Tribuna do Leitor

Desabafo de uma diretora de escola!

Regina Célia dos Santos Nunes Barros
| Tempo de leitura: 4 min

Meu nome é Regina Célia dos Santos Nunes Barros e sou diretora de escola, titular de cargo. Tenho observado que, desde meados de 2011, a educação pública estadual está sendo precarizada com falta de funcionários de apoio, verbas para a manutenção necessária do prédio escolar e, especificamente, neste ano de 2016, verbas inssuficientes para a aquisição de materiais de papelaria e de higiene e limpeza, sem mencionar a falta de professores, principalmente, PEB I.


E este governo, não satisfeito com tudo isso, porque apesar da educação não ser prioridade, a escola continuou, através do seu trio gestor (diretor, vice- diretor e professor coordenador), dando “conta” de todas as demandas diárias pertinentes a uma escola. Sem consulta alguma, a SEE-SP publica resoluções que precarizam ainda mais a escola pública, inviabilizando o funcionamento deste órgão, a contento!


Infelizmente, a escola em que trabalho, E.E. Profª Sebastiana Valdíria Pereira da Silva, possui doze classes para o próximo ano letivo, atendendo a aproximadamente 360 (trezentos e sessenta) crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, e, sendo assim, devido à publicação da Resolução SE 69, datada de 19/12/2016, não contará mais com o posto de vice-diretor, a partir de 1/02/2017.


Entretanto, causou-me muita estranheza esta mudança de módulo, uma vez que nas últimas reuniões na Udemo e na Diretoria de Ensino - Região de Bauru, perguntei aos dirigentes sobre esta possibilidade e fui informada de que não se mexeria no módulo e que apenas se faria algumas adequações no módulo de PC porque algumas escolas foram, demasiadamente, prejudicadas quando da última alteração.

      

Como diretora de escola estou indignada com tais mudanças apresentadas pelas últimas Resoluções  datadas de 19/12/2016, uma vez que a SEE - SP tem mencionado, constantemente, em sua fala oficial sobre a importância do trio gestor na escola - diretor, vice-diretor e professor coordenador - para garantir o sucesso escolar de todos os alunos, tendo como objetivo principal a melhoria da qualidade de ensino!  


Como pode uma Secretaria da Educação promover, sem consulta alguma a seus servidores, medidas tão drásticas, às vésperas das festividades de final de ano, prejudicando assim uma maior mobilização da classe interessada, uma vez que tem enfatizado com o desenvolvimento de diversas atividades e reuniões sobre a importância da participação de todos, principalmente, dos órgãos colegiados nas diferentes tomadas de decisões que envolvem a educação?  


Desta indagação, surgem ainda outros questionamentos: quem responderá pela escola na ausência do diretor, visto que a carga horária de trabalho do diretor é de 8 (oito) horas diárias de trabalho e as escolas funcionam, no mínimo, por 11 horas, ininterruptamente? Quem responderá pela unidade escolar nos impedimentos legais do diretor de escola como férias, licença médica, licença prêmio, falta abonada, convocações?


A escola que ainda comportará professor coordenador poderá contar com o apoio deste para tanto? Isto não caracterizaria desvio de função visto que o papel do professor coordenador é extremamente pedagógico e não administrativo e disciplinar como a própria SEE-SP tem enfatizado?  Teria muito mais questionamentos a acrescentar, entretanto, faço um apelo àqueles que pensam a educação estadual!

   

Por favor, ajam com sabedoria e prudência e revoguem tais resoluções que deixarão a escola manca porque  o diretor, devido às inúmeras atribuições burocráticas que o desempenho do cargo lhe apregoa,  não consegue atender a todas as demandas que uma escola, mesmo as de pequeno porte, exige, diariamente, como a resolução de conflitos constantes!


Na minha realidade profissional quotidiana, não conto com o apoio do professor mediador, e, diante desta realidade, o meu vice-diretor desempenha esta função de maneira ímpar, dentre outras atribuições que delego a ele. Não temos mais como sacrificar a escola pública estadual já tão sofrida e precarizada! Se ainda há a necessidade de promover uma maior contenção de gastos na educação, não é a escola que deve pagar esta conta! Vejam a realidade de cada Unidade Escolar!


Venham conhecer o chão da escola pública! Não é possível trabalhar e oferecer uma educação digna às nossas crianças, adolescentes e jovens sem o apoio e o trabalho imprescindível do trio gestor completo - diretor, vice-diretor e professor coordenador .  

Sejam coerentes e vamos continuar lutando, juntos, por uma educação de qualidade para todos, indistintamente!


Sem mais, agradeço a atenção dispensada e aguardo boas notícias, com o coração repleto de esperança porque “... ser mestre é isso: ensinar a felicidade.” Rubem Alves.

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