamento. A data de inauguração ainda é incerta.

Imóvel de siderúgica vira teatro

Não poderia ser diferente em uma cidade com forte parque industrial como Lençóis Paulista transformar a antiga estrutura da Siderúrgica Lençóis Paulista (Sidelpa), desativada nos anos 80, nas modernas instalações do Teatro Municipal "Adélia Lorenzetti". Diferente de outras cidades que aproveitaram o cinema antigo, a prefeitura acabou adquirindo a área e deu destinação cultural.

A obra demorou para sair do papel. Foram oito anos. O espaço foi projetado para receber grandes espetáculos e possui acessibilidade em todas as áreas, como banheiros, plateia e palco, além do fosso para apresentação de orquestra, quartelada removível regulável (para espetáculos de mágica), camarins e ainda completo projeto que inclui cenotécnica, acústica e sonorização com projetor de vídeo e telão retrátil.

O projeto arquitetônico foi assinado por Jurandyr Bueno Filho, falecido em 2009. "Trabalhamos conforme fomos captando as verbas e investindo. A obra não ficou parada em nenhum momento", cita o diretor de Cultura, Nilceu Bernardo, ao lembrar que não foi possível o município no ano 2000 reaproveitar o prédio do antigo cinema que fica no Centro, onde hoje é uma escola e uma galeria de lojas.

O investimento total no novo teatro foi de R$ 7,2 milhões, dos quais 75% do valor foram obtidos junto à iniciativa privada por meio da Lei Rouanet e 25% dos recursos da prefeitura. Praticamente é um prédio novo, se aproveitou pouco do antigo imóvel.

Bernardo relembra que a Sidelpa faliu. Na gestão do prefeito Adilson Wanderlei Bernardes, Dingo, comprou a área toda do Banco do Brasil, mas o projeto começa a tomar forma na gestão do segundo mandato do prefeito José Antonio Marise (PSDB), quando a diretora de Cultural era Izabel Cristina Lorenzetti, atual prefeita do município. "Da antiga instalação da siderúrgica se aproveitaram oito colunas. Quando se avaliou, pensávamos que poderia reaproveitar o telhado, mas não foi possível", conta o diretor.

O primeiro projeto executivo de R$ 80 mil foi bancado por uma empresa pertencente à família da atual prefeita. Daí se constituiu a Associação Lençoense de Incentivo da Cultura (Alic). "Foi muito difícil, afinal foi o primeiro projeto da Lei Rouanet na história da cidade", conta Bernardo.

A obra foi projetada com uma excelente acústica e o espectador sentado em qualquer ponto da plateia tem uma visão total do palco.

O prédio leva o nome de Adélia Lorenzetti, esposa do ex-prefeito Antônio Lorenzetti Filho, ambos falecidos.

A gestão do teatro não ficou definida, porque a administração está em processo de transição para o novo governo. Na última eleição se elegeu o candidato Anderson Prado de Lima (Rede) que toma posse em 1 de janeiro de 2017. "No começo do ano será discutido e definida a gestão. Não sabemos como será definida", contou.

Botucatu vai ganhar o Fórum das Artes

A obra já está no acabamento final. O Fórum das Artes é um empreendimento que recuperou as antigas instalações do Fórum de Botucatu projetado na década de 1920 pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo. Agora vai abrigar o Museu Municipal de Arte Contemporânea Itajahy Martins no 1.º andar, o acervo da Pinacoteca do Estado onde também tem uma galeria anexa para exposições temporários (que já está em funcionamento) no 2.º andar e a parte administrativa da Secretaria de Cultura no subsolo. O investimento é de cerca de R$ 17 milhões - a maior parte aportes do governo do Estado. 

O imóvel tem área total construída de 2.878 m², com subsolo, térreo, primeiro e segundo pavimentos. Ele foi revertido à prefeitura, depois que a estrutura estava precária e o Poder Judiciário construiu nova sede. "Quando o prédio foi abandonado ficou 10 anos sem manutenção", ressalta o secretário municipal de Cultura de Botucatu, Osni de Pontes Ribeiro Junior. 

