| Malavolta Jr. |
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| Entrevista com Clodoaldo Gazzetta no Café com Política do JC |
JC – O que pensa sobre a descentralização da cultura?
Gazzetta – A descentralização é o grande tema do nosso plano de governo participativo e a cultura não poderia estar de fora disso. Até porque a gente tem uma diversidade de movimentos culturais na cidade e a ideia é trazer esses segmentos para a discussão de políticas públicas ligadas à cultura. Mais do que isso é levar mesmo a secretaria de cultura (por meio das subprefeituras) para cada local estratégico da cidade. Assim, cada secretaria, em especial de cultura, vai ter uma possibilidade maior de identificar naquele lugar os movimentos culturais, os artistas e as necessidades do bairro. A ideia da descentralização é levar cultura para mais perto das pessoas e facilitar o acesso dos movimentos ao secretário de cultura e ao prefeito, para que a gente possa pensar estratégias de políticas públicas nesse setor.
JC – E a democratização da cultura?
Gazzetta – Um movimento é levar as pessoas ao teatro municipal, a facilidade desse acesso. E precisamos pensar estratégias para isso. Outro é levar as atividades do teatro para os bairros, não só através do caminhão-palco. Muitas vezes as pessoas que estão nas periferias da cidade não têm acesso à cultura, dinheiro para ir ao cinema ou para pagar a passagem e ir ao teatro. A grande democratização é usar os espaços que já temos e levar para os bairros essa movimentação cultural, chamando inclusive os movimentos culturais daquela região para se apresentarem seja no caminhão-palco, em praças e tendas ou nas escolas.
JC – Como as ações serão viabilizadas?
Gazzetta – A cultura deve permear ações com as escolas, os esportes e o meio-ambiente para termos pensamentos comuns sobre a cidade. Dessa forma, fica mais fácil viabilizar os projetos. Hoje temos a departamentalização do município e cada secretaria pensa a cidade de um jeito. Uma exigência que vou fazer enquanto prefeito é a integração das políticas públicas. Tudo que for educação e tiver um viés de cultura, vai ser pensado de forma conjunta. Seja com recursos da prefeitura, na busca de parcerias e no financiamento externo. Para isso, é preciso ter projeto. Uma área que a gente vai fortalecer é a diretoria de projetos com pessoas pensando a cidade. Têm muitos recursos do governo federal, por exemplo, que financiam ações culturais e a ideia é buscá-los.
JC – Quais as perspectivas já para 2017?
Gazzetta – A principal perspectiva é a transformação da estação ferroviária em Estação das Artes, um grande polo cultural. O que existe hoje é a cessão de espaço para alguns movimentos culturais. Como não tem o projeto, vamos ter que sentar nos próximos 100 dias após a posse e pensar no projeto. Vai abrigar os movimentos culturais que já estão ali e ter um ponto de cultura para teatro, shows e outras atividades. Como teve muito recurso da área da educação colocado ali, além de ser um polo de cultura, será também educacional, em vista das artes, com escola de música, teatro e dança, por exemplo. A melhoria da questão cultural deve ser feita tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista de projeto, como é o caso da Estação das Artes. Várias cidades usam da cultura como ponto de turismo, como atração de investimentos nessa área e a gente pretende fazer isso.
