Esportes

Crise olímpica


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As mudanças no formato de distribuição dos recursos da Lei Piva, anunciados pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) nos últimos dias, no Rio de Janeiro, causaram reações distintas nas confederações esportivas nacionais, principais beneficiárias do repasse.

Em meio a maior recessão da história do país, e queda de cerca de 14% na arrecadação das loterias federais em 2016 perante o ano anterior, o comitê reduziu o montante às entidades.

O COB também mudou os critérios para fazer a distribuição: agora será respeitada pontuação em dez critérios: nove esportivos e um administrativo (leia mais nesta página). A Lei Piva permite ao COB receber 1,7% dos prêmio pagos a apostadores do país -o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) também obtém um percentual das loterias.

O que ocasionou incômodo nas confederações sob o guarda-chuva do COB foi a redução no valor para a próxima temporada, que atingiu a todas. Se neste ano havia previsão de repasse para programas delas de R$ 98,2 milhões, agora para 2017 o aporte fica em R$ 85 milhões.

"Eu não sei dizer meu sentimento, porque compreendo a situação do país. E eu entendo a divisão, a mudança de critérios. Mas havia expectativa de que mantivessem o valor de 2016. Por tudo o que está acontecendo, vou ter que tomar algumas medidas drásticas para ajustar", disse o presidente da CBAt (confederação de atletismo), José Antonio Martins Fernandes.

Como a sua entidade ainda não renovou com seu maior patrocinador para o próximo ciclo, a Caixa, Fernandes afirmou que "não tem como fazer mágica" e terá de fazer cortes na programação.

"Vamos ter de rever ida a Campeonatos Mundiais, repensar o tamanho das equipes, cancelar treinos internacionais. Possivelmente, também farei cortes de pessoal, o que seria o último recurso, mas percebo que não vai ter muito jeito", complementou.

Mandatário da confederação de tênis de mesa e opositor da liderança do COB, Alaor Azevedo se queixou da demora para avisar as confederações e da falta de debate.

"Soubemos terça-feira passada que precisaríamos colocar todos os dados [projetos] até quarta, ou então só depois do recesso do COB. Essa reunião geralmente era feita em outubro. Todos tinham que participar da discussão, sentar à mesa", afirmou o dirigente.

Segundo Azevedo, o fato de o COB não ter escutado opiniões "chateou" muitos dos presidentes. "Mais uma vez, veio de cima para baixo."

Mandatário do pentatlo moderno, Helio Meirelles relatou que a reunião de anúncio da divisão de verba foi muito curta e não possibilitou que houvesse debates - uma apresentação para a imprensa estava marcada para acontecer na sequência.

Um dirigente de confederação que obteve pódio na Rio-2016, e que pediu para não ser identificado, ressaltou que agora há um critério objetivo, mas afirmou que a entidade esperava maior reconhecimento e que não está contente com o repasse.

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