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Bauru ganha mais de 5 mil veículos em um ano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Desafio para a nova gestão: com frota crescente, ficam cada vez mais limitadas as soluções para gargalos viários da cidade
Mesmo em meio a um cenário de incertezas provocado pela crise econômica, a frota de Bauru aumentou em mais de 5 mil veículos no ano passado. Por dia, foram quase 14 automóveis emplacados, que passaram a trafegar pelas ruas da cidade.

 

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), até outubro, a frota de Bauru somava 267.496 veículos, incluindo carros, motos e caminhões, entre outros. Em outubro de 2015, eram 262.452 veículos, ou 5.044 unidades a menos.

 

O aumento, contudo, foi de 1,9%, menor do que os 2,7% registrados entre outubro de 2014 e outubro de 2015. O economista Adriano Fabri salienta, contudo, que a variação foi maior do que o desempenho da economia no ano passado, que teve queda próxima de 3%.

 

“Mas um ponto a se observar é que o aumento da frota em 2016 em Bauru foi menor que no Estado, de 2,8%. Da mesma forma, de outubro de 2014 para 2015, o crescimento da frota no Estado também foi maior, de 3,7%”, frisa.

 

O economista observa que, mesmo com aumento menor do que o ano anterior e que a média paulista, a frota de Bauru, percentualmente, cresceu mais do que a população. Segundo estimativa do IBGE, o volume de habitantes avançou apenas 0,65% de 2015 para 2016.

 

Embora o nível de endividamento da população seja elevado e as incertezas em relação à manutenção de empregos permaneçam, Fabri avalia que o ganho de quase 14 veículos por dia na cidade está relacionado a uma série de motivos, incluindo a paixão do brasileiro por carros. “Outro fator é que, de maneira geral, as pessoas têm pouco raciocínio financeiro. O mais comum é analisar apenas se a parcela do financiamento cabe no orçamento, sem considerar o custo final e as despesas complementares com a aquisição do bem”, completa.

 

LÓGICA

 

Especialista em trânsito e transportes e diretor de mobilidade da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), Archimedes Raia Junior pondera que a lógica das políticas públicas que privilegia o transporte individual também contribui para que as pessoas continuem precisando - ou desejando - comprar carros e motos.

 

“Cabe ao município fazer a gestão global da mobilidade. É preciso que as pessoas encontrem condições razoáveis para que possam deixar o carro em casa e usar outros modais, como o transporte coletivo e o cicloviário. Caso contrário, a tendência é de que o sistema viário fique cada vez mais saturado”, sentencia.

 

Ao passo que em as condições de tráfego vão se agravando, tornam-se cada vez mais limitadas as estratégias para solucionar os gargalos de uma cidade como Bauru, que não cresceu de maneira planejada. “Para algumas vias, ainda é possível retirar estacionamentos para ampliar o número de faixas. É algo que já foi feito na maioria das avenidas, mas é uma solução com prazo de validade, já que a frota continuará crescendo”, completa.

 

Conscientização

 

Em entrevista ao JC, o coronel da Reserva da PM Augusto Francisco Cação, novo diretor de trânsito da Emdurb, destacou que a empresa pública focará em campanhas de conscientização para diminuir o “transporte individual”.

 

JC – Quais medidas podem amenizar os efeitos da sobrecarga no sistema viário da cidade?

Cação – Queremos lançar ação de conscientização para incentivar o uso do transporte público e da carona solidária.

 

JC – Alterações viárias, embora importantes, são paliativas, já que não resolvem, definitivamente, a saturação.

Cação – Não resolve. Não há como alargar as ruas de maior fluxo da cidade, estabelecer rodízio, como em São Paulo, ou proibir o cidadão de tirar seu carro da garagem.

 

JC – E como será esta campanha de conscientização?

Cação – É algo que está em estudo ainda, não está nada decidido. Mas o foco será no uso do transporte coletivo, que atende bem as necessidades hoje. E também a carona solidária, que já funciona bem entre alguns universitários. Mas pais que moram na mesma região da cidade que outros pais e que tenham crianças na mesma escola, por exemplo, também poderiam se organizar para este revezamento, evitando que um número desnecessário de carros pelas ruas.

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