O Fórum das Artes deveria ser entregue no final deste ano. "O que falta é elevador especial para acessibilidade, um gerador e ainda parte do acabamento", comenta. Diante disso deve ficar a inauguração para abril ou julho do ano que vem.

Na edificação haverá espaço para exposição de acervo da Pinacoteca do Estado. A proposta é que o grande salão do júri do primeiro pavimento seja ocupado com uma exposição de longa duração. As salas menores deste andar serão utilizadas para exposições temporárias de fotografia e gravura.

Segundo o projeto proposto, o MAC Itajahy Martins será instalado no térreo do edifício. A tradicional instituição museológica da cidade, hoje localizada no Espaço Cultural, tem cerca de 300 obras de importantes artistas nacionais e internacionais, com grande potencial de interagir com o acervo da Pinacoteca. "O MAC Itajahy Martins é muito dinâmico com visitação intensa. A cidade foi construindo essa tradição, é um museu muito antigo. Nos últimos anos dinamizamos muito. A responsável pelo museu, Cláudia Basseto, deu uma visibilidade muito grande", cita.

Segundo o secretário, o custeio anual desse empreendimento cultural é estimado de R$ 2,5 milhões a R$ 4 milhões ao ano.

Antigo cinema de Agudos passa por restauração

Já do meio da Praça Tiradentes em frente ao Paço Municipal se avista a fachada do Cine Teatro São Paulo com características da arquitetura eclética do início do século passado. No alto da pequena sacada tem a inscrição na antiga ortografia da palavra Theatro. O antigo cinema de Agudos vem sendo recuperado desde 2012 por meio de leis de incentivos fiscais. Ainda falta muito para esse imponente prédio, erguido no início do século passado, volte a ser frequentado pela população como moderno teatro e biblioteca.

A Associação de Defesa do Patrimônio Histórico de Agudos (Adeplha) coordena a captação de recursos e toda a obra de recuperação. Quem está à frente desde o começo do projeto de restauração, tendo ocupado a presidência por dois mandatos da entidade de preservação e atual vice-presidente é o coronel da reserva e engenheiro mecânico José Mauro Napoleone, o Malo. Essa dedicação tem um motivo familiar: o prédio pertenceu ao avó Archangelo Napoleone, construtor do prédio, de igrejas e de outros imóveis históricos do município.

Com o fechamento do cinema nos anos 80, o prédio esteve ameaçado de ser demolido e alugado para uma igreja evangélica. Foi quando despertou a preocupação de retomá-lo e dar uma destinação cultural. O problema, no entanto, é que, na época, a prefeitura não tinha recursos para recuperá-lo. Isso ajudou a criar um movimento que pressionou o então prefeito Carlos Octaviani a baixar um decreto e possibilitar a criação da associação que vem buscando os recursos via lei de incentivos fiscais ou crédito de ICMS.

O prédio foi arrendado nos anos 50 quando sofreu uma alteração grande na arquitetura. "Meu avó não sabia que o contrato permitiu a desfiguração do prédio. Ele chegou a entrar em depressão por isso. Não passava mais nem na calçada de frente de tanto desgosto", conta Napoleone.

Por isso, algumas das características originais do prédio não foram mantidas. O imóvel mistura de estilos estéticos históricos, a arquitetura eclética de maneira geral onde se caracteriza pela simetria, busca de grandiosidade, rigorosa hierarquização dos espaços internos e riqueza decorativa.

Na parte interna do imóvel, Napoleone cita a restauração do guarda-corpo do mezanino feito de peroba rosa. Como o telhado foi refeito com armação metálica, foi reutilizado o madeiramento. "É uma obra de arte feita por um marceneiro alemão que contratamos e fez questão de fazer o serviço. Ele veio em Agudos, fez o molde de papelão e peça por peça que depois é encaixada. É uma obra de arte", comenta.

Já foram investidos R$ 890 mil de lei de incentivo fiscal e outros R$ 500 mil referentes a um crédito de IMCS de duas grandes empresas instaladas no município de Agudos. O prédio continua em obras. "Não temos previsão de quanto vamos terminar, mas a obra segue normalmente", conta Napoleone.

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