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Luz para o mundo

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

E a primeira semana de 2017 terminou com cara de 2016. Massacres, atentados, violência no trânsito, chacina em família, dinheiro curto. É o insistente 2016 que, aliás, teimou em não terminar: teve até um segundo a mais em seu último suspiro.


Pois a semana teve desfecho com duas manifestações bem diversas. Como se servissem de prova de início de ano com alternativas A e B: qual escolher?


A: Secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, foi demitido após dizer à coluna do jornalista Ilimar Franco, publicada no site do jornal O Globo, que “era para matar mais” e que “tinha de ter uma chacina por semana”. Ele se referia, obviamente, aos recentes casos de mortes de presos no Brasil.


B: O apresentador Chico Pinheiro encerrou o “Jornal Nacional”, anteontem, dando um “graças a Deus que hoje é sexta-feira”, lembrando que “é vida que segue” e exibindo, com a mão direita, o famoso gesto mundial de paz e amor.


Cada vez mais estaremos inseridos numa sociedade dividida entre “vou aí te quebrar” e “calma que não é pra isso”. Entre Justiça e justiçamento. E quanto mais ficamos expostos à mira dos bandidos, mais a nossa tendência conservadora se sente à vontade para mostrar suas garras. Voltamos, nesses tempos de impaciência total, à questão de sempre: violência se combate com violência?


Já citei aqui uma antiga cena de “A Praça é Nossa”. Duas pessoas brigando, uma assistindo. Até que a que assiste vai lá e mete bala nos brigões, que caem. Alguém pergunta: “Cara, por que você fez isso?”. E ele: “Odeio violência”.


Nossa profissão de vida deve ser a esperança. Caso contrário, isso aqui vai virar um “salve-se quem puder”. Agressão se anula com agressão? Então nossa já combalida vida em sociedade vai pro saco – literalmente.


O que quero dizer, e admito a dificuldade, é: não devemos contribuir para o barco afundar de vez – e num mar de sangue. Quem assistiu a “Cabo do Medo” sabe bem como ameaças terminam.


Na vida real, apesar de tudo, o sinal predominante precisa ser o do “gente boa” Chico Pinheiro: paz e amor. Porque não somos nós os vilões da sociedade e, por isso mesmo, não devemos agir como tal. Se não somos nós os assassinos por que vibrar com a escuridão de uma vida tirada?


Atenção: se não vale tudo em nome do ódio, também não há licenças irrestritas no amor. Ele também pede respeito e desprendimento. Mas isso é outra história, quem sabe, para uma semana futura menos terrível e mais iluminada. Mais em paz.


O autor é editor executivo do JC

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