| Douglas Reis |
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| Elson: “Dever cumprido, mesmo que nem tudo seja perfeição” |
Por mais que o dia de hoje seja um marco que projete o olhar para o futuro, é a partir das realizações e dos desafios em curso que se tem noção do que a cultura em Bauru pode oferecer em 2017.
Para falar sobre a realidade da cultura pública e suas perspectivas, ninguém melhor que Elson Reis, agente cultural há quase 30 anos e secretário municipal de Cultura nos últimos seis anos. No governo que assume hoje, ele deve integrar o núcleo de gestão.
“Encerramos um ciclo de muito trabalho e de conquistas, como a volta do Carnaval de rua. A sensação é de dever cumprido, mesmo que nem tudo tenha sido perfeito, e o desejo é de que a nova secretaria acerte ainda mais do que acertamos. As mudanças sempre trazem ânimo novo. A cada gestão há o que renovar e é importante aproveitar esse momento”, afirma.
| Quioshi Goto/JC Imagem |
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| Caminhão-palco esteve fora de circulação e foi retomado na gestão anterior: onde o povo está |
Mesmo com as inovações, Elson acredita, baseado no plano de governo do atual prefeito, que a Secretaria de Cultura (agora nas mãos de Luiz Freitas) deve se manter no caminho de democratizar o acesso à cultura, descentralizar as ações, buscar parcerias e atender todas as frentes.
“A meta é continuar avançando. A secretaria abriu o leque e fez progressos de forma abrangente, em todas as áreas da cultura. Nenhum setor ficou abandonado”.
Há muitos trabalhos de sucesso na cultura municipal, entre eles, vale citar a Orquestra e a Banda Sinfônica, a Cia. Estável de Dança, o Museu Ferroviário, a Pinacoteca, a ocupação da antiga estação ferroviária para eventos e entidades ligadas à cultura e o Centro Cultural, que abriga os cursos da Divisão de Ensino às Artes, a Secretaria de Cultura, a biblioteca, o teatro e a galeria de arte. “Em 2016 passaram por lá mais de 25 mil pessoas. Diariamente há atividades e já temos procura na agenda até para novembro de 2017”.
DEMANDAS
Em uma cidade com 422 bairros e quase 400 mil habitantes, incluindo a população universitária, as demandas culturais são muitas e vão se modificando.
“A gente é lembrado o tempo todo pela população do que ainda falta fazer. Você tem que ter a medida certa: reconhecer que está avançando sem vender a imagem de que os problemas estão todos resolvidos. Até porque há sempre novas demandas a serem atendidas e uma leva a outra”, pondera Elson.
E por onde começar? Além do plano de governo, a administração conta com os documentos das conferências na área de cultura, que trazem demandas da população. Ou seja, é preciso que as pessoas se informem, participem e acompanhem.
“Tudo é importante, mas nem tudo é possível. Tem que ter sensibilidade para atender os pedidos que impactam positivamente em um maior número de pessoas”, justifica o ex-secretário de cultura.
Importante também é tomar medidas pela democratização da cultura. Um exemplo é o uso do Teatro Municipal.
“É ocupado em pelo menos 250 dias por ano e mais de 60% das atividades são gratuitas. Bauru está no circuito de grandes espetáculos, mas que têm preços altos. Para atrair as peças e facilitar o acesso do público, abaixamos a taxa de 12% para 9%. Espetáculos locais com cobrança de ingresso pagam 5%”, informa.
FILARMÔNICA VEM AÍ
Outro desafio para democratizar o acesso é a descentralização da cultura, ou seja, promover mais ações nos bairros e em vez de concentrar tudo nas áreas centrais. “Isso requer postura proativa e tem sido uma meta, mas tem coisas que não dá para levar aos bairros, como a estrutura do Teatro Municipal. Por isso temos que possibilitar que mais pessoas tenham acesso a ele”, reforça Elson.
No passado, os centro comunitários ajudaram nessa missão. Existiam pelo menos 30 deles espalhados pela cidade. “Era mais fácil, a comunidade dava suporte, acompanhamento e até segurança para as atividades. As associações se desmobilizaram, os prédios foram passados para outras funções. Só agora estão se reorganizando. Cresceram outros espaços como igrejas e ONGs”.
Em 2016, várias iniciativas com o apoio da Secretaria de Cultura levaram shows e outras manifestações artísticas para os bairros, como o projeto Arena Itinerante.
Segundo Elson, a continuidade depende principalmente dos parceiros dos movimentos culturais. “A secretaria é bem aberta e atua como facilitadora. Na gestão pública moderna deve haver o empoderamento da população, com ações em conjunto”, destaca.
“O caminhão-palco é símbolo e ferramenta para a descentralização das atividades. Ele foi utilizado cerca de 200 vezes no ano. Só os equipamentos de som atenderam quase 500 atividades em 2016, sem contar os eventos maiores, como no Parque Vitória Régia. Estes têm maior visibilidade, mas o trabalho vai além e chega aos bairros”, completa. Para 2017, uma nova parceria promete dar um salto no assunto.
“A Associação Bauruense de Despostos Aquáticos (ABDA) será parceira da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, no Projeto Futuro, que visa dar aulas de musicalização no CEU das Artes, região do Geisel, e criar uma filarmônica. É um marco na descentralização, um projeto arrojado”, antecipa.
Recursos
De acordo com Elson Reis, o maior entrave é a questão financeira. “Até 2013 conseguimos ampliar o orçamento inicial, mas em 2015 e 2016 foi preciso reduzir custos. É possível cumprir o quadro básico de ações em 2017, mas do ponto de vista financeiro deverá ser difícil”.
Os investimentos na área dependem das demandas da população e da vontade política, mas principalmente da arrecadação do município. “Há alguns anos a verba para a cultura era de 0,9%, chegou a 1,6% e estabilizou em 1,5%. Está acima de um projeto de lei que estabelece em 1%, o que não significa que esteja perfeito”. Daí a importância de encontrar parcerias e buscar investimentos estaduais e federais.
“Isso ocorre por meio de editais. Para participar, é preciso ter projetos. O índice de aprovação é bom. Basta se preparar e se instrumentalizar para conseguir tais recursos”. Para ele, o ideal seria ter na equipe de cada secretaria um especialista na elaboração de projetos e o mapeamento de possíveis parceiros, pois em alguns editais a prefeitura não pode ser proponente do pedido de verba.

