| Aurélio Alonso |
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| Orla do Rio Bonito em Botucatu foi revitalizada com construção de ciclovia, pista para caminhada, decks e padronização das calçadas |
Dois novos investimentos devem abrir as perspectivas para o incremento do turismo regional nos municípios de Botucatu e Barra Bonita. Apesar do forte potencial ao longo do Rio Tietê ainda é precária a estrutura na maior dos municípios lindeiros em um dos mais bonitos mananciais do Estado.
Há poucas semanas, a prefeitura de Botucatu entregou as obras de revitalização da Orla do Rio Bonito “Nilton Luiz Prearo”. O projeto, orçado em R$ 2 milhões, foi financiado pela AES Tietê, que tem a concessão de hidrelétricas na bacia hidrográfico do Tietê. O investimento foi viabilizado por conta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o município de Botucatu e a empresa referente à ocupação irregular de uma área da empresa por familiares de pescadores no Porto Said.
As partes em litígio entraram em entendimento. A prefeitura adquiriu uma área e colocou à disposição da Companhia de Desenvolvimento da Habitação (CDHU) para a construção de um conjunto de casas para os pescadores. Enquanto AES Tietê financiou a obra no bairro rural Rio Bonito que fica em frente do Tietê. “É a praia de Botucatu”, resumiu o representante comercial Gregório Fazzio Netto, na última semana em visita ao local.
A orla ganhou calçamento, ciclovia e dois decks. Já atrai moradores de São Manuel, Botucatu e até de Piracicaba e deve ser o point do verão nos finais de semana.
Outro investimento feito em Barra Bonita, cidade que é estância turística e já tem uma série de atividades voltadas a passeios de barcos, foi o investimento em estradas passando pelos bairros rurais de Entulho e Estiva, o que possibilita a expansão no município do turismo rural e a instalação de colônia de férias.
A estrada vai facilitar o acesso a dois restaurantes rurais - Terra Nostra e Estiva - já conhecidos, mas que, pela precariedade da via, atrapalhava a ida ao local de ônibus de excursões. “Estamos confiantes de que agora vai melhorar. Quando chovia era difícil chegar até o restaurante”, conta Eva Nori, filha do proprietário do estabelecimento Alvirio Natalino, o Lilo, localizada em área rural bucólica onde se faz uma comida caseira ao estilo caipira.
O presidente do Consórcio Intermunicipal da Hidrovia Tietê-Paraná, Du Barreto, afirma que o turismo ainda é uma boa fonte de renda, mas nem todas as cidades lindeiras ao Tietê investem e conseguem levantar recursos junto aos órgãos governamentais.
‘Praia’ de Botucatu é a nova opção
A revitalização que foi feita no bairro Rio Bonito possibilitou a construção de píer, dois decks, pista para caminhada e ciclovia às margens do Rio Tietê
| Fotos: Aurélio Alonso |
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| O píer feito de madeira revitalizou a orla do Rio Tietê, mas no local também há uma rampa para barcos e pista de caminhada |
Botucatu é conhecida pela suas montanhas e pelo turismo de aventura. Localizada no alto da Cuesta também tem um clima mais frio. Como o próprio nome indígena em tupi-guarani diz cidade dos “bons ares”. O município tem também uma parte banhada pela hidrovia Tietê-Paraná. Um dos cartões postais, o bairro rural Rio Bonito foi revitalizado e ganhou um trecho de 800 metros de orla com novo calçamento com bloquetes na avenida Gentil Lourenção.
“É a nova praia de Botucatu”, diz o bem humorado representante comercial Gregório Fazzio Netto, 81 anos, durante caminhada no novo calçamento de bloquete que se estende em trecho da orla, debaixo de um sol forte e ventinho refrescante.
A moradora no bairro rural Agnes Satriano caminha ao lado da mãe na última quarta-feira e fazia questão de enfatizar que o local melhorou muito com o investimento. “Sempre foi um local frequentado, mas agora o visual mudou”, diz Agnes.
No local foram construídos dois decks, que permitem a contemplação do imenso Rio Tietê logo à frente. A ciclovia serpenteia a orla, além de uma passarela nas imediações da bica, píer, área para prática esportiva e academia ao ar livre.
Valdomiro dos Santos, residente em São Manuel, estava sentado com uma amiga no banco que fica perto do deck. “É um novo ponto de lazer. Mas acho que deveria ter quiosque para fazer churrasco”, comenta.
A orla ainda não tem estrutura para receber visitantes para permanecer no local. Existe apenas o Bar da Rampa e um segundo aguarda licitação aberta pela prefeitura de Botucatu.
