Bairros

Lixão vira pomar no Geisel, mas população joga lixo no local

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Arquivo Pessoal
Antes, terreno localizado nas ruas Alexandrino Rodrigues e Jorge Laurindo Ferreira de Paiva era um lixão e acumulava entulhos
Fotos: Malavolta Jr.
Agora, local foi  transformado em um belo “bolsão verde”, com frutas e flores
Benedito Pontes se tornou uma espécie de guardião da área

A paixão pela natureza e o respeito ao meio ambiente de um morador transformaram um antigo lixão no Núcleo Geisel em pomar e jardim. A transformação partiu das mãos de Benedito Pontes de Moraes, 60 anos, que, cansado de ver a área da prefeitura em frente a sua casa virar depósito de entulho e dejetos, resolveu acordar algumas horas mais cedo, antes do trabalho, para carpir e plantar no terreno.

Desde então, Pontes virou uma espécie de guardião da área, que fica entre o cruzamento das ruas Alexandrino Rodrigues e Jorge Laurindo Ferreira de Paiva.

RESPEITO

Catorze anos após o início dos cuidados, a área esbanja vida e garante frutas e lazer às crianças e moradores das imediações.

“Caminhões e carroceiros paravam aqui para jogar entulho. Agora, existe um pouco mais de respeito, mas, mesmo assim, o pessoal ainda descarta entulhos nas laterais”, lamenta Benedito Pontes. “Já criei muitas inimizades na vizinhança por causa disso. Mas, enquanto eu tiver saúde, cuidarei deste lugar e continuarei brigando para que não joguem lixo”, fecha a questão.

Um dos primeiros moradores do Núcleo Geisel, Pontes lembra da ajuda que teve de um antigo vizinho, chamado Joaquim, para limpar o terreno e plantar as mudas compradas e que conseguiu por meio de doação da prefeitura. “Há alguns anos, o Joaquim mudou-se e eu passei a cuidar sozinho”, detalha. “Sinto orgulho imenso quando vejo tudo florescendo e frutificando. As crianças adoram”, completa Pontes.

FRUTAS, FLORES E SAGUI...

Em plena zona urbana, o “bolsão verde” formado pelo pomar e o jardim plantado por Pontes oferece frutas como manga, limão, acerola, pitanga, abacate, caju, banana e calabura.

Na primavera, principalmente, o local ganha diferentes tons com os ipês, bico-de-papagaio, jasmim-manga resedás e acácia róseas. E um cheirinho inconfundível ao entardecer com a dama da noite. E a natureza é tão presente ali que até mesmo um saqui dá as caras pelo local.

A cada 4 meses, em média, uma equipe da prefeitura comparece ao local para ajudar na limpeza, segundo Pontes. Uma placa instalada em uma das laterais do terreno, na quadra 5 da rua Venâncio Cabello, proíbe o despejo de lixo no local. Ainda assim, todos os dias, Pontes diz recolher lixos no terreno e ao redor. “Queria mesmo que alguma empresa se interessasse e ajudasse a instalar uma placa maior, para tentar sensibilizar os moradores”, pede.

“Sozinho, já não consigo fazer tudo, sinto muitas dores nas costas. Temo que essa área volte a ficar abandonada futuramente”, lamenta Bendito Pontes.

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