Polícia

Polícia investiga ameaça de morte de PM contra vizinho

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução
Nas imagens gravadas, o sargento Edjalma Andrade aparece dentro da residência do casal

Um vídeo gravado durante uma discussão entre vizinhos provocou a instauração de um inquérito para investigar um policial militar por abuso de autoridade em Bauru. Nas imagens, o sargento Edjalma Andrade aparece dentro da residência de um casal ameaçando um homem de 28 anos. O PM, contudo, nega a ameaça.

A desavença teve início na madrugada de segunda-feira, quando o sargento chegava em sua residência, no Jardim Terra Branca. À Polícia Civil, os moradores relataram que ele ficou contrariado depois que eles deixaram um carrinho de supermercado em um terreno em frente à casa do policial.

O PM, porém, diz que a discussão começou porque, além do carrinho, o casal descartou lixo no local. Um dia depois, por volta das 14h de terça, ele e mais dois policiais fardados, em uma viatura, foram até a residência do casal, que também vive perto do terreno.

Os moradores alegam que o sargento e outro PM invadiram a casa, onde teriam permanecido por cerca de 40 minutos, sem mandado judicial. Andrade, ainda de acordo com o casal, teria ameaçado e agredido o morador com um tapa, quando ele tentou impedir o policial de tomar o celular da mulher, de 26 anos, que gravava as imagens.

Toda a ação foi presenciada pela filha de 5 anos do casal, que começou a chorar no meio da confusão. Em outro momento, é possível ouvir o sargento dizer ao morador: “ou você arruma uma arma e me espera aqui ou você muda daqui, senão vou te matar”.

Nessa quinta-feira (29), a reportagem tentou entrar em contato com a mulher que fez o vídeo, mas as ligações para seu celular não foram atendidas até o fechamento desta edição. Por telefone, após autorização do Comando do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o sargento Andrade deu sua versão sobre o ocorrido.

ACUSAÇÕES

Malavolta Jr.
Dinair da Silva investiga o caso
Arquivo Pessoal
Sargento diz que vizinhos estavam descartando lixo em terreno

Ele conta que, quando chegou em casa na madrugada de segunda, sem farda, e reclamou com o casal sobre o lixo jogado no terreno, o homem teria se exaltado. “Ele disse: ‘você está falando isso porque você tem uma arma na cintura, mas o que você tem na cintura eu também tenho em casa’. Disse, ainda em tom de ameaça, que sabia meu horário de chegada do trabalho, que é de madrugada”, alega.

Ainda de acordo com o sargento, ele e os outros dois policiais foram na terça na residência do casal para checar a existência da arma. Ele afirma que o morador autorizou a entrada da equipe, contrariando a versão apresentada pelo casal à Polícia Civil.

Nega, ainda, que tenha agredido o homem, quando percebeu que a mulher estava registrando a conversa no celular. “O morador disse que não tinha arma em casa e que falou aquilo de cabeça quente. Mas a mulher estava alterada e ficava falando que ia tirar dinheiro meu na Justiça. No meio daquilo tudo, a única coisa que eu fiz foi perguntar para ele ‘cadê a arma que você disse que tinha? Já que você disse que ia me esperar quando eu chegasse em casa de madrugada, arruma essa arma e me espera, então’”, descreve, negando que tivesse a intenção de ameaçar de morte.

Em depoimento prestado à Polícia Civil, o casal relatou, ainda, que, em meio à discussão, o sargento teria ameaçado forjar um flagrante de tráfico de drogas, ao mostrar um pacote onde supostamente haveria drogas. Mais uma vez, o PM rejeita a acusação.

Investigações

Segundo o delegado Dinair José da Silva, que preside o inquérito sobre o caso, o boletim de ocorrência foi registrado como abuso de autoridade. Agora, a Polícia Civil terá 30 dias - prazo que pode ser prorrogado por igual período - para concluir as investigações.

“As vítimas já foram ouvidas e, nos próximos dias, iremos ouvir testemunhas e os três policiais militares envolvidos na ocorrência. Posteriormente, o vídeo já anexado ao inquérito será encaminhado para perícia”, adianta o delegado.

Paralelamente, o comando do 4.º BPM-I já instaurou um procedimento de apuração interna para investigar a conduta dos policiais. Segundo o comandante da corporação, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, a análise deve ser concluída dentro de 20 dias e, durante este período, os três PMs continuarão desempenhando suas funções normalmente. “Qualquer medida só será adotada após a conclusão desta apuração”, resume.

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