O proprietário do único estabelecimento que vende cerveja, refrigerante e lanche Clelio Rossato diz que a revitalização da orla foi excelente, mas ainda falta melhoria. Ele cita a falta de acessibilidade para cadeirantes em um dos trechos que acessa os decks e um banheiro para o público. “Quando o meu bar está fechado, fica difícil ir ao banheiro. Existe um próximo a uma base que é longe da orla e sempre está fechado”, citou Rossato.
A sinalização de trânsito também é apontada como insuficiente para alertar o motorista que a avenida é de mão única. Para retornar é preciso acessar uma das ruas de terra do bairro Bonito.
A orla ganhou o nome de “Nilton Luiz Prearo”, servidor público municipal de Botucatu que trabalhou na limpeza e na manutenção da ruas e da orla do Rio Bonito. Ele residiu no local durante 37 anos e faleceu em 23 de fevereiro de 1997.
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| Comerciante Clélio Rossato aponta falta de acessibilidade |
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| Valdomiro dos Santos veio de São Manuel passear na orla |
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| Gregório Fazzio Netto compara a orla a uma praia de Botucatu |
Turismo é pouco explorado no Tietê
O presidente do Consórcio Intermunicipal da Hidrovia Tietê-Paraná (CITP), Du Barreto, afirma que o investimento em turismo pelos municípios lindeiros ao Tietê ainda é pequeno.
O CITP nasceu na cidade de Jaú, em 1989, por iniciativa do ex-prefeito jauense Sigefredo Grizzo. Entidade que abrange 69 municípios do Estado de São Paulo (31 cidades são membros atualmente), ao longo do vale do Rio Tietê, iniciando-se no município de Salto indo até o município de Ilha Solteira, na foz com o Rio Paraná.
A hidrovia possui 800 quilômetros de vias navegáveis, dez reservatórios, dez barragens, 23 pontes, 19 estaleiros e 30 terminais intermodais de cargas.
Barreto que, até o dia 31 era prefeito de Brotas, assumiu o CITP em um mandato tampão devido a renúncia do último presidente do Consórcio. Com experiência na área de turismo, tendo sido secretário de Turismo em Jaú e o maior incentivador no investimento nessa área em Brotas, ele cita que os municípios localizados na bacia do Tietê têm potencial turístico. “É muito pequena a exploração do potencial turístico do Tietê. É ínfima. Quantas estâncias turísticas têm à beira do rio? Uma duas ou três. São mais de 60 municípios lindeiros no Tietê”, cita o presidente do CITP.
Para Barreto, os municípios que conseguirem a classificação de interesse turístico junto ao Governo do Estado terão R$ 550 mil por ano de recursos para investimentos. “Num mandato o prefeito vai ter R$ 2,2 milhões. Demora um certo tempo para ter essa percepção, mas o Consórcio pode contribuir em muito para melhorar”.
Uma nova lei estadual proporciona a 140 municípios paulistas tornarem-se de interesse turístico. Todas as cidades do Estado, excetos as estâncias já existentes, poderão concorrer, se preencherem alguns critérios que serão revertidos em pontos para as cidades, como manter um Conselho Municipal de Turismo ativo, serviço médico emergencial, meios de hospedagem, serviços de alimentação e transporte, informação, plano municipal de turismo, receptivos turísticos, dentre outros requisitos.
As 70 cidades que já são denominadas estância também precisarão inovar para que não percam essa denominação.
Barreto explica que uma equipe do CITP vai orientar os prefeitos a prospectar recursos junto ao governo do Estado. “O turismo tem vários componentes. Nessa área tem as agências, a parte de alimentação, hotelaria, a infraestrutura. São vários setores que precisam de uma coordenação política. Sem ela não caminha. É vantagem investir no turismo: não gera poluição e só traz benefícios, porque emprega do mais pobre ao mais rico”, diz.
O presidente do CITP cita que inicialmente os municípios precisam obter a certificação de cidade com interesse turístico para ter verba. “Vamos dar consultoria por meio do Consórcio. Se o prefeito travar a cabeça não vai conseguir”, alerta Barreto.
