Começo de ano chegou e a dúvida em relação à escola onde as crianças irão estudar, se ainda não foi decidido, salienta-se. Como professora e pesquisadora na área de literatura brasileira, chamo atenção para alguns pontos que os pais devem lançar especial atenção ao tomarem uma decisão.
Ao escolher uma escola, é muito importante saber se há o interesse da instituição em aproximar os pais do processo de aprendizagem dos filhos. Nem sempre essa aproximação é óbvia, já que os pais mais perto da escola significam maiores cobranças e, por conta disso, algumas instituições preferem mantê-los distantes.
Além do mais, é recorrente, quando os estudantes chegam ao ensino médio, que os pais acreditem na autonomia de seus filhos, o que gera certo afrouxamento do controle das atividades realizadas na escola. No entanto, tal comportamento é um erro dos pais, pois os adolescentes ainda precisam que eles se interessem pelo seu processo de aprendizado e, dessa forma, é fundamental a escolha por uma escola que estabeleça reunião de pais sistematicamente, com o intuito de apresentar a vida acadêmica de seus filhos, e de aproximá-los da instituição, uma vez que ela deve ser vista como uma pequena comunidade em que pais, alunos, professores e coordenação estejam integrados. Uma escola que afasta os pais do processo educacional é uma escola fadada a criar o desinteresse em muitos estudantes.
Os pais devem se atentar também para o modo como as escolas pensam as atividades em grupo; seja na realização de atividades acadêmicas como trabalhos, ou até mesmo incentivo a práticas culturais e esportivas que sejam realizadas coletivamente. Assim, os alunos vão construindo laços afetivos que potencializam a paixão pelo conhecimento.
Vale lembrar que uma educação moderna se centra na ideia de que o aluno é o produtor de conhecimento, um jovem pesquisador que descobre coisas diante dos seus próprios interesses e curiosidades.
Com a modernização e a busca insaciável por novas técnicas e tecnologias, a cada dia se valoriza mais aqueles que conseguem explorar novos conhecimentos. Esse processo deve começar na escola, por isso, é importância que a instituição, de algum modo, dê autonomia aos alunos para que eles escolham o que mais lhes interessa, transformando-os em sujeitos ativos frente ao conhecimento, e não ao contrário, como ocorre na maior parte das escolas, em que o aluno apenas escuta o professor que passa a aula inteira falando. Nesse sentido, as atividades em grupos também ganham relevância, porque a troca horizontal de conhecimento é uma forma de estímulo para que os alunos o produzam.
Claro que não se pode desconsiderar o fato de que a educação no Brasil virou disputa entre grandes empresas que desejam apenas maximizar lucros, e que a educação pública é cada vez mais deficiente, mas mesmo diante da complexidade desses problemas que abriria margem para um discussão infinita acerca do tema, para além dele, é imprescindível que os pais estejam atentos à instituição escolhida para seus filhos estudarem, e tentem participar de suas vidas acadêmicas, questionando as escolas sobre os métodos empregados durante o processo educacional.
Ademais, a presença dos pais nas escolas deve ser constante porque também corrobora com a construção da ideia de que o ambiente escolar é um lugar onde, para além da rotina que envolve a aquisição de conhecimento teórico, aprende-se o sentido de comunidade, sentimento tão caro à existência humana e tão pouco valorizado. É nela em que os alunos aprendem a distinção do espaço privado, a vida doméstica; e do espaço público, a vida em sociedade distante da família, e a necessidade de se adaptar a tal espaço que vai sendo explorado.