Tribuna do Leitor

A cerca e o cerco

Jéssica Xavier
| Tempo de leitura: 1 min

Afinal, qual é a diferença entra o cerco e a cerca? O cerco somos nós, uma sociedade que se vê a comprar cadeados cada vez maiores e investir nosso suado dinheiro em segurança privada, com portões tão grandes e fechados quanto uma cerca de madeira pequena na roça.

Trago tal comparação pois, em que pese a tecnologia e o tamanho, trata-se de uma “falsa segurança”, já que a amplitude do conhecimento dos ladrões está tão avançada que todos essas grandes medidas viram brinquedos na mão de criança, e são tão fáceis de serem burlados quando pular uma cerca.


Com isso, resolvemos que a melhor maneira de não correr o perigo é não sair de casa, e muito menos deixar criança brincando na rua... Mas espera aí, quem é a cerca agora?


É claro que a sua infância foi ótima, você brincou de bets na rua, caiu de bicicleta ali na esquina e foi na padaria escondido da mãe com as moedas que o vô deu, mas seu filho não pode fazer isso, por que os tempos são outros, a violência está esperando a vítima, ou seja, além de investir na segurança privada devemos também nos privar do mundo.


E, assim, as crianças crescem cada vez mais sedentárias, mais mimadas, sem autonomia, não são capazes de desenvolver atividades manuais simples, como tirar um espinho do pé, ou se veem em pânico ao se depararem com “preciso que você volte sozinho da escola hoje”, sem contar no famoso antissocial que acabam por se tornar.


Não podemos nos esquecer que, são dessas mesmas crianças que mais tarde iremos cobrar seu desenvolvimento interpessoal, que tanto se ouve nas entrevistas de emprego. Afinal, estamos cercados ou estamos cercando?

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