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Estrada impulsiona gastronomia caipira em bairro de Barra Bonita
A Estância de Barra Bonita é conhecida pelos passeios de barcos pela eclusa e da sua orla com bares, restaurantes e lojinhas de venda de artesanato. Mas não é só a água do Tietê que impulsiona o turismo. A zona rural do município tem dois restaurantes tradicionais de gastronomia caipira que agora poderão ficar mais conhecidos e entrar no roteiro de turismo rural. Tudo isso será possível após um investimento de R$ 2,3 milhões no asfaltamento de estradas rurais passando pelos dois bairros rurais.
| Fotos: Aurélio Alonso |
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| Restaurante Terra Nostra está em área rural há 16 anos e é um dos mais tradicionais de B. Bonita |
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| Em 1990, a prefeitura criou o Centro Comunitário “Alcindo Mori”, onde é o restaurante atualmente |
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| Alvirio Natalino Mori, o Lilo, mostra a antiga caldeira que usa para assar a famosa “Costela no Bafo” |
Ao todo são 25,6 quilômetros quadrados de estrada pavimentada e mais 15,8 quilômetros quadrados de estrada recapeada, criando um círculo em volta do bairro Entulho e passando pela Estiva. Os recursos são do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE).
Principalmente nos finais de semana é bem frequentado dois restaurantes de comida caseira com capacidade de desenvolvimento do ecoturismo e turismo rural.
O mais antigo em atividade, o Terra Nostra é uma antiga fazenda de café. Para os desavisados, o bairro Entulho não tem nada a ver com lixo ou restos de sedimentos. Então por que esse nome tão estranho? O proprietário do estabelecimento Alvirio Natalio Mori, o Lilo, de 73 anos, descendente de italiano que fala gesticulando, esclarece a charada. “No passado essa região tinha uma tulha de café. Os caixeiros viajantes vinham aqui comprar os grãos e a italianada tinha dificuldade de expressar. A tal tulha acabou virando entulho, o nome do bairro”, conta.
A filha de seu Lilo, Eva Mori Quaglia, explica que a pavimentação da estrada de acesso traz boas perspectivas para o tradicional estabelecimento de comida caseira, localizado numa fazenda bucólica cheia de árvore. “A obra foi finalizada esta semana. Antes realmente o acesso pela estrada não era bom, principalmente quando chovia. O que dificultava a vinda de ônibus de excursão”.
“Tudo isso é área de expansão da cidade. Existe uma série de atividades que podem ser desenvolvidas nessa região para complementar a existência dos restaurantes e fazer o Entulho e a Estiva entrarem no roteiro de visitação turística de Barra Bonita”, declarou por meio de sua assessoria de imprensa o prefeito Guilherme Berlamino (PSDB) que não se reelegeu.
O Terra Nostra está no bairro há 16 anos. É muito frequentado aos domingos. Ele funciona em amplo barracão onde no passado havia uma concha de bocha. A gastronomia é caipira com pitada da comida italiana, afinal ainda residem os descendentes de italianos. São 22 tipos de saladas de verduras produzidas no bairro.
Segundo Lilo, o Costelão no Bafo é incomparável. “Esse é o carro chefe assado num compartimento feito de ferro. A carne fica fininha”, conta o proprietário, que reutiliza uma antiga caldeira que, no passado, serviu para produção de refrigerante da marca Lili. O restaurante abre de quarta-feira das 20h às 22h e domingo das 12h às 14h30. A comida é caseira mesmo.
Na Estiva, pequeno trecho é de cascalho onde fica restaurante
| Divulgação |
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| Restaurante da Estiva está há três Aanos e acesso é por estrada de cascalho no bairro do mesmo nome |
O restaurante da Estiva fica encravado entre casas em meio a uma estrada rural. Conhecido pela leitoa e frango a passarinho, o estabelecimento está em atividades há três anos. Para chegar lá é necessário percorrer um trecho de estrada de cascalho. É o típico turismo rural para quem quer desfrutar um passeio no campo.
Uma das estradas interliga com a nova via asfaltada que possibilita acesso ao Terra Nostra no bairro Entulho. O horário de funcionamento é quinta e sexta, a partir de 19h, e, sábados e domingo, após as 19h.
O proprietário Ronaldo Adriano Domingos conta que atende muitas excursões que vem a Barra Bonita para passeio na eclusa e no Tietê. O turista acaba dando uma “esticada” no bairro da Estiva. Os visitantes são de São Paulo, Santos e muitos bauruenses. “É uma comida natural, mas o local é muito tranquilo. Para o restaurante não caiu o movimento. Sem crise”, conta Domingos.
Mesmo com o trecho de cascalho, Domingos afirma que o turismo rural deve crescer em Barra Bonita. “O pessoal vem para almoçar e passar o dia”, conta.
De acordo com a prefeitura, nos últimos 20 anos, a urbanização da cidade esteve restrita à região norte, principalmente com a criação dos cincos bairros Sonho Nosso. “Agora é a vez da região oeste-sudoeste ganhar relevância e com interesse turístico”, informa a prefeitura ao divulgar a obra viária.









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