Uma equipe da Polícia Civil fez ontem busca e apreensão em cinco endereços de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) para localizar documentos e computadores em imóveis da servidora Sueli de Fátima Feitosa, suspeita de desvio financeiro na prefeitura, e de familiares dela.
Com autorização judicial, os policiais civis estiveram na residência da servidora que foi demitida do cargo de confiança de diretora do Departamento de Tesouraria e está afastada por 30 dias da função de oficial administrativa, da qual foi contratada por concurso público.
Na última sexta-feira (23), o prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, Otacílio Parras Assis (PSB), tornou público que havia um esquema de desvio financeiro que deve chegar a R$ 3,5 milhões. A funcionária foi afastada do cargo.
O delegado Renato Mardegan explicou que as buscas foram em três residências, uma chácara e dois barracões do Distrito Industrial. Na casa da servidora afastada foram apreendidas farta documentação, duas CPUs de computador, escrituras, contratos de compra e venda, recibos, notas fiscais e joias.
Em quatro imóveis foi necessário o arrombamento para a entrada dos policiais. Mardegan declarou que até o momento não dá para saber se tem mais gente envolvida no desvio financeiro. "Possivelmente familiares devem ter sido favorecidos, porque estão residindo em casas de alto padrão. Mas para isso será necessário fazer provas e cruzar informações e dados", ressaltou o delegado.
Em duas casas localizadas em bairro nobre as residências são de luxo, com móveis planejados e aparelhos de TV. Em uma das chácaras, no bairro Água Azul, existem duas piscinas.
O juiz autorizou inclusive que pudesse fazer o arrombamento, caso os policiais civis encontrassem as casas fechadas. A servidora suspeita não estava na sua residência no momento em que a polícia fez as buscas.
De acordo com a prefeitura, o esquema contava com extratos bancários falsos. O sistema criminoso manipulava balanços e contas de forma a "camuflar" o desvio de dinheiro público.
A descoberta do rombo ficou exposto, de acordo com o prefeito, porque uma funcionário transferiu dinheiro de uma conta que não tinha autorização de mexer - a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) - a partir daí começou a investigação até descobrir tudo. A reportagem não conseguiu localizar a servidora até o final desta